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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Descobri o Natal no meu quintal

Partilho convosco o meu último conto publicado, desejando-vos festas felizes, com saúde, paz, amor e respeito por todos os seres da Natureza, porque pertencemos todos à mesma e imensa família. 

O conto “Descobri o Natal no meu quintal” foi selecionado e integra a coletânea “Contos de Natal” – Natal em Palavras”, na página 442 do tomo II do volume 3, editada pela Chiado Books, em novembro de 2024.

E porque o Natal deve acontecer todos os dias e para todos, este conto é uma homenagem ao meu quintal, mas também aos meus antepassados, familiares e amigos que contribuem para que a magia natalícia aconteça diariamente, neste meu pequeno paraíso verde.


Descobri o Natal no meu quintal

 

Era mais uma manhã de Natal... 

Mais um Natal numa sociedade cada vez mais egoísta, consumista, destruidora... 

Um Natal embrulhado em hipocrisia, cada vez mais desprovido de sentimentos... Como se um dia de ilusão bastasse para aliviar o sofrimento do mundo. 

Um Natal cuja magia ficara perdida na inocência da infância, dando lugar ao vazio, à saudade da gente e dos tempos já idos. 

No entanto, nessa manhã invernal, o vento serenou, a chuva parou de bater nas vidraças e o sol iluminou o meu pequeno quintal! 

Aquele quintal, que para mim era imenso, onde todos os dias, a magia acontecia!

Os dias nasciam felizes, naquele quintal, onde eu dançava, com os insetos, a doce melodia dos pássaros e, por fim, deixava-me embalar nos ramos das árvores, enquanto escutava as histórias das pedras.  

Naquele quintal, eu voltava a ser criança! 

Ali, brincava entre as minhas amigas árvores, cada uma com o seu nome: os araçazeiros Gigantes, o Sr. Loureiro, a Princesa Cerejeira, a ameixoeira Frufru, a D.ª Ginjeira, o menino Azevinho, o limoeiro Pirolito e o pessegueiro Grandalhão, para além das outras encantadoras plantas, como roseiras, jarros, sardinheiras, brincos-de-princesa, margaridas, dentes-de-leão e tantas, tantas outras belas.  

Plantas que eu e a minha mãe cuidávamos zelosamente e víamos seguir o seu ciclo de vida, dia após dia, estação após estação. Muitas das plantas eram do quintal dos meus avós, outras foram oferecidas por amigos e familiares, enquanto outras simplesmente nasceram espontaneamente.

Naquele quadradinho de Natureza, cruzavam-se os tempos e, através das recordações, os queridos ausentes voltavam a estar presentes. 

As belezas do meu quintal passaram, então, a fazer parte da minha família, que crescia sempre que uma nova criatura aparecia. 

O quintal era o meu refúgio, onde encontrava a tranquilidade e inspiração para superar os desafios da vida, sobretudo nos momentos mais difíceis. Sim, a Natureza não fala por palavras, fala por gestos e tem tanto para dizer, só é preciso saber ouvi-la com o coração. 

E esse era o presente de Natal que tinha para oferecer a quem quisesse receber: a partilha do meu adorado quintal, repleto de magia. 

Ali, eu envolvia-me no terno abraço da Grande Mãe Natureza, descobrindo, com a sua inquestionável sabedoria, a verdadeira essência da vida, tão simples e, por isso, tão complexa. 

E, assim, no meu quintal, descobri o verdadeiro Natal!  

Porque o verdadeiro Natal é isso mesmo.  É acordar todos os dias, sorrindo, com coração aberto para respeitar todos os seres da Natureza, como uma imensa família, semeando paz e amor. 

 

Rita Micaelo Silva 

1/12/2024




Retratos das minhas árvores 

24/112024

 

Partilho convosco um excerto do meu conto “Os três irmãos duendes”, que escrevi em 2023, onde falo do meu quintal, juntando os retratos das minhas árvores, também feitos por mim, a aguarela digital.  

 

“- Uau, que jardim mais lindo! – encantou-se a Rosa Vaidosa.

- Até parece o nosso bosque encantado! -  disse o Nariz-Gelado.

Ao ver o pequeno quintal da Ritinha, entre muros e feios prédios, de repente, o duende percebeu que, afinal, havia sítios em que a natureza precisava de ser cuidada e protegida, sobretudo na cidade, onde praticamente não há árvores. O duende sentiu que a Natureza estava em risco, pois para construírem tantos edifícios destruíam vastas áreas verdes. Aí, começou a sentir que talvez pudesse fazer alguma coisa para alertar os humanos, pois se não os travasse, qualquer dia até o seu bosque desapareceria!

