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quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Grande Sherlock Holmes e o extraordinário Dom Chico da Silva



Faz hoje onze dias que me despedi do meu coraçãozinho dourado, Sherlock Holmes. 
O Sherlock Holmes era um galo lindo, com a maior e mais vermelha crista de todos os galos. Tinha o dom de falar connosco, era um galo amoroso que andava sempre atrás de mim como um guardião, tal como se refugiava em mim quando se sentia assustado. 

Sherlock e Feijoca
Sherlock e Feijoca 
Em março, perdeu o andar devido a um vírus, algo que  poderia ter sido evitado, se tivesse sido medicado logo no início da doença. Tentamos um veterinário, mas salvo raras exceções, não  tratam galinha, por "não ser rentável". "Faça uma canjinha ou cabidela com ele", foram as respostas e comentários que fui ouvindo.  Sem termos muitas alternativas, eu e a minha mãe não desistimos do Sherlock, nem da Feijoca (muito mimalhinha)  que também se encontra na mesma situação há cinco meses, mas continua pronta para as curvas e até põe ovos. Tanto um como o outro, eram todos os dias levados ao colo, pela minha mãe, do capoeiro, para o pomar, de modo a apanharem sol e a terem uma vida normal, mesmo com as suas limitações. A verdade é que foram recuperando e conquistando a sua forma de se movimentarem. O Sherlock voava de um lado a outro do pomar, num ápice, e até saltava em cima das galinhas! Passaram-se três meses e ele  ia, devagarinho, fazendo os seus progressos e vivia feliz tal como era. Era um Romeu apaixonado e a Feijoca foi uma das suas grandes paixões, de tal modo que  não se deixava levar para o capoeiro sem ela ir primeiro, estava sempre preocupado com ela. A Feijoca e a Cappuccinno foram as galinhas do seu coração. 

Último domingo do Sherlock, junto de todos os
 amigos que o viram crescer e não desistiram dele 
Infelizmente, sábado, reparei que o Sherlock estava muito fraco, mal aguentava os olhos abertos, mas ainda reagia, levantava a cabeça e tentava levantar-se. Passei a tarde com ele, a cantar-lhe baixinho e avisei a minha mãe. No entanto, ela não notou nada de especial, até porque de manhã, o Sherlock cantou bem alto. O que ela não imaginava era que aquele seria o seu último canto, pois no domingo (31/5/2026), apesar de ainda ter batido as asas, quando o pegou para o pôr no pomar, o Sherlock já mal segurava a cabeça. Ainda demos medicação para gogo, mas Sherlock, apesar de se agarrar à vida até ao último segundo, ficou cada vez mais fraco. O coração já não aguentaria mais do que aquele domingo rodeado por todos o que os viram crescer e não desistiram dele. Partiu tranquilo, durante a noite, na sua suite particular, sempre com mesa posta e com os companheiros nas gaiolas ao lado. Nos dias seguintes, a maltinha de penas, andou triste e adoentada, olhando para a suite vazia do velho amigo. 

Sim, o capoeiro funciona como uma família , quando um elemento desaparece, ficam todos abalados e o luto vai até duas semanas ou, nalguns casos quatro meses. 

O desaparecimento do Sherlock e do pato mudo Cuca que fugiu a 28/5/2026, abalou de tal forma o capoeiro que o Chico, um galo negro e azul, lindo, desenvolveu um prolapso.  Mais uma vez por falta de assistência veterinária, o Chico, esvaiu-se em sangue, sofrendo durante quatro dias até falecer a 10/6/2026. Na véspera, com a sua calma e mesmo cheio de dores, o Chico deu a volta à quinta, despedindo-se dos locais por costumava andar e depois recolheu-se no capoeiro. Passei todo tempo que pude com ele, falando e cantando-lhe baixinho, fazendo-lhe festas, como ele tanto gostava. Na manhã seguinte, mesmo já estendido no chão, o Chico esperou por mim antes de partir. Não podendo fazer mais nada pelo meio rico amiguinho , porque nem indicações me deram para atenuar o seu sofrimento ou dar-lhe uma morte indolor, engoli a frustração, o desespero e falei-lhe com toda a ternura.  
- O Chico lindo, é meu Chiquinho grande! 
Estremeceu, levanto a cabeça para olhar para mim uma última vez e deu o seu último suspiro, adormecendo no seu eterno sono. 
O Chico era um galo extraordinário, que desde o primeiro dia andavam sempre atrás de mim a pedir festas, bica-me com meiguice para chamar a atenção, falava connosco, protegia os mais pequeninos, ponha ordem no capoeiro, sendo um verdadeiro líder do capoeiro. Quando veio para cá ainda muito novinho, o Chico ficou logo conhecido por toda gente pela sua beleza e sociabilidade. O Chico era um galo extraordinário, que não merecia morrer tão jovem (nem um ano completou) e muito menos de forma sofrida como morreu, por causa da indiferença de uma sociedade materialista, egoísta,  discriminatória e acima de tudo, CRUEL. 
Tanto o Chiquito como o Sherlock, nem um ano completaram, poderiam ter sido salvos, com uma simples medicação e tratamento. 
Agora só resta um dos três companheiros maiores, o doce Carioca, que a passa o tempo a chamar pelos outros desaparecidos, sem perceber porque não lhe respondem. Deste modo, procura algum consolo sentando-se ao pé de mim. 


