Partilho convosco o meu último conto publicado, desejando-vos festas felizes, com saúde, paz, amor e respeito por todos os seres da Natureza, porque pertencemos todos à mesma e imensa família.
O conto “Descobri o Natal no meu quintal” foi selecionado
e integra a coletânea “Contos de Natal” – Natal em Palavras”, na página 442 do
tomo II do volume 3, editada pela Chiado Books, em novembro de 2024.
E porque o Natal deve acontecer todos os dias e para todos, este conto é uma homenagem ao meu quintal, mas também aos meus antepassados, familiares e amigos que contribuem para que a magia natalícia aconteça diariamente, neste meu pequeno paraíso verde.
Descobri o
Natal no meu quintal
Mais um Natal numa sociedade cada vez mais egoísta,
consumista, destruidora...
Um Natal embrulhado em hipocrisia, cada vez mais
desprovido de sentimentos... Como se um dia de ilusão bastasse para aliviar o
sofrimento do mundo.
Um Natal cuja magia ficara perdida na inocência da
infância, dando lugar ao vazio, à saudade da gente e dos tempos já idos.
No entanto, nessa manhã invernal, o vento serenou, a
chuva parou de bater nas vidraças e o sol iluminou o meu pequeno quintal!
Aquele quintal, que para mim era imenso, onde todos os
dias, a magia acontecia!
Os dias nasciam felizes, naquele quintal, onde eu
dançava, com os insetos, a doce melodia dos pássaros e, por fim, deixava-me
embalar nos ramos das árvores, enquanto escutava as histórias das
pedras.
Naquele quintal, eu voltava a ser criança!
Ali, brincava entre as minhas amigas árvores, cada uma
com o seu nome: os araçazeiros Gigantes, o Sr. Loureiro, a Princesa
Cerejeira, a ameixoeira Frufru, a D.ª Ginjeira, o menino Azevinho, o limoeiro
Pirolito e o pessegueiro Grandalhão, para além das outras encantadoras plantas,
como roseiras, jarros, sardinheiras, brincos-de-princesa, margaridas,
dentes-de-leão e tantas, tantas outras belas.
Plantas que eu e a minha mãe cuidávamos zelosamente e
víamos seguir o seu ciclo de vida, dia após dia, estação após
estação. Muitas das plantas eram do quintal dos meus avós, outras
foram oferecidas por amigos e familiares, enquanto outras simplesmente nasceram
espontaneamente.
Naquele quadradinho de Natureza, cruzavam-se os tempos e,
através das recordações, os queridos ausentes voltavam a estar presentes.
As belezas do meu quintal passaram, então, a fazer parte
da minha família, que crescia sempre que uma nova criatura aparecia.
O quintal era o meu refúgio, onde encontrava a
tranquilidade e inspiração para superar os desafios da vida, sobretudo nos
momentos mais difíceis. Sim, a Natureza não fala por palavras, fala por gestos
e tem tanto para dizer, só é preciso saber ouvi-la com o coração.
E esse era o presente de Natal que tinha para oferecer a
quem quisesse receber: a partilha do meu adorado quintal, repleto de
magia.
Ali, eu envolvia-me no terno abraço da Grande Mãe
Natureza, descobrindo, com a sua inquestionável sabedoria, a verdadeira
essência da vida, tão simples e, por isso, tão complexa.
E, assim, no meu quintal, descobri o verdadeiro
Natal!
Porque o verdadeiro Natal é isso mesmo. É acordar
todos os dias, sorrindo, com coração aberto para respeitar todos os seres da
Natureza, como uma imensa família, semeando paz e amor.
Rita Micaelo Silva
1/12/2024
Retratos das minhas árvores
Partilho convosco um excerto do meu conto “Os três irmãos duendes”, que escrevi em 2023, onde falo do meu quintal, juntando os retratos das minhas árvores, também feitos por mim, a aguarela digital.
“- Uau, que jardim mais lindo! – encantou-se a Rosa Vaidosa.
- Até parece o nosso bosque encantado! - disse o Nariz-Gelado.
Ao ver o pequeno quintal da Ritinha, entre muros e feios prédios, de repente, o duende percebeu que, afinal, havia sítios em que a natureza precisava de ser cuidada e protegida, sobretudo na cidade, onde praticamente não há árvores. O duende sentiu que a Natureza estava em risco, pois para construírem tantos edifícios destruíam vastas áreas verdes. Aí, começou a sentir que talvez pudesse fazer alguma coisa para alertar os humanos, pois se não os travasse, qualquer dia até o seu bosque desapareceria!