O seu coração ficou triste e aflito, perdendo todo o entusiasmo pelas “experiências mágicas” (ou melhor, pelas invenções tecnológicas) dos humanos, que punham em risco a Mãe Natureza.

- É maravilhoso, não é? – aproximou-se a Ritinha – É pequenino, mas, para mim, é o maior e o mais belo quintal do mundo!

- Que árvores tão amorosas e que flores tão delicadas! – disse a Rosa Gulosa.

- As minhas queridas amigas árvores são fantásticas e cada uma tem o seu nome. Venham conhecê-las! – convidou a menina, levando, cheia de entusiasmo, os duendes até ao quintal.

Satisfeitos por pisaram a fofa relva verde, os duendes seguiram a sua nova amiguinha, numa apaixonante visita guiada.

- Esta é a ameixoeira Frufru, que dá as melhores ameixas do planeta! - apresentou a Ritinha, cheia de ternura - Chamei-lhe Frufru por me fazer lembrar a forma das saias volumosas das damas antigas, que deveriam fazer frufrufru, quando elas andavam dum lado para o outro. Ali, junto ao muro, estão os araçazeiros, que dão um fruto delicioso, chamado araçá. Na verdade, era só um arbusto que era maior do que todas as restantes árvores, por isso chamei-lhe Gigante. Agora são vários Gigantes cheios de bolinhas amarelas, que parecem guizinhos de Natal. Este aqui é o limoeiro Pirolito que, no início, tinha preguiça de crescer e dar limões, mas agora, já está bem crescido e sempre carregadinho. Ali, a maior árvore do quintal, é o pessegueiro Grandalhão, que dá os melhores pêssegos do mundo! E por fim a D. ª Ginjeira, que nunca se esquece de dar frutos, ao contrário da Princesa Cerejeira que está tão preocupada com a beleza e elegância, que até se esquece de dar as suas deliciosas cerejas amarelas!

- Adoro as tuas flores, são todas tão lindas! - admirou a Rosa Vaidosa - Olha só para aqueles brincos-de-princesa, até me apetecia pendurá-los nas orelhas.

- Vieram do jardim da minha avó, assim como as rosas, as sardinheiras, as hortênsias, os jarros brancos, entre muitas outras plantas que adoro. Algumas das plantas também foram oferecidas por vizinhos e amigos queridos.

- Olha ali, um pimenteiro e morangueiros! - entusiasmou-se a Rosa Gulosa – Sou perdidamente apaixonada por morangos!

- Também tenho amoras, que os passarinhos tanto gostam. – disse a Ritinha -   Ai, ai... Este é mesmo o meu quintal encantado onde passo momentos mágicos e aprendo coisas fantásticas sobre a Natureza. Sempre que cá venho faço amigos novos, desde passarinhos, borboletas, libelinhas, joaninhas, bichinhos-da-conta, caracóis comilões, gatos vadios atrevidos, entre outros animais extraordinários. A minha família cresce de cada vez que faço um amigo novo e o meu coração fica ainda mais feliz!

- É tão bonito ver o teu amor pelos animais e plantas - disse o Nariz-Gelado - Apesar de pouco conhecer os humanos, já percebi que eles pouco olham para a Natureza. Nós, os duendes, não conseguimos viver sem a Natureza. Ela é nossa mãe e, por isso amamos e respeitamos todos os seus seres-vivos, sejam animais ou plantas, cada qual com o seu coração, e, como disseste, fazem todos parte da nossa grande família.

- Exatamente, eu também penso assim.  Infelizmente muitas pessoas só sabem destruir a Natureza em troca de dinheiro e luxos. Talvez por isso goste tanto de duendes, fadas, e outras criaturas mágicas que habitam na Natureza.

- Querida Ritinha, és uma humana com um lindo coração verde de duende, que ama a Mãe Natureza.  – disse a Rosa Vaidosa.”

in "Os três irmãos duendes", Rita Micaelo Silva, 2023






O passarinho do meu quintal 


 Um poema em homenagem a uma pardalita com quem fiz amizade no verão de 2023.





 


Curta-metragem de animação "Forevergreen"

"Forevergreen" é uma curta-metragem de animação de 2025, escrita e realizada por Nathan Engelhardt e Jeremy Spears. Trata-se de um filme merecidamente premiado.

