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sábado, 13 de maio de 2023

O duende Samu e o passarinho Jojo

Era uma vez um duende solitário, que vivia num lindo cogumelo vermelho, bem no meio do bosque encantado.

O duende chamava-se Samu e andava muito triste por não ter com quem passar o Dia do Duende* que se aproximava.

Certo dia, o Samu passeava pela floresta, como sempre gostava de fazer, para apreciar as belezas da Mãe Natureza.

A dada altura, o Samu encontrou um passarinho caído do ninho, a chorar, cheio de medo e fome.

O pequeno duende procurou a mãe pássara por todo o lado, mas ninguém reconheceu o passarinho como seu filhote.

Deste modo, o Samu levou o passarinho consigo para casa, deu-lhe o nome de Jojo e cuidou dele, ainda melhor do que qualquer mãe pássara.

O Samu e o Jojo nunca mais se separaram e viveram aventuras fabulosas, no bosque, onde fizeram muitos amigos, como duendes, fadas, criaturas fantásticas, animais e plantas.

Três dos seus melhores amigos eram a fadinha Teté brincalhona, a adorável fadinha Titi soneca e a linda fadinha Sasá, por quem o Samu tinha um carinho muito especial.


Todos se divertiam, ajudavam e protegiam uns ou outros, pois ninguém conseguia estar feliz, quando alguém ficava triste.

Assim, com o Jojo e os outros amigos, o Samu ganhou uma família fantástica que fazia com que todos os dias fossem Dia do Duende, cheios de amor, paz, magia e muita alegria.



 

Rita Micaelo Silva

11/04/2023




Fotografias de Rita da Cunha Micaelo Silva 


*O Dia do Duende celebra-se a 13 de maio. 

domingo, 28 de agosto de 2022

Um inesquecível mergulho nas maravilhas da Curia

Após um período particularmente controverso e doloroso, eu e a minha mãe decidimos fazer uma semana de termas, para recarregar energias.

Fomos então para o Hotel das Termas da Curia.

Nunca tínhamos feito termas e confesso que não estava lá muito entusiasmada, porque tinha uma ideia errada daquilo que são as termas. Pensava encontrar o género de uma clínica onde todos se queixam das suas maleitas, mas afinal é completamente diferente. Ou melhor, é tudo menos isso.

Entrada do Parque e Hotel das Termas da Curia
Mal lá cheguei, deparei-me com um parque encantado, dentro de uma espécie de muralha de castelo, onde se situam as instalações do hotel e das termas, num belíssimo edifício centenário, rodeado de florestas, belos jardins românticos, piscina, parque infantil, um magnífico lago entre outras maravilhas que logo me fizeram sentir em paz, sendo impossível conter o largo sorriso. 

Aliás aquilo que me convenceu a deixar o meu querido quintal por sete dias foi precisamente o magnífico parque cheio de árvores centenárias. O que eu não sabia era que o hotel ficava mesmo dentro do imenso parque.

Caminho verdejante com árvore antiga
A felicidade foi total quando me vi a passear naqueles jardins e florestas maravilhosas, onde não resisti em procurar fadinhas, duendes entre outros seres mágicos. Bem espreitei para dentro dos buracos das centenárias árvores, encontrei inclusivamente um hotel de fadas numa árvore muito velhinha e com forma de mulher, vi libelinhas gigantes, passarada e carpas enormes no lago, mas as fadas e duendes não quiseram aparecer pois, como sabem, são seres muito discretos. Quer dizer, eu não os vi nas suas formas originais, mas conheci uma série de pessoas que são autênticas fadas e duendes, pois fazem tudo para fazer os outros felizes.  

Logo no almoço bufete, bastante diversificado, saboroso e saudável, com excelentes pratos de chef (ainda mais sofisticados ao jantar, mas sempre equilibrados), conheci a imensa variedade de pessoas que frequentam aquele paraíso, desde bebés a idosos, a conviverem harmoniosamente, como se de uma grande família se tratasse.

Sim, não é habitual que haja tanto convívio nos hotéis, aliás eu até nem gosto de hotéis e nunca me senti tão em casa como no Hotel das Termas da Curia.