Os eternos Sherlock e Chico são o exemplo de amor e resiliência, a prova de é possível viver feliz mesmo com as limitações e de que o amor de animal nos alimenta muito mais do que qualquer iguaria gastronómica.

Sherlock e Chico são o exemplo de como o mundo será bem melhor com a empatia e respeito por todos os seres vivos, em vez de os olharmos como seres desprovidos de inteligência e sentimentos. As galinhas e galos galo são animais com muita sensibilidade, inteligentes e sociáveis, tem a capacidade de fazer sorrir espontaneamente quem cuida e se aproxima deles com o coração aberto. Fazem por nós aquilo que muitos humanos não são capazes . 

Bem-hajam jovens galos Sherlock e Chico, descansem em paz no jardim das suculentas, junto ao pomar, onde viveram quase um ano, de muitas aventuras,  alegria, amor e aprendizagem. "Cococó-cococó"! (Olá! Estás aí?)  "Cocororóoooo" (Quero mimo!) 



Sherlock 


Eu com o três Mosqueteiros - Chico, Carioca e Sherlock
26/2/2026 


segunda-feira, 10 de junho de 2024

sábado, 28 de janeiro de 2023

O “velhinho simpático” do jardim do Passeio Alegre

 

Quando era pequena, costuma ir muitas vezes, com os meus avós paternos, passear ao jardim do Passeio Alegre, na Foz do Douro.

Era um jardim tranquilo, com vistas para o mar e cheio de referências históricas e, tudo o que tenha histórias ainda hoje me deixa fascinada.

Contudo, o que eu mais gostava de andar lá a correr entre as árvores e canteiros.

O meu avô segurava-me por debaixo dos braços e lá andava eu a conquistar o jardim, como quem conquista o mundo.

A minha avó vinha atrás com a cadeira de rodas, para quando me cansasse. Ou então sentava num banco e metia conversa com alguém, caso a minha bisavó não fosse também connosco.

Uma vez meteu conversa com um velhinho que costumava lá estar muitas vezes, sentado num daqueles bancos de jardim, de olhar perdido no imenso mar de pensamentos.

- Ritinha, estás a ver este senhor? É um grande poeta, chama-Eugénio de Andrade. – apresentou-mo.

Eu cumprimentei-o, apenas como um velhinho simpático.

Apesar de sempre ter gostado de livros, de histórias e, de desde bem pequena dizer que queria ser escritora para escrever um livro e não fazer mais nada na vida, naquele momento, confesso que estava mais interessada em correr pelo jardim e deixar-me levar pela imaginação.

Não senti aquela emoção de estar com perante um dos maiores poetas portugueses, pois afinal, eu era apenas uma miúda.

O que mais me impressionou foi vê-lo tantas vezes sozinho.

Apetecia-me chamá-lo para vir brincar comigo, tal como fazia com a minha bisavó, grande companheira de aventuras.

No entanto, a minha avó dizia-me que os poetas gostavam de estar sozinhos com os seus pensamentos, para se inspirarem, o que não não me convencia lá muito. 

Hoje compreendo-o bem, pois também sinto esta necessidade, embora não me considere poeta, mas gosto simplesmente de estar com os meus pensamentos, que muitas vezes resultam em história desenhos, pinturas ou no que me der na telha. Se o que faço serve para alguma coisa o não, é supérfluo,  porque o que me importa é o prazer de o fazer. 

O certo é que, mais tarde, já adulta, conheci outras personalidades, nomeadamente artistas, tinha consciência da sua obra ou dos seus importantes feitos, mas quando estava perto delas, o sentimento foi o mesmo de quando conheci o Eugénio de Andrade, “o velhinho simpático”. 

Perto delas, via apenas o ser humano, com todas as suas virtudes e fragilidades, bem diferente da imagem de estrelas intocáveis que os media passavam. Agora já não há tanto esta impressão, mas há uns anos atrás, quem aparecia na televisão era quase um gigante, uma superstar, enfim era algo magnífico. 