Foi um dos melhores filmes de animação que vi nos últimos tempos. Fez-nos pensar sobre aquilo que é realmente importante na vida e a forma egoísta, cruel, destrutiva como tratamos os que nos rodeiam, sobretudo a natureza, atraídos pelo "lixo" que acaba por nos colocar em risco.  

Para além disso, é um filme, no qual me revejo, porque tal como o pequeno urso também foi de certo modo "salva" pelas árvores do meu pequeno quintal. Nos momentos mais difíceis da minha vida foi entre aquelas sete árvores, plantas e animais que habitavam aquele quintal, que encontrei o consolo, a sabedoria e a inspiração para superar os desafios e seguir em frente. Infelizmente, a vida não correu como queria e, mesmo contra a minha vontade, tive de mudar de casa, deixando para trás o meu quintal e grande parte das suas plantas, apesar de ter tentado trazer o que pude, nomeadamente estacas das árvores. 

Após vários meses de ter deixado o meu quintal, vim a saber que o temporal do início de fevereiro de 2026, o destruiu, tendo deitado abaixo muros, a ameixoeira e o pessegueiro.  Ao contrário do que aqueles fantásticos ser-vivos fizeram por mim e pelo ambiente, dando o seu melhor, mesmo que as condições não fossem as mais favoráveis (no meio da cidade rodeadas de cimento e poluição), eu não estava com eles, nos seus piores momento. Não eram apenas objetos decorativos,eram seres-vivos dotados de capacidades que os humanos não têm, sobretudo a de garantir a sobrevivência do planeta. Eram como família para mim, tal como acontece com o urso desta curta-metragem fabulosa. 

Isso mostra exatamente o quanto somos ingratos e injustos com a natureza. 

O Forevergreen mostra essa realidade de forma incrivelmente bela e tocante. 

A curta está disponível online temporariamente, vale a pena aproveitar para ver, refletir e mudar a nossa forma egoísta de quer submeter a natureza à nossa vontade, destruindo-a cada mais e a uma velocidade estonteante.  



quarta-feira, 13 de novembro de 2024

E se o mar me levasse

 

 

E se o mar me levasse

Num barquinho à vela

Talvez o mundo atravessasse

E viria tanta vida bela

 

E se o mar me levasse

A galopar nas suas ondas

Talvez ao vento gritasse

Onde estás? Por onde andas?

 

E se o mar me levasse

Aos velhos tempos já idos

Eu talvez desvendasse

Alguns mistérios perdidos

 

E se o mar me levasse

Nos seus braços de espuma

Eu talvez me livrasse

De tão escura bruma

 

E se o mar me levasse

Ao meu doce coração

Eu talvez me inspirasse

Para uma nova canção

 

E se o mar me levasse

Ai, e se o mar me levasse...

 

Rita Micaelo Silva

Novembro de 2024

segunda-feira, 10 de junho de 2024

domingo, 28 de abril de 2024

Mãe onde estás? Vem comigo!” e "Liberdade" - duas novas publicações da minha autoria em antologias

 


A prosa "Mãe onde estás? Vem comigo!” e o poema "Viva a Liberdade! ", ambos da minha autoria, foram selecionados e integram o tomo II das antologias “Minha Mãe” vol. I e " Liberdade"  vol. III, editadas pela Chiado Books, em abril de 2024.


“Mãe onde estás? Vem comigo!” é uma humilde homenagem que faço às mães, em especial a minha -  Mãe Rita -, mas também aquela que tantas vezes esquecemos, negligenciamos e sem a qual não vivemos: a Grande Mãe Natureza.   


As obras estão disponíveis nas livrarias e na própria Chiado Books. 

"Minha Mãe" - https://www.atlanticbookshop.pt/poesia/minha-mae-vol-i-tomo-ii

"Liberdade" Vol. III -  https://www.atlanticbookshop.pt/poesia/liberdade-vol-iii-tomo-ii


Agradeço a o oportunidade dada pela Chiado Books e à professora Eduarda Pinheiro que fez a revisão dos dois  trabalhos. 

Mãe, onde estás? Vem comigo!

de Rita Micaelo Silva

 

- Mãe, onde estás?

- Estou aqui, filha. Sabes onde estou. 

- Não te vejo, Mãe...  Estás escondida? 

- Escondida?!  Claro que não, porque me haveria de esconder?!  Estou ao pé de ti!  Não te iludas com o que vês. Usa o olhar sincero do teu coração e logo me verás.

Instantes depois... 