Lago com peixes e gaivotas e vegetação
Todos sem exceção, desde os donos do hotel, às empregadas da limpeza, aos senhores da manutenção, rececionistas, funcionários do restaurante, bem como muitos dos hóspedes, médicos, funcionários, terapeutas e utentes das termas, não sabiam o que mais haviam de fazer para nos agradar.

Há muito que me sentia tão mimada por desconhecidos, parecia até que era uma princesa, com quem quase todos quiseram meter conversa e trocar contatos. (Para todos um grato abraço)

Desta forma, os “desconhecidos” tornaram-se rapidamente bons amigos que fizeram com que a nossa estadia naquele paraíso, onde reina a doce paz da luxuriante natureza, fosse ainda mais mágica, inesquecível, inspiradora, enriquecedora e, sobretudo, rejuvenescedora.

Para além de relaxar, também aprendi muito, com as pessoas fantásticas que fui conhecendo, cada uma com as suas interessantes histórias.  A primeira inesquecível surpresa aconteceu logo que cheguei ao hotel, quando a querida D.ª Judite, uma senhora de 97 anos, a quem o AVC não lhe levou a música da memória, nos presenteou com lindíssimos acordes de Beethoven e Chopin. A D.ª Judite foi, então, a primeira fadinha que conheci, com os seus lindos olhos azuis, naquele hotel paradisíaco.

Percurso florestal

No entanto, o paraíso entende-se para além da muralha, pois a população do pequeno lugar da Curia é igualmente hospitaleira e calorosa. Não são muitas as pessoas que se veem pelas ruas, bem cuidadas, com boas acessibilidades e sempre, sempre cheias de vegetação, mas o certo é que toda a gente se cumprimenta com um sorriso, mesmo que não se conheçam.

Confirmei então a minha teoria de que os bons ares da natureza fazem com todos vivam mais saudáveis, mais calmamente e, naquele lugar, não há pressas para nada, o tempo passa tranquilamente, ninguém sofre de stress e, talvez por isso, as pessoas sejam mais humanas e afáveis. Viver em sintonia com a natureza é a chave para viver melhor.

Já para não falar do poder das águas termais que, aliado aos vários tratamentos feitos por excelentes profissionais incansavelmente dedicados aos seus utentes, tão bem faz ao corpo e à alma.

Buvette
Os tratamentos nas termas fazem-nos sentir leves como se mergulhássemos em pó-de-fada. Também não será por acaso que passamos por uma gruta fantástica para aceder às instalações das termas! Todos os pormenores são encantadores e a magia da natureza paira por todo o lado. 

Pelo menos eu saí de lá muito mais leve, sem as contraturas que me punham as costas curvadas e doridas. Foram tratamentos intensos, que me deixaram toda partida, mas que agora revelam excelentes resultados. Para além das melhoras físicas, esta estadia fez também com que eu me sinta muito mais relaxada, tranquila, com outra energia para enfrentar os problemas (que anteriormente me pareciam megalómanos) e sobretudo com uma nova esperança na humanidade, graças às lindas “fadas” e “duendes” em figura de gente que lá conheci.

Tão boa foi a experiência na Curia, que a minha mãe até quer ir para lá viver e eu fiquei triste por me vir embora, coisa que nunca aconteceu em férias nenhumas. E o mais engraçado, é que os funcionários do hotel e das termas também se despediram de nós com uma lágrima ao canto do olho, de tão ligados estavam às Ritas.

Nas termas da Curia ganhamos não só saúde física e mental, mas também uma nova família de amigos que nos deram tudo o que há muito precisávamos. Foi como mergulhar num belo mundo encantado, cheio de paz e boa gente. É indubitavelmente uma estadia que recomendo, pelo menos uma vez por ano, para relaxar e repor energia, sozinho ou em família.

Piscina exterior do Hotel das Termas

Gostei de regressar a casa e ver que, no querido quintal, as plantas cresceram e floresceram, mas a vontade de voltar ao paraíso encantado do Hotel das Termas da Curia é mesmo muito grande.