Percebi então, a efemeridade da vida e a fragilidade do ser humano.

Seja quem for, faça o que fizer, conquiste o que conquistar, todos começam e acabam da mesma forma.

Apesar de ter sido (ou melhor, de SER) um grande poeta, naquela altura, eu vi no Eugénio de Andrade, apenas um velhinho que precisava de amor e carinho, que talvez sentisse a solidão da velhice como muitos outros.

Sim, podemos ser uma grande personalidade nalguma área, andar sempre rodeados de gente e sentirmo-nos sós.

Na verdade, preciso crescer para descobrir o prazer da nossa própria companhia e provavelmente o Eugénio de Andrade já o tinha descoberto há muito. Hoje percebo que talvez não estivesse assim tão só. Aliás, depois vim a saber que, na realidade, nunca esteve sozinho, pois tinha os amigos e a sua Ana Maria, amiga/filha do coração, que o acompanhou em todos os momentos. 

A essência humana é aquilo que me toca mais, apesar de admirar uma boa obra.  Uma coisa é o artista, outra coisa é a pessoa em si, embora um influencie o outro, são duas identidades distintas. 

Para mim, Eugénio de Andrade era assim, tinha todo o prestígio do mundo, mas sempre se refugiou deste, procurando viver a vida simples e ser simplesmente um ser humano como qualquer outro.  Fez questão de manter a sua vida como Sr. José, usufruindo, enquanto pôde, de tardes ou manhãs junto do mar e das palmeiras do jardim do Passeio Alegre, que tanto adorava, pois, afinal, não há nada melhor do que a companhia da natureza.

Penso que, tal como eu, o que importava mesmo a Eugénio de Andrade era aquilo que somos enquanto simples seres vivos, tudo o resto são adornos.  O que importa é vivermos em paz, vivendo com simplicidade e com aquilo que nos faz feliz.

Para além do poeta extraordinário, continuo a ver o Eugénio de Andrade (ou melhor, o Sr. José, porque o poeta só conheci mais tarde, através da sua obra) como o “velhinho simpático” do jardim do Passeio Alegre. Vejo-o como mais uma doce recordação dos bons momentos passados com os meus avós.

Não sei, mas acho que Eugénio de Andrade ficaria contente com esta terna imagem que guardo dele, porque parecia-me um senhor simples e só as grandes almas sabem ser simples.

E o mais engraçado é que, só agora, passado tantos anos, ao recordar o nosso breve encontro e ou conhecer a sua obra com outra maturidade, descobri que tínhamos várias coisas em comum, entre as quais a predileção pelas artes, pela literatura, pela escrita, pela natureza e pela mãe.  



terça-feira, 1 de novembro de 2022

Pintando árvores em tempo de pandemia

Enquanto a humanidade lutava escondida contra um vírus invisível

Lá fora, a Natureza florescia cheia de graça e alegria

Mostrando, com a sua ternura de mãe, que tudo é vencível

Mostrando que depois de qualquer tempestade de novo renascia

Dando-nos amor, dando-nos vida

Mas o Homem sem sentimento

Para ver a sua ganância servida

Não lhe faz qualquer agradecimento

Destrói florestas e mares, destrói a vida de tantos seres

Como se deles não precisasse

Como se fossem coisas sem vida, nem amores

Como se uma sábia árvore de um objeto se tratasse


Por isso pinto árvores, verdadeiras fontes de vida

Símbolo da beleza e da esperança

Torcendo para que o Homem troque

As pedras que lhe enchem o peito e a taça

Por sementes da quais renascerão florestas e bosques

É urgente preservar e plantar árvores

Porque com elas salvaremos com certeza

Com todas as suas formas e cores

A única e insubstituível Grande Mãe Natureza

 

Rita Micaelo Silva

Outubro, 2022



domingo, 28 de agosto de 2022

Um inesquecível mergulho nas maravilhas da Curia

Após um período particularmente controverso e doloroso, eu e a minha mãe decidimos fazer uma semana de termas, para recarregar energias.

Fomos então para o Hotel das Termas da Curia.

Nunca tínhamos feito termas e confesso que não estava lá muito entusiasmada, porque tinha uma ideia errada daquilo que são as termas. Pensava encontrar o género de uma clínica onde todos se queixam das suas maleitas, mas afinal é completamente diferente. Ou melhor, é tudo menos isso.

Entrada do Parque e Hotel das Termas da Curia
Mal lá cheguei, deparei-me com um parque encantado, dentro de uma espécie de muralha de castelo, onde se situam as instalações do hotel e das termas, num belíssimo edifício centenário, rodeado de florestas, belos jardins românticos, piscina, parque infantil, um magnífico lago entre outras maravilhas que logo me fizeram sentir em paz, sendo impossível conter o largo sorriso. 