- Mãe! Tão linda estás! Esplendorosamente vestida com diversificadíssimas paisagens e formas de vida, que alimentas com as tuas lágrimas! Olha só esse véu azul, adornado de estrelas e astros, sobre o teu cabelo de floresta! O teu olhar dourado é um misterioso deserto e, dos teus lábios, os ventos trazem-me histórias e sabedoria. Grandiosa Mãe, sinto-me minúscula, mas ao mesmo tempo, tão amada e protegida, quando me embalas nos braços, embrulhada em ternura, onde sonho com tantas maravilhas! Quando eu for grande quero ser igualzinha a ti, Mãe!  

- Minha querida, sê simplesmente tu. 

- Desculpa ter-te magoado, desiludido e não ter cuidado de ti como merecias... 

- Ora, ninguém é perfeito, filha, todos erram. Até eu erro tantas vezes… És apenas uma criança e, como ninguém nasce ensinado, tens ainda muito que aprender. Contudo, para mim, sempre foste e serás perfeita, tal como és. 

- Obrigada, Mãe, por tudo o que me tens dado... Nem sei como te agradecer...  

- O amor não se agradece, filha adorada, recebe-se e retribui-se, quando é possível.  Nada é mais gratificante para mim do que ver-te feliz. 

- Mãe, tenho de continuar o meu caminho, dás-me a tua mão? Vem comigo! Por favor, não me deixes sozinha, nesta complexa jornada...  

- Se fazes parte de mim, como poderia deixar-te só?! Sê corajosa, criativa e honesta, sobretudo contigo própria.

Jamais permitas que o medo te impeça de seguires os teus sonhos!!!


Viva a liberdade

de Rita Micaelo Silva

 

Podem tirar-me a luz 

Podem-me amordaçar 

Podem-me até prender

Num sítio qualquer 

Mas enquanto tiver forças 

Nas asas do pensamento

Para longe voarei

E pelo caminho semearei

Sementes de esperança 

Para que um dia floresça

Um mundo mais justo e livre 

E aí, bem lá do alto 

Aos quatro ventos, gritarei 

VIVA, VIVA A LIBERDADE! 



sábado, 30 de setembro de 2023

Guitarra sem cordas


Tenho uma guitarra no fundo da sala 

Que já não toca nem fala

Chora hora após hora

Pelos bons tempos de outrora 

 

Ó velha guitarra sem cordas

Sei quanto doí o que recordas

Sei que sonhas mas sabes bem

Que o teu guitarrista já não vem

 

Ó velha guitarra sem cordas

Já com mais nada te importas 

Tocas toda a tristeza do mundo 

Numa só nota do silêncio profundo 

 

Ó minha guitarra sem cordas

Do teu sonho não acordas

De um belo dia ele regressar 

Só para te voltar a tocar

 

Rita Micaelo Silva 

Novembro de 2022

domingo, 21 de maio de 2023

Conversa Estrelada


- Olha, uma estrela no chão. Achas bem? 

- Acho. 

- Achas bem estar uma estrela caída no chão?! 

- Acho. Porquê que as estrelas também não hão de ter direito a descer à Terra, de vez em quando?! 


Rita Micaelo Silva 

21/05/2023

sábado, 13 de maio de 2023

O duende Samu e o passarinho Jojo

Era uma vez um duende solitário, que vivia num lindo cogumelo vermelho, bem no meio do bosque encantado.

O duende chamava-se Samu e andava muito triste por não ter com quem passar o Dia do Duende* que se aproximava.

Certo dia, o Samu passeava pela floresta, como sempre gostava de fazer, para apreciar as belezas da Mãe Natureza.

A dada altura, o Samu encontrou um passarinho caído do ninho, a chorar, cheio de medo e fome.

O pequeno duende procurou a mãe pássara por todo o lado, mas ninguém reconheceu o passarinho como seu filhote.

Deste modo, o Samu levou o passarinho consigo para casa, deu-lhe o nome de Jojo e cuidou dele, ainda melhor do que qualquer mãe pássara.

O Samu e o Jojo nunca mais se separaram e viveram aventuras fabulosas, no bosque, onde fizeram muitos amigos, como duendes, fadas, criaturas fantásticas, animais e plantas.

Três dos seus melhores amigos eram a fadinha Teté brincalhona, a adorável fadinha Titi soneca e a linda fadinha Sasá, por quem o Samu tinha um carinho muito especial.


Todos se divertiam, ajudavam e protegiam uns ou outros, pois ninguém conseguia estar feliz, quando alguém ficava triste.