Tanta é a vontade de volta de estar no paraíso, que regressei à Curia, para festejar o meu aniversário, onde fui novamente recebida com muitos mimos e ainda tive direito a bolo e champanhe, completando-se festa, com a ajuda do S. Pedro que nos deu um tempo maravilhoso para banhos de piscina, para além dos deliciosos tratamentos termais

Por isso, envio, aos amigos da Curia, um terno abraço e um até breve.

 

Rita Micaelo Silva

Agosto, 2022


Fotografias de Rita Maria C Micaelo Silva 

domingo, 2 de novembro de 2014

HAPPY HALLOWEEN!

Halloween é um momento em que podemos dar largas à nossa criatividade e exprimir o nosso lado mais sombrio. Como adoro o espírito fantástico do Halloween, foi com imenso prazer que me deliciei a comer uma múmia que resolveu assombrar o meu lanche. Nunca imaginei que as múmias fossem tão deliciosas! Venham elas!

Mummy cupcake - Confeitaria Ferreira (Matosinhos)


sábado, 11 de junho de 2011

Visitas à Escola EB1/JI da Maia

Meus queridos amiguinhos da Escola EB1/JI da Maia,
Antes de mais quero agradecer a todos (incluindo professores e funcionários) o imenso carinho com que me receberam na vossa escola e os lindos quadros que me ofereceram. O meu escritório ficou bem mais bonito, desde que coloquei os vossos quadros na parede! Mas, sabem, amiguinhos, o meu presente favorito são os vossos sorrisos!
Adorei estar na vossa escola, no dia 18 de Maio, a apresentar o meu livro – “Rui e a música mágica” – e fiquei felicíssima quando me convidaram para ir brincar convosco no Dia Mundial da Criança, 1  de Junho.  Este é um dia especial para todas as crianças e para mim também!
“Mas tu já não és criança!?” – pensam vocês.
Não, de facto eu já sou crescida e tenho muitas responsabilidades, para além de ser Provedora dos Cidadãos com Deficiência, que é um trabalho muito bonito e do qual eu gosto bastante.
No entanto…  De certeza  que vocês conhecem muito bem o Peter Pan e as suas amigas, não conhecem?  Sim,  é esse mesmo, o menino que não queria crescer!
Pois, tal como o Peter Pan é eu também quero continuar a ser criança, para manter o coração puro e a imaginação fértil, que me fazem sonhar, brincar, a viajar pelos reinos da fantasia e a acreditar que, um dia, as crianças farão um mundo mais justo e unido, onde todos serão olhados como iguais.
Por isso é que eu gosto tanto de crianças! São as crianças que me inspiram para escrever, pintar, fazer filmes e teatro, que tanto gosto de partilhar com elas e com os grandes na esperança de que me ajudem a tornar o mundo melhor.
O Peter Pan não tem asas, sabem como é que ele voa? Exactamente, com o pozinho de “prilim-pim-pim” que a fadinha Sininho lhe dá!
Eu também não consigo andar com as minhas pernas nem escrever com as minhas mãos. No entanto, a minha vontade de fazer o mesmo que todos os meninos fazem era tanta,  que minha  fadinha  disse-me que iria encontrar a minha maneira conseguir fazer tudo o que quisesse!
Como as fadinhas nunca mentem, nem mesmo as mais traquinas, acreditei logo nela! Foi nessa altura que encontrei na minha cadeira de rodas as “asas” que me permitem “voar” para onde quero e, no meu capacete, uma varinha mágica, com a qual faço as coisas bonitas que tanto gosto de fazer.
Pois é, o meu capacete e a minha cadeira de rodas, juntamente com muita dedicação, persistência, imaginação e a vontade de ajudar quem mais precisa, foram os meus instrumentos mágicos, que fizeram com que eu pudesse crescer, terminar o meu mestrado, para hoje estar a trabalhar e ter uma vida normal, como toda a gente. Foi também muito importante o carinho e a ajuda que minha mãe, a família e os meus amigos me deram.
O quê? Quem foi que disse que  as fadinhas não  existem?! Ora, só pode ter sido um tonto,  como o Capitão Gancho! É  claro que as fadinhas existem! Só que são ainda mais  pequeninas do que um grãozinho de pó e por isso não a  conseguimos ver com os  nossos olhos. Mas cada um de  nós tem uma fadinha que, bem sentadinha no nosso ombro, nos dá  bons  concelhos e nos  ajuda a concretizar os nossos sonhos, se nos esforçarmos e trabalharmos para que tal aconteça.
Ás vezes os adultos têm tanto que fazer, são tão desorganizados, que se esquecem de ouvir as suas fadinhas e depois só fazem disparates e coisas feias, como o Capitão Gancho.
As crianças são mais atentas, criativas e carinhosas, tendo mais  tempo para sonhar  e ouvir as suas doces fadinhas.  Por isso é que, quando se as crianças juntam, é sempre  uma festa cheia de  brincadeiras, alegria e magia no ar!
Estão a pergunta-me  como se faz para ouvirmos e vermos as fadinhas, já que elas são assim tão pequeninas? Ora, é simples, meus amiguinhos! Para ouvi-las, basta ficarmos bem quietinhos e estarmos muito atentos, porque as fadas gostam muito de falar ao ouvido. Para as vermos, basta fechar os olhos e esperar que elas apareçam nos nossos sonhos. As fadas são lindas e costumam ser parecidas connosco ou com um animal ou pessoa de quem gostamos muito.
Sabem que a fadinhas ficam ainda mais bonitas quando nos portamos bem? É verdade, quando o menino é bondoso, trabalhador, solidário com os amigos e pessoas que precisam de ajuda, as fadas ficam tão contentes, que o seu brilho quase parece o do sol! Mas quando o menino é mauzão, preguiçoso e egoísta, a tristeza das fadas é tão grande, que elas apagam-se e desaparecem sem deixar rasto.
Já imaginaram o que seria o mundo sem fadas? Seria um mundo feio, cinzento e cheio de meninos triste por não terem histórias que os fizessem sonhar.
Por isso, já sabem: portem-se bem, acreditem sempre nas vossas capacidades; nunca desistam dos vossos sonhos; não julguem ninguém pela aparência e nunca tenham vergonha de oferecer ajuda.
Cuidem bem das vossas fadinhas e… SORRIAM  SEMPRE!
E, sempre que precisarem de mim, é só chamarem-me!
Um grande beijinho para todos
Rita Cuca