Aliás aquilo que me convenceu a deixar o meu querido quintal por sete dias foi precisamente o magnífico parque cheio de árvores centenárias. O que eu não sabia era que o hotel ficava mesmo dentro do imenso parque.

Caminho verdejante com árvore antiga
A felicidade foi total quando me vi a passear naqueles jardins e florestas maravilhosas, onde não resisti em procurar fadinhas, duendes entre outros seres mágicos. Bem espreitei para dentro dos buracos das centenárias árvores, encontrei inclusivamente um hotel de fadas numa árvore muito velhinha e com forma de mulher, vi libelinhas gigantes, passarada e carpas enormes no lago, mas as fadas e duendes não quiseram aparecer pois, como sabem, são seres muito discretos. Quer dizer, eu não os vi nas suas formas originais, mas conheci uma série de pessoas que são autênticas fadas e duendes, pois fazem tudo para fazer os outros felizes.  

Logo no almoço bufete, bastante diversificado, saboroso e saudável, com excelentes pratos de chef (ainda mais sofisticados ao jantar, mas sempre equilibrados), conheci a imensa variedade de pessoas que frequentam aquele paraíso, desde bebés a idosos, a conviverem harmoniosamente, como se de uma grande família se tratasse.

Sim, não é habitual que haja tanto convívio nos hotéis, aliás eu até nem gosto de hotéis e nunca me senti tão em casa como no Hotel das Termas da Curia.

Lago com peixes e gaivotas e vegetação
Todos sem exceção, desde os donos do hotel, às empregadas da limpeza, aos senhores da manutenção, rececionistas, funcionários do restaurante, bem como muitos dos hóspedes, médicos, funcionários, terapeutas e utentes das termas, não sabiam o que mais haviam de fazer para nos agradar.

Há muito que me sentia tão mimada por desconhecidos, parecia até que era uma princesa, com quem quase todos quiseram meter conversa e trocar contatos. (Para todos um grato abraço)

Desta forma, os “desconhecidos” tornaram-se rapidamente bons amigos que fizeram com que a nossa estadia naquele paraíso, onde reina a doce paz da luxuriante natureza, fosse ainda mais mágica, inesquecível, inspiradora, enriquecedora e, sobretudo, rejuvenescedora.

Para além de relaxar, também aprendi muito, com as pessoas fantásticas que fui conhecendo, cada uma com as suas interessantes histórias.  A primeira inesquecível surpresa aconteceu logo que cheguei ao hotel, quando a querida D.ª Judite, uma senhora de 97 anos, a quem o AVC não lhe levou a música da memória, nos presenteou com lindíssimos acordes de Beethoven e Chopin. A D.ª Judite foi, então, a primeira fadinha que conheci, com os seus lindos olhos azuis, naquele hotel paradisíaco.

Percurso florestal

No entanto, o paraíso entende-se para além da muralha, pois a população do pequeno lugar da Curia é igualmente hospitaleira e calorosa. Não são muitas as pessoas que se veem pelas ruas, bem cuidadas, com boas acessibilidades e sempre, sempre cheias de vegetação, mas o certo é que toda a gente se cumprimenta com um sorriso, mesmo que não se conheçam.

Confirmei então a minha teoria de que os bons ares da natureza fazem com todos vivam mais saudáveis, mais calmamente e, naquele lugar, não há pressas para nada, o tempo passa tranquilamente, ninguém sofre de stress e, talvez por isso, as pessoas sejam mais humanas e afáveis. Viver em sintonia com a natureza é a chave para viver melhor.

Já para não falar do poder das águas termais que, aliado aos vários tratamentos feitos por excelentes profissionais incansavelmente dedicados aos seus utentes, tão bem faz ao corpo e à alma.

Buvette
Os tratamentos nas termas fazem-nos sentir leves como se mergulhássemos em pó-de-fada. Também não será por acaso que passamos por uma gruta fantástica para aceder às instalações das termas! Todos os pormenores são encantadores e a magia da natureza paira por todo o lado. 

Pelo menos eu saí de lá muito mais leve, sem as contraturas que me punham as costas curvadas e doridas. Foram tratamentos intensos, que me deixaram toda partida, mas que agora revelam excelentes resultados. Para além das melhoras físicas, esta estadia fez também com que eu me sinta muito mais relaxada, tranquila, com outra energia para enfrentar os problemas (que anteriormente me pareciam megalómanos) e sobretudo com uma nova esperança na humanidade, graças às lindas “fadas” e “duendes” em figura de gente que lá conheci.

