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quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Grande Sherlock Holmes e o extraordinário Dom Chico da Silva



Faz hoje onze dias que me despedi do meu coraçãozinho dourado, Sherlock Holmes. 
O Sherlock Holmes era um galo lindo, com a maior e mais vermelha crista de todos os galos. Tinha o dom de falar connosco, era um galo amoroso que andava sempre atrás de mim como um guardião, tal como se refugiava em mim quando se sentia assustado. 

Sherlock e Feijoca
Sherlock e Feijoca 
Em março, perdeu o andar devido a um vírus, algo que  poderia ter sido evitado, se tivesse sido medicado logo no início da doença. Tentamos um veterinário, mas salvo raras exceções, não  tratam galinha, por "não ser rentável". "Faça uma canjinha ou cabidela com ele", foram as respostas e comentários que fui ouvindo.  Sem termos muitas alternativas, eu e a minha mãe não desistimos do Sherlock, nem da Feijoca (muito mimalhinha)  que também se encontra na mesma situação há cinco meses, mas continua pronta para as curvas e até põe ovos. Tanto um como o outro, eram todos os dias levados ao colo, pela minha mãe, do capoeiro, para o pomar, de modo a apanharem sol e a terem uma vida normal, mesmo com as suas limitações. A verdade é que foram recuperando e conquistando a sua forma de se movimentarem. O Sherlock voava de um lado a outro do pomar, num ápice, e até saltava em cima das galinhas! Passaram-se três meses e ele  ia, devagarinho, fazendo os seus progressos e vivia feliz tal como era. Era um Romeu apaixonado e a Feijoca foi uma das suas grandes paixões, de tal modo que  não se deixava levar para o capoeiro sem ela ir primeiro, estava sempre preocupado com ela. A Feijoca e a Cappuccinno foram as galinhas do seu coração. 

Último domingo do Sherlock, junto de todos os
 amigos que o viram crescer e não desistiram dele 
Infelizmente, sábado, reparei que o Sherlock estava muito fraco, mal aguentava os olhos abertos, mas ainda reagia, levantava a cabeça e tentava levantar-se. Passei a tarde com ele, a cantar-lhe baixinho e avisei a minha mãe. No entanto, ela não notou nada de especial, até porque de manhã, o Sherlock cantou bem alto. O que ela não imaginava era que aquele seria o seu último canto, pois no domingo (31/5/2026), apesar de ainda ter batido as asas, quando o pegou para o pôr no pomar, o Sherlock já mal segurava a cabeça. Ainda demos medicação para gogo, mas Sherlock, apesar de se agarrar à vida até ao último segundo, ficou cada vez mais fraco. O coração já não aguentaria mais do que aquele domingo rodeado por todos o que os viram crescer e não desistiram dele. Partiu tranquilo, durante a noite, na sua suite particular, sempre com mesa posta e com os companheiros nas gaiolas ao lado. Nos dias seguintes, a maltinha de penas, andou triste e adoentada, olhando para a suite vazia do velho amigo. 

Sim, o capoeiro funciona como uma família , quando um elemento desaparece, ficam todos abalados e o luto vai até duas semanas ou, nalguns casos quatro meses. 

O desaparecimento do Sherlock e do pato mudo Cuca que fugiu a 28/5/2026, abalou de tal forma o capoeiro que o Chico, um galo negro e azul, lindo, desenvolveu um prolapso.  Mais uma vez por falta de assistência veterinária, o Chico, esvaiu-se em sangue, sofrendo durante quatro dias até falecer a 10/6/2026. Na véspera, com a sua calma e mesmo cheio de dores, o Chico deu a volta à quinta, despedindo-se dos locais por costumava andar e depois recolheu-se no capoeiro. Passei todo tempo que pude com ele, falando e cantando-lhe baixinho, fazendo-lhe festas, como ele tanto gostava. Na manhã seguinte, mesmo já estendido no chão, o Chico esperou por mim antes de partir. Não podendo fazer mais nada pelo meio rico amiguinho , porque nem indicações me deram para atenuar o seu sofrimento ou dar-lhe uma morte indolor, engoli a frustração, o desespero e falei-lhe com toda a ternura.  
- O Chico lindo, é meu Chiquinho grande! 
Estremeceu, levanto a cabeça para olhar para mim uma última vez e deu o seu último suspiro, adormecendo no seu eterno sono. 
O Chico era um galo extraordinário, que desde o primeiro dia andavam sempre atrás de mim a pedir festas, bica-me com meiguice para chamar a atenção, falava connosco, protegia os mais pequeninos, ponha ordem no capoeiro, sendo um verdadeiro líder do capoeiro. Quando veio para cá ainda muito novinho, o Chico ficou logo conhecido por toda gente pela sua beleza e sociabilidade. O Chico era um galo extraordinário, que não merecia morrer tão jovem (nem um ano completou) e muito menos de forma sofrida como morreu, por causa da indiferença de uma sociedade materialista, egoísta,  discriminatória e acima de tudo, CRUEL. 
Tanto o Chiquito como o Sherlock, nem um ano completaram, poderiam ter sido salvos, com uma simples medicação e tratamento. 
Agora só resta um dos três companheiros maiores, o doce Carioca, que a passa o tempo a chamar pelos outros desaparecidos, sem perceber porque não lhe respondem. Deste modo, procura algum consolo sentando-se ao pé de mim. 