O seu coração ficou triste e aflito, perdendo todo o entusiasmo pelas “experiências mágicas” (ou melhor, pelas invenções tecnológicas) dos humanos, que punham em risco a Mãe Natureza.
- É maravilhoso, não é? – aproximou-se a Ritinha – É pequenino, mas, para mim, é o maior e o mais belo quintal do mundo!
- Que árvores tão amorosas e que flores tão delicadas! – disse a Rosa Gulosa.
- As minhas queridas amigas árvores são fantásticas e cada uma tem o seu nome. Venham conhecê-las! – convidou a menina, levando, cheia de entusiasmo, os duendes até ao quintal.
Satisfeitos por pisaram a fofa relva verde, os duendes seguiram a sua nova amiguinha, numa apaixonante visita guiada.
- Esta é a ameixoeira Frufru, que dá as melhores ameixas do planeta! - apresentou a Ritinha, cheia de ternura - Chamei-lhe Frufru por me fazer lembrar a forma das saias volumosas das damas antigas, que deveriam fazer frufrufru, quando elas andavam dum lado para o outro. Ali, junto ao muro, estão os araçazeiros, que dão um fruto delicioso, chamado araçá. Na verdade, era só um arbusto que era maior do que todas as restantes árvores, por isso chamei-lhe Gigante. Agora são vários Gigantes cheios de bolinhas amarelas, que parecem guizinhos de Natal. Este aqui é o limoeiro Pirolito que, no início, tinha preguiça de crescer e dar limões, mas agora, já está bem crescido e sempre carregadinho. Ali, a maior árvore do quintal, é o pessegueiro Grandalhão, que dá os melhores pêssegos do mundo! E por fim a D. ª Ginjeira, que nunca se esquece de dar frutos, ao contrário da Princesa Cerejeira que está tão preocupada com a beleza e elegância, que até se esquece de dar as suas deliciosas cerejas amarelas!
- Adoro as tuas flores, são todas tão lindas! - admirou a Rosa Vaidosa - Olha só para aqueles brincos-de-princesa, até me apetecia pendurá-los nas orelhas.
- Vieram do jardim da minha avó, assim como as rosas, as sardinheiras, as hortênsias, os jarros brancos, entre muitas outras plantas que adoro. Algumas das plantas também foram oferecidas por vizinhos e amigos queridos.
- Olha ali, um pimenteiro e morangueiros! - entusiasmou-se a Rosa Gulosa – Sou perdidamente apaixonada por morangos!
- Também tenho amoras, que os passarinhos tanto gostam. – disse a Ritinha - Ai, ai... Este é mesmo o meu quintal encantado onde passo momentos mágicos e aprendo coisas fantásticas sobre a Natureza. Sempre que cá venho faço amigos novos, desde passarinhos, borboletas, libelinhas, joaninhas, bichinhos-da-conta, caracóis comilões, gatos vadios atrevidos, entre outros animais extraordinários. A minha família cresce de cada vez que faço um amigo novo e o meu coração fica ainda mais feliz!
- É tão bonito ver o teu amor pelos animais e plantas - disse o Nariz-Gelado - Apesar de pouco conhecer os humanos, já percebi que eles pouco olham para a Natureza. Nós, os duendes, não conseguimos viver sem a Natureza. Ela é nossa mãe e, por isso amamos e respeitamos todos os seus seres-vivos, sejam animais ou plantas, cada qual com o seu coração, e, como disseste, fazem todos parte da nossa grande família.
- Exatamente, eu também penso assim. Infelizmente muitas pessoas só sabem destruir a Natureza em troca de dinheiro e luxos. Talvez por isso goste tanto de duendes, fadas, e outras criaturas mágicas que habitam na Natureza.
- Querida Ritinha, és uma humana com um lindo coração verde de duende, que ama a Mãe Natureza. – disse a Rosa Vaidosa.”
in "Os três irmãos duendes", Rita Micaelo Silva, 2023
O passarinho do meu quintal
Um poema em homenagem a uma pardalita com quem fiz amizade no verão de 2023.