Tão boa foi a experiência na Curia, que a minha mãe até quer ir para lá viver e eu fiquei triste por me vir embora, coisa que nunca aconteceu em férias nenhumas. E o mais engraçado, é que os funcionários do hotel e das termas também se despediram de nós com uma lágrima ao canto do olho, de tão ligados estavam às Ritas.

Nas termas da Curia ganhamos não só saúde física e mental, mas também uma nova família de amigos que nos deram tudo o que há muito precisávamos. Foi como mergulhar num belo mundo encantado, cheio de paz e boa gente. É indubitavelmente uma estadia que recomendo, pelo menos uma vez por ano, para relaxar e repor energia, sozinho ou em família.

Piscina exterior do Hotel das Termas

Gostei de regressar a casa e ver que, no querido quintal, as plantas cresceram e floresceram, mas a vontade de voltar ao paraíso encantado do Hotel das Termas da Curia é mesmo muito grande.

Tanta é a vontade de volta de estar no paraíso, que regressei à Curia, para festejar o meu aniversário, onde fui novamente recebida com muitos mimos e ainda tive direito a bolo e champanhe, completando-se festa, com a ajuda do S. Pedro que nos deu um tempo maravilhoso para banhos de piscina, para além dos deliciosos tratamentos termais

Por isso, envio, aos amigos da Curia, um terno abraço e um até breve.

 

Rita Micaelo Silva

Agosto, 2022


Fotografias de Rita Maria C Micaelo Silva 

quarta-feira, 30 de março de 2016

A magia das Histórias do Sr.Ampulheta não pára de crescer!

 
Há poucos dias, a Dra. Lurdes Queirós contou-me da sua visita à Escola da Viscondessa, onde falou de mim e das Histórias do Sr. Ampulheta e o Velho Baú aos alunos. Depois da leitura de um dos contos, um dos pequenitos pergunta-lhe com um ar muito sério: "Acredita mesmo no que está a ler, o baú é mesmo mágico?!". A Dra.Lurdes respondeu-lhe "Claro que sim! Até podem passar lá na loja para verem como tudo é verdade".
Ontem, de manhã, a mamã Rita estava na loja quando a avó, mãe e filho admiravam a montra entusiasmados. "É aqui, é aqui!" dizia a mãe. "Não é nada..." dizia o menino hesitante. A mãe entra na loja incentivando o filhote a segui-la. Bastante curiosa, a mamã Rita atende-os, já a prever que algo mágico se iria passar. Conta então a mãe que o pequeno Gustavo não descansou enquanto a mãe não descobriu, na internet, a morada da loja Velho Baú. Fascinado com as histórias do Sr. Ampulheta, o Gustavo quis mesmo ver se toda aquela magia existia mesmo. Deste forma, o menino pôde ver a loja, o baú... viver de perto a magia e conhecer algumas das personagens do livro, como a mamã Rita, a tia Luca e a D. Manuela, que são mesmo reais! Contudo, o Gustavo ficou em voltar outra vez, porque quer conhecer mais personagens, como a Ritinha que estava na "escola" e, principalmente o Sr. Ampulheta, que àquela hora estava a descansar de mais uma das suas longas viagens.
Não há recompensa maior para um escritor do que ver a magia dos seus livros a multiplicar-se através dos seus leitores, principalmente quando se tratam de crianças, cujos olhares brilham de entusiasmo e felicidade a cada palavra.
Obrigado a todos o que me inspiram e ajudam a espalhar esta magia, só espero conseguir fazer chegar o livro a mais escolas/crianças para que estas possam viver a magia e sonhar, como o Gustavo.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Na E.B.2/3 de Lamaçães, as personagens saltaram dos livros e o Sr. Ampulheta também!

Dia 15 de Fevereiro de 2016, visitei a E.B. 2/3 de Lamaçães, em Braga, onde apresentei o meu novo livro à comunidade escolar e, fui surpreendida por um magnífico espectáculo feito pelos alunos do 6º ano. Para além da música das flautas bem afinadas, várias personagens, interpretadas pelos alunos, saltaram dos livros, desde a Bela Adormecida, a Carochinha, coelhos, raposas, entre várias outras e, no final, também lá apareceram os nossos queridos Sr. Ampulheta e Ritinha que, acompanhados de outros amigos, fecharam a festa em grande! Parabéns e muito obrigado a todos os que contribuíram para este momento inesquecível.
Foto de Fátima Micaelo

Apresentações do livro "As Histórias do Sr.Ampulheta e o Velho Baú", na Fnac Norteshopping a 20/02/2016 e na Fnac Marshopping a 06/03/2016

As apresentações na Fnac Norteshopping, com leitura de contos por Ana Sofia Pinto, e na Fnac Marshopping, com peça teatral interpretada por Rita Micaelo, Sofia Sottomayor Bastos e Carlos Sottomayor Bastos, foram fantásticas. Obrigado a todos os que contribuíram para estes momentos mágicos!