Os eternos Sherlock e Chico são o exemplo de amor e resiliência, a prova de é possível viver feliz mesmo com as limitações e de que o amor de animal nos alimenta muito mais do que qualquer iguaria gastronómica.

Sherlock e Chico são o exemplo de como o mundo será bem melhor com a empatia e respeito por todos os seres vivos, em vez de os olharmos como seres desprovidos de inteligência e sentimentos. As galinhas e galos galo são animais com muita sensibilidade, inteligentes e sociáveis, tem a capacidade de fazer sorrir espontaneamente quem cuida e se aproxima deles com o coração aberto. Fazem por nós aquilo que muitos humanos não são capazes . 

Bem-hajam jovens galos Sherlock e Chico, descansem em paz no jardim das suculentas, junto ao pomar, onde viveram quase um ano, de muitas aventuras,  alegria, amor e aprendizagem. "Cococó-cococó"! (Olá! Estás aí?)  "Cocororóoooo" (Quero mimo!) 



Sherlock 


Eu com o três Mosqueteiros - Chico, Carioca e Sherlock
26/2/2026 


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Descobri o Natal no meu quintal

Partilho convosco o meu último conto publicado, desejando-vos festas felizes, com saúde, paz, amor e respeito por todos os seres da Natureza, porque pertencemos todos à mesma e imensa família. 

O conto “Descobri o Natal no meu quintal” foi selecionado e integra a coletânea “Contos de Natal” – Natal em Palavras”, na página 442 do tomo II do volume 3, editada pela Chiado Books, em novembro de 2024.

E porque o Natal deve acontecer todos os dias e para todos, este conto é uma homenagem ao meu quintal, mas também aos meus antepassados, familiares e amigos que contribuem para que a magia natalícia aconteça diariamente, neste meu pequeno paraíso verde.


Descobri o Natal no meu quintal

 

Era mais uma manhã de Natal... 

Mais um Natal numa sociedade cada vez mais egoísta, consumista, destruidora... 

Um Natal embrulhado em hipocrisia, cada vez mais desprovido de sentimentos... Como se um dia de ilusão bastasse para aliviar o sofrimento do mundo. 

Um Natal cuja magia ficara perdida na inocência da infância, dando lugar ao vazio, à saudade da gente e dos tempos já idos. 

No entanto, nessa manhã invernal, o vento serenou, a chuva parou de bater nas vidraças e o sol iluminou o meu pequeno quintal! 

Aquele quintal, que para mim era imenso, onde todos os dias, a magia acontecia!

Os dias nasciam felizes, naquele quintal, onde eu dançava, com os insetos, a doce melodia dos pássaros e, por fim, deixava-me embalar nos ramos das árvores, enquanto escutava as histórias das pedras.  

Naquele quintal, eu voltava a ser criança! 

Ali, brincava entre as minhas amigas árvores, cada uma com o seu nome: os araçazeiros Gigantes, o Sr. Loureiro, a Princesa Cerejeira, a ameixoeira Frufru, a D.ª Ginjeira, o menino Azevinho, o limoeiro Pirolito e o pessegueiro Grandalhão, para além das outras encantadoras plantas, como roseiras, jarros, sardinheiras, brincos-de-princesa, margaridas, dentes-de-leão e tantas, tantas outras belas.  

Plantas que eu e a minha mãe cuidávamos zelosamente e víamos seguir o seu ciclo de vida, dia após dia, estação após estação. Muitas das plantas eram do quintal dos meus avós, outras foram oferecidas por amigos e familiares, enquanto outras simplesmente nasceram espontaneamente.

Naquele quadradinho de Natureza, cruzavam-se os tempos e, através das recordações, os queridos ausentes voltavam a estar presentes. 

As belezas do meu quintal passaram, então, a fazer parte da minha família, que crescia sempre que uma nova criatura aparecia. 

O quintal era o meu refúgio, onde encontrava a tranquilidade e inspiração para superar os desafios da vida, sobretudo nos momentos mais difíceis. Sim, a Natureza não fala por palavras, fala por gestos e tem tanto para dizer, só é preciso saber ouvi-la com o coração. 