terça-feira, 26 de maio de 2009

Menina Marioneta

Sou uma simples marioneta, feita de trapos e pau, toda ligada por fios.
De olhos brilhantes e sorriso permanente, lá danço eu neste palco misterioso, fazendo rir ou chorar um público imprevisível.
Sempre presa por fios, mexo-me conforme a mão gigante me manipula.
Bem gostaria de me soltar e ser uma menina livre como todas as outras, mas se o fizesse, cairia inerte no chão.
Bem gostaria de cortar estes fios que me prendem, mas não posso, porque, sem eles, perderia toda a liberdade que ainda tenho. Assim, seria apenas uma velha marioneta desengonçada, à espera que a Fada dos Desejos me viesse dar vida própria. Ficaria então esquecida, à espera da fada, que poderia vir tarde, ou até poderia não vir...
Não, não quero cortar estes fios, porque com eles, pelo menos, posso continuar a viver e a ser a simpática Menina Marioneta!

sábado, 25 de abril de 2009

Acreditar em fadas

Acreditar em fadas, duendes, anjos ou outros seres mágicos, não é sinónimo de infantilidade ou de loucura. Pelo contrário, é uma forma inteligente de enfrentar os problemas e de tornar a vida menos obscura. Quem acredita em seres mágicos, não deixa morrer a criança que há dentro de si e não perde a capacidade de sonhar. Assim consegue ser uma pessoa criativa, mas que ao mesmo tempo tem perfeita noção da realidade. E isso é extremamente importante, sobretudo para quem trabalha nas artes.
Atenção que quando falo em acreditar em fadas, não significa ficar-se esparramado ao sol à espera que uma bela menina com asas nos resolva os problemas. As fadas só são uma ajuda interior para não nos sentirmos tão sós nesta vida tão complexa. Por isso, é preciso lutar diariamente para conseguirmos alcançar os nossos objectivos.