Apresentação do livro "As Histórias do Sr.Ampulheta e o Velho Baú", a 13/02/2016, em Vila do Conde

Mais um momento mágico, desta vez passado na Biblioteca Municipal José Régio, em Vila do Conde. Casa cheia e encantada, não só com as sentidas palavras da Dra. Elisa Ferraz (autarca de Vila do Conde) e intervenção de Luís Pires (Chiado Editora), mas também com a peça teatral encenada por Pedro Monteiro, interpretada por Rafael Monteiro, Leonor Madeira e Angelo Monteiro. Obrigado a todos o que contribuíram para a magia deste momento!

Lançamento do livro "As Histórias do Sr. Ampulheta e o Velho Baú", a 30/01/2016, em Matosinhos

E assim foi o lançamento do meu novo livro "As Histórias do Sr. Ampulheta e o Velho Baú", com uma fantástica de Luís Pires (Chiado Editora) e as mais belas palavras do meu querido amigo Dr. José Luis Peralta que tanto emocionaram o público. Um dia cheio de alegria, emoção e muitos mesmo muitos amigos que tornaram este momento mágico. Muito obrigado a todos e em especial ao Bacon and Eggs que mais uma vez tão bem nos recebeu!
Foto de Luisa Pinto Dos Reis

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Apresentação da obra "As Histórias do Sr. Amulheta e o Velho Baú" de Rita Micaelo Silva, em Vila do Conde

Para quem quiser assistir a mais um momento mágico, aqui fica o convite para a apresentação do livro "As Histórias do Sr. Ampulheta e o Velho Baú", dia 13 de Fevereiro, pelas 15h30, na Biblioteca José Régio, com peça de teatro interpretada por Rafael Monteiro, Pedro Monteiro e Leonor Madeira. Apresentação da obra a cargo de Dra. Elisa Ferraz. Conto convosco!

sábado, 9 de janeiro de 2016

Lançamento da obra "As Histórias do Sr. Amulheta e o Velho Baú" de Rita Micaelo Silva, em Matosinhos

Aqui está o convite para o lançamento do meu novo livro "As Histórias do Sr. Ampulheta e o Velho Baú"! Conto com a vossa presença e ajuda na divulgação do livro para que mais crianças possam sonhar e sorrir com "As Histórias do Sr. Ampulheta e o Velho Baú"! Obrigado e... encontramo-nos lá?!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

As Pombas e a "crise"


Tristeza e revolta é o que eu hoje sinto depois de ver, logo pela manhã, um quadro de miséria que  nunca imaginei ver no meu país em pleno século XXI. No jardim estava  um jovem cidadão a  apanhar do chão os grãos de milho que tinham deitado às pombas... Milho que  provavelmente lhe vai enganar a fome por uma ou duas refeições. As pombas foram  solidárias e  afastaram-se, deixando-o apanhar o milho em paz, ao contrario desses "srs. governantes" (com letra bem minúscula) que, de barriga bem cheia, dizem "o país está a melhorar". Mas  este  foi apenas mais um dos muitos quadros vivos de miséria  e fome com  os quais me deparo diariamente.