E esse era o presente de Natal que tinha para oferecer a quem quisesse receber: a partilha do meu adorado quintal, repleto de magia. 

Ali, eu envolvia-me no terno abraço da Grande Mãe Natureza, descobrindo, com a sua inquestionável sabedoria, a verdadeira essência da vida, tão simples e, por isso, tão complexa. 

E, assim, no meu quintal, descobri o verdadeiro Natal!  

Porque o verdadeiro Natal é isso mesmo.  É acordar todos os dias, sorrindo, com coração aberto para respeitar todos os seres da Natureza, como uma imensa família, semeando paz e amor. 

 

Rita Micaelo Silva 

1/12/2024




Retratos das minhas árvores 

24/112024

 

Partilho convosco um excerto do meu conto “Os três irmãos duendes”, que escrevi em 2023, onde falo do meu quintal, juntando os retratos das minhas árvores, também feitos por mim, a aguarela digital.  

 

“- Uau, que jardim mais lindo! – encantou-se a Rosa Vaidosa.

- Até parece o nosso bosque encantado! -  disse o Nariz-Gelado.

Ao ver o pequeno quintal da Ritinha, entre muros e feios prédios, de repente, o duende percebeu que, afinal, havia sítios em que a natureza precisava de ser cuidada e protegida, sobretudo na cidade, onde praticamente não há árvores. O duende sentiu que a Natureza estava em risco, pois para construírem tantos edifícios destruíam vastas áreas verdes. Aí, começou a sentir que talvez pudesse fazer alguma coisa para alertar os humanos, pois se não os travasse, qualquer dia até o seu bosque desapareceria!

O seu coração ficou triste e aflito, perdendo todo o entusiasmo pelas “experiências mágicas” (ou melhor, pelas invenções tecnológicas) dos humanos, que punham em risco a Mãe Natureza.

- É maravilhoso, não é? – aproximou-se a Ritinha – É pequenino, mas, para mim, é o maior e o mais belo quintal do mundo!

- Que árvores tão amorosas e que flores tão delicadas! – disse a Rosa Gulosa.

- As minhas queridas amigas árvores são fantásticas e cada uma tem o seu nome. Venham conhecê-las! – convidou a menina, levando, cheia de entusiasmo, os duendes até ao quintal.

Satisfeitos por pisaram a fofa relva verde, os duendes seguiram a sua nova amiguinha, numa apaixonante visita guiada.

- Esta é a ameixoeira Frufru, que dá as melhores ameixas do planeta! - apresentou a Ritinha, cheia de ternura - Chamei-lhe Frufru por me fazer lembrar a forma das saias volumosas das damas antigas, que deveriam fazer frufrufru, quando elas andavam dum lado para o outro. Ali, junto ao muro, estão os araçazeiros, que dão um fruto delicioso, chamado araçá. Na verdade, era só um arbusto que era maior do que todas as restantes árvores, por isso chamei-lhe Gigante. Agora são vários Gigantes cheios de bolinhas amarelas, que parecem guizinhos de Natal. Este aqui é o limoeiro Pirolito que, no início, tinha preguiça de crescer e dar limões, mas agora, já está bem crescido e sempre carregadinho. Ali, a maior árvore do quintal, é o pessegueiro Grandalhão, que dá os melhores pêssegos do mundo! E por fim a D. ª Ginjeira, que nunca se esquece de dar frutos, ao contrário da Princesa Cerejeira que está tão preocupada com a beleza e elegância, que até se esquece de dar as suas deliciosas cerejas amarelas!

- Adoro as tuas flores, são todas tão lindas! - admirou a Rosa Vaidosa - Olha só para aqueles brincos-de-princesa, até me apetecia pendurá-los nas orelhas.

- Vieram do jardim da minha avó, assim como as rosas, as sardinheiras, as hortênsias, os jarros brancos, entre muitas outras plantas que adoro. Algumas das plantas também foram oferecidas por vizinhos e amigos queridos.

- Olha ali, um pimenteiro e morangueiros! - entusiasmou-se a Rosa Gulosa – Sou perdidamente apaixonada por morangos!

- Também tenho amoras, que os passarinhos tanto gostam. – disse a Ritinha -   Ai, ai... Este é mesmo o meu quintal encantado onde passo momentos mágicos e aprendo coisas fantásticas sobre a Natureza. Sempre que cá venho faço amigos novos, desde passarinhos, borboletas, libelinhas, joaninhas, bichinhos-da-conta, caracóis comilões, gatos vadios atrevidos, entre outros animais extraordinários. A minha família cresce de cada vez que faço um amigo novo e o meu coração fica ainda mais feliz!