Assim, com o Jojo e os outros amigos, o Samu ganhou uma família fantástica que fazia com que todos os dias fossem Dia do Duende, cheios de amor, paz, magia e muita alegria.



 

Rita Micaelo Silva

11/04/2023




Fotografias de Rita da Cunha Micaelo Silva 


*O Dia do Duende celebra-se a 13 de maio. 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Menina de biscuit


Menina que passas na rua

Tão cheia de charme e “belezura”

Lá vais tu sempre na tua 

Irradiando tanta luz e ternura 

O que levas no balde não sei não

Mas olha que me levaste o coração 

 

Menina pareces feita de biscuit 

Os teus olhos verdes e pele branca

Levam-me a sítios onde nunca fui

Graciosamente levas o balde na anca

Onde vais ó minha princesa mais linda

Tem cuidado que te perdes ainda 

 

Menina belíssima, boneca de biscuit

Tão fina e delicada que temo partir

Pois tímido e desajeitado eu sempre fui

E isso nota-se até no meu tonto sorrir   

Não sou nenhum príncipe encantado 

Mas por ti estou completamente fascinado 

 

Menina minha joia de porcelana 

Meu mais precioso tesouro

O meu velho coração, o sacana 

Não sossega, bate mais forte do que um touro 

Ai, como queria ter asas de vento e voar

Só para te conseguir acompanhar 

 

Menina de cachos de ouro

O que tens escondido na floresta 

Algum segredo, mistério ou tesouro

Deixa-me ir contigo, levo-te a cesta

Encho-te o balde de rosas e lavandas 

Faço tudo o que queres, princesa, tu mandas 

 

Rita Micaelo Silva 

1 de maio de 2023 

 

 

 

 

 

terça-feira, 21 de março de 2023

Minhas queridas árvores

Minhas queridas árvores, 

 

Hoje é o Dia Mundial da Árvore. Ou pelo menos é o que dizem os Homens. 

Os mesmos Homens que desde sempre vos trataram como mera matéria-prima, procurando tirar o melhor partido de vós, da vossa madeira, do vosso fruto, ou do vosso bonito aspeto decorativo. De tudo, esquecendo-se do principal, amar-vos enquanto seres vivos e, ainda por cima, os seres vivos que lhes dão o oxigénio para viverem! 

E depois quando se cansam de vocês, simplesmente abatem-vos sem qualquer ressentimento. 

Sim, os mesmos Homens que, todos os dias, abatem hectares e hectares de floresta, destruindo milhões e milhões de vidas. 

Os mesmos Homens que erguem as "bandeiras do ambiente" e que dizem que por cada árvore abatida, plantam três. Como se alguma vida fosse substituível, ainda por cima quando se trata de árvores centenárias ou milenares. Como se isso bastasse para salvar o que quer que seja. 

Os mesmos Homens que apesar dos claros avisos de situação muito grave e quase irreversível, insiste em continuar a tratam-vos com hipocrisia e crueldade. 

E vocês, indefesas, sofrem em silêncio, continuado a dar-lhes aquilo que é indispensável à vida, tal como uma mãe dá tudo a um filho, mesmo que não receba o seu amor.  

Doí-me de cada vez que vejo uma árvore encaixada no betão, na berma das estradas, é como andar de sapatos com muitos números abaixo e, como se não bastasse, ainda têm de respirar a nojenta poluição humana, sobretudo nas cidades, ditas modernas e civilizadas. 

Dói-me ver árvores cortadas só porque não dão jeito ou já não ficam bem naquele sítio. 

Doí-me ver tanto sofrimento e tanta falsidade na forma como os humanos que se dizem donos do mundo e do conhecimento, tratam as políticas ambientais. 

Dói-me ver-vos a morrer e, convosco, tantas outras espécies, dia após dia. 

Dói-me ver os Homens a saber que se continuarem a destruir o ambiente, eles próprios vão extinguir-se e, mesmo assim continuam cegos por dinheiro. 

Dói-me porque vos amo, minhas queridas árvores, sois para mim o maior dos outros tesouros, sois a principal fonte de vida! Sem vós, nós humanos não seremos nada. 

Sinto-me privilegiada por ter um pequeno quintal com algumas árvores, entre várias outras plantas. Cada qual com o seu nome próprio, de acordo com as suas personalidades, pois são seres vivos, e por isso, trato-as com todo o amor que merecem. Amor que elas me devolvem em dobro. Já para não falar no quanto me têm ensinado, quando estou na sua doce companhia!