sábado, 13 de dezembro de 2014

A magia de um castelo de cartão

“Mesmo com pouco tentamos fazer o possível pela felicidade dos nossos meninos especiais, não temos um castelo mas podemos construí-lo com cartão e muito amor”, dizia a Directora da E.B. 2,3 Prof. Gonçalo Sampaio quando falava dos desafios e dificuldades que enfrentam diariamente para conseguirem dar aos seus alunos com necessidades especiais o que merecem. Dificuldades acrescidas pelos constantes e cegos cortes que o Governo insiste em fazer, virando as costas a quem mais precisa.
Felizmente, ainda existem Seres Humanos que amam o próximo independentemente da sua condição física ou psíquica, entregando-se de corpo e alma para lhe dar o mínimo de dignidade e de felicidade a que todos têm direito.
Um intenso, muito intenso calor humano foi o que encontrei no gélido dia 5 de Dezembro, quando cheguei E.B. 2,3 Prof. Gonçalo Sampaio, em Póvoa de Lanhoso. Fui a convite da escola, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, com o intuito de realizar uma sensibilização para os alunos sobre a questão da deficiência e a importância das diferentes formas de comunicação na sociedade.
No entanto, fui surpreendida com as inesquecíveis surpresas que os alunos, professores e auxiliares preparam para mim.
Numa salinha já pequenina para tantos meninos especiais, fizeram maravilhosos trabalhos manuais, ensaiaram músicas, uma peça de teatro, para além de todas as outras habituais tarefas diárias.
A festa começou ao som dos velhos mas afinados bombos, cujo sorriso dos “músicos especiais” contagiou todos os presentes. Não foi fácil para eles coordenar todos aqueles movimentos, no tempo e ritmo certo, para que a música soasse afinada dos tambores quase furados de tantas horas de ensaio, empenho, dedicação e muita vontade de vencer o desafio, surpreendendo a plateia.  Assim sendo, estes pequenos grandes artistas merecem ter tambores ou outros instrumentos novos para poderem continuar a fazer música e a serem felizes, sendo por isso importante toda a ajuda possível.
À música seguiu-se o teatro de marionetas com uma peça fantástica, resultante da adaptação do meu livro “Rui e a música mágica” feita e interpretada pelos alunos NEE’s (Necessidades Educativas Especiais). Nada pode ser mais emocionante, gratificante e motivante para um autor do que ver que o seu livro ajuda as crianças a sonharem, desenvolverem a sua criatividade e a crescerem felizes numa sociedade ainda muito preconceituosa, egoísta e competitiva, onde as oportunidades não são iguais para todos, sobretudo quando se tratam de pessoas com deficiência.
Como se não bastasse, os meninos surpreenderam-me ainda com a mais encantadora reprodução do meu livro “Rui e a música mágica” em tamanho A3 feita por eles, para além de todas as palavras e lembranças inesquecíveis que com tanto carinho me ofereceram.
Foi com muito orgulho que participei na inauguração da nova Sala de Educação Especial, juntamente com uma largada de balões brancos que levaram pelos céus mensagens de paz, esperança e de igualdade. Esta sala, que anteriormente era uma arrecadação, transformou-se num lindo espaço cheio de luz, criado pelos professores e auxiliares que todos os dias ensinam, alimentam e cuidam incansavelmente dos seus meninos especiais com um carinho, cujas palavras são insuficientes para o descrever. Bem-hajam!
 Agora estes meninos têm duas salas, onde poderão aprender, desenvolver capacidades, sonhar e crescer ainda mais felizes.
“Obrigado por teres vindo” – agradeciam-me eles.
Mas obrigado porquê, se eu não vos dei nada, comparando com os inigualáveis tesouros que vocês me deram?! É esta a sensação que eu tenho de cada vez que vou às escolas e são estes momentos que me fazem seguir em frente sem nunca desistir. Por isso, eu é que agradeço do fundo do coração, aos professores, alunos e auxiliares da E.B. 2,3 Prof. Gonçalo Sampaio, a homenagem e o carinho que me deram. Jamais esquecerei este momento mágico que convosco passei. 
Eu também já fui uma criança especial e hoje sou uma jovem adulta com deficiência formada com mestrado em Som e Imagem, trabalho, escrevo, faço projectos, mas a sociedade insiste em virar-me a cara, sem me dar oportunidade de mostrar as minhas capacidades. 
No entanto, encontro na arte, nos livros, na fantasia dos contos e do cinema a esperança e a força para enfrentar as adversidades da vida real. Por isso, irei continuar a escrever e a lutar pelos meus sonhos/projectos, para que outras crianças também possam crescer felizes como eu. Para mim, todas as crianças do mundo são especiais e nada vale mais do que o seu sorriso.
A vida nem sempre é fácil, mas são os desafios que nos tornam mais fortes e que dão o toque mágico as nossas pequenas vitórias que resultam em grandes conquistas. Nunca desistam dos vossos sonhos!

Para todos um grande beijo e que o sorriso permaneça sempre nos vossos rostos!
Rita Cuca



domingo, 2 de novembro de 2014

HAPPY HALLOWEEN!

Halloween é um momento em que podemos dar largas à nossa criatividade e exprimir o nosso lado mais sombrio. Como adoro o espírito fantástico do Halloween, foi com imenso prazer que me deliciei a comer uma múmia que resolveu assombrar o meu lanche. Nunca imaginei que as múmias fossem tão deliciosas! Venham elas!

Mummy cupcake - Confeitaria Ferreira (Matosinhos)


sábado, 18 de outubro de 2014

20 de Setembro de 2014

O  dia  acordou cinzento  e a  nuvens ameaçavam chuva a qualquer instante.
Como sempre o  citadino  vê a chuva  como um  contratempo  que  pode servir para cancelar ou  estragar uma  festa ao ar  livre. Foi exactamente  isso  que  eu  pensei, quando acordei para ir a uma reunião familiar,  na quinta da Costeira, na Aveleda.
Curiosamente, este também era  o dia de aniversário do meu pai. Por isso, ir  à Costeira foi uma  forma  de o recordar e de  lhe prestar homenagem, onde ele brincou  e  conviveu com a família do seu avô paterno.
Eu não  cheguei a conhecer o meu bisavô  Joaquim e só fiz uma visita à Costeira uma única vez,  quando tinha apenas três ou  quatros anos  de  idade,  da qual  não me recordo.  No entanto, cresci sempre com  a  Costeira no meu imaginário, por causa  das histórias que a minha  avó Teresa e bisavó Matilde me contavam.
Deste modo, ir à Costeira foi  com uma viagem  no  tempo, onde as  histórias das minhas avós se tornaram realidade e  onde pude recordar memórias que vivi  apenas pelo que  me contavam. Foi uma sensação deliciosamente estranha, pois mesmo sem conhecer as maioria das pessoas, senti-me completamente em casa  e  em família.
No inicio, a tendência foi descobrir “quem é quem” e construir  à pressa uma confusa árvore  genealógica, mas  são tantas gerações que optamos por ser todos  primos  e  primas  e usufruir  do  momento com alegria.
Deste modo, o  piquenique debaixo  da  velha ramada,  para qual  cada um contribuiu com  uma iguaria,  juntou risos, conversas e histórias que pareciam não  ter  fim. Que delicioso o arroz  de forno da  nossa querida anfitriã  Bel!  Huuuum, e  o vinho  da aldeia?! Já para não falar  nos grelhados do primo  Mário, na  frescura dos saborosos  tomates do  quintal,  do doces e do Pão Podre, que segundo o  tio Quim, escandalizou o  meu  pai, quando era miúdo, por pensar  que lhe  estavam a oferecer pão estragado. Realmente, o nome não é lá muito  apetitoso, mas o doce é mesmo saboroso!
De barriguinha cheia,  enquanto as crianças brincam no  antigo baloiço, no qual dizem que caí ao  colo do meu avô, uns primos deixam-se embalar  pela  tranquilidade da quinta, outros passeiam  pelos recantos navegando pelas memórias, os mais curiosos andam simplesmente a bisbilhotar os encantos dos tempos  antigos, outros dedicam-se  a eternizar o momento em fotografias, outros brincam com  os velhos cães da quinta  e outros certificam que nada falta na mesa.
Mais primos continuaram a chegar, trocam abraços emocionados e relembram histórias de  tempos que já lá vão  e  de pessoas que já cá não estão.
Foram vários os momentos em que imaginei, no meu interior, as vozes da minha avó Teresa e  da  minha bisavó cheias de alegria por verem a  família toda  junta  na quinta centenária, onde passaram muitos dos seus melhores momentos da sua infância e juventude.
“Vês, Ritinha, quando era pequena adorava passar  por este caminho de  buxos” – diria a minha avó Teresa entusiasmada – “Sente o cheirinho, huuum, que maravilha!”
“Nos tempos mais frios, juntávamo-nos todos na Sala de Inverno, com  a salamandra acesa, a lanchar e a conversar até anoitecer” – contaria a bivó Matilde  - “Eram tardes em cheio”.
Tal  com eu, para além da longa conversa com as suas queridas primas Bel e Tecas (anfitriãs da casa), a avó  Teresa ia adorar fazer festas aos encantadores cães da quinta, principalmente á  “Fugy” que não se cansava de me  dar a patinha, pedindo mimos.
O salsicha do vizinho apareceu de repente cheio de energia, agitando  os restantes  companheiros que, na sua linguagem, lhe dizem para se ir embora. Cabisbaixo, lá foi ele pela estrada fora,  mas… não  demorou  muito a voltar!
À tardinha, eu e a minha mãe tivemos ainda o privilégio de dar um passeio pela  quinta na companhia das primas mais novas – Isabel, Leonor e a linda princesinha pequenina Ariana – e a  sua tia Albertina. A doce Ariana fez questão de me oferecer  duas pedrinha do chão da quinta, que  guardei  com todo o carinho como recordação destas crianças fantásticas, que vivem felizes e saudáveis no meio da natureza.
Por instantes, a chuva resolveu juntar-se  à festa, dando-lhe  apenas um toque de  frescura, que  soube mesmo bem, mas logo veio o sol quentinho, cuja luz mágica de fim de tarde ilumina  a fotografia com todos os primos a posar para a posteridade.
Fica assim a memória de um dia que  prometia ser  cinzento  e acabou por se  inundar de emoções, recordações e descoberta de um mar  de primos, numa  reunião familiar, onde o passado  e o  presente  se encontraram  harmoniosamente, na tranquilidade de uma quinta cheia de histórias.
Fica também a saudade e a vontade de lá voltar.