Só queria que todas as árvores do mundo fossem tratadas com o mesmo respeito e amor com que trato as minhas, pois seríamos todos muito mais saudáveis e felizes. 

Oh minhas queridas árvores, torço para que não seja apenas hoje o Dia Mundial da Árvore, mas sim, todos os dias. 

 

Com amor 

Rita 

21 de março de 2023

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

A utopia do tempo e os seus tempos

 

O passado já existiu.

O futuro ainda há de existir.

Só existe então o presente, que é o reflexo do passado e de um futuro que ainda existirá.


Rita Micaelo Silva 

Janeiro, 2023

sábado, 1 de outubro de 2022

Família Gerberas

 


Lá num cantinho do meu quintal, vive uma simpática família de gerberas.

Idosos que vergam sob o peso da vida, mas continuam belos e com o coração cheio de memórias.

Crianças ávidas das histórias dos idosos cheios de sabedoria.

Adultos que vivem um dia de cada vez, sem pressas, criam memórias, seguem os passos dos mais velhos, tomando-os como faróis das suas vidas.  

Adolescentes que imitam os adultos, correm atrás de sonhos, acreditando poder vir a ser tão bons ou melhores do que os seus antepassados.

E bebés inocentes que só querem o amor e proteção de todos os outros.

E assim, tudo cresce e vive tranquilamente, respeitando o lugar de cada um e aprendendo todos juntos.

Olhando para aquele cantinho do meu quintal, fico a imaginar como seria bom que a civilização humana fosse como a família Gerberas...

 

terça-feira, 20 de setembro de 2022

O teu Castelo Amarelo (dedicado ao meu pai João Carlos Fernandes Silva)

Encontrei o teu castelo amarelo 

Junto de fotos e um caracol de cabelo

Que desenhaste ainda menino 

P'rá princesa que viria a caminho 

Lá me esperas desde bem cedinho

Preparando tudo com amor e carinho  

 

Esse teu misterioso castelo 

Desenhado e pintado de amarelo

Que tem duas torres, uma porta

E bem no alto uma bandeira torta

Não consta em nenhum dos atlas

Nem nos mapas dos piratas


Fica num lindo reino encantado 

Onde reina paz e amor por todo o lado 

Há jardins cheios de diversas árvores 

Flores de todas as espécies e cores 

Animais, duendes, fadas fantásticas 

Entre muitas outras criaturas mágicas, 

 

Peripécias sem conta eu já passei 

E outras tantas sei que passarei

Entre derrotas, vitórias e conquistas 

Tormentas e charadas com poucas pistas

Mesmo não sendo perfeita não desistirei de te reencontrar 

Ansiosa por te abraçar, sem nunca mais te largar

 

Não te esqueças do lanchinho de bonecas 

Com leite, docinhos e panquecas 

Para quando eu aí chegar 

Ao teu colo me sentar 

Um pinguinho tomar e histórias escutar

Sem ter mais hora para terminar  

 

Nesse teu castelo amarelo 

Onde tudo é tão incrível e belo

Que desenhaste ainda muito menino 

P'rá princesa que viria a caminho 

Lá me esperas desde bem cedinho

Preparando tudo com amor e carinho 

 

Rita Micaelo Silva 

Junho de 2022 

Desenhos de João Carlos Fernandes Silva (1967/70) 

  

domingo, 28 de agosto de 2022

O teu lenço branco bordado

Era um lenço branco delicado

Tinha o teu nome bordado

Guardava-o junto ao peito destroçado

Depois de me teres deixado

 

O vento levou-mo de repente da mão

Quis roubar-me mais o pouco de coração

Mas nem um minuto hesitei então 

Em correr atrás do lenço que nunca tocou o chão

 

Percorri toda a fria e triste cidade

Onde ninguém faz nenhuma caridade

Mas corri, corri a toda a velocidade

Atrás do lenço como uma verdadeira preciosidade

 

Então o teu lenço branco bordado

Ficou preso num velho galho entortado

Daquela árvore cuja altura deixa qualquer um atordoado

Mas que trepei até ao topo, mesmo desajeitado

 

Lá em cima da grande árvore adorada

Ao ver a mais bela e clara alvorada

Lembrei-me daquela manhã encantada

Em que te conheci e não quis saber de mais nada

 

Na copa daquela árvore percebi então

Que o teu lenço branco na minha mão

Era só uma pequena e terna recordação

Pois afinal não te perdi, eras o meu mundo, o meu coração


Rita Micaelo Silva 

Agosto, 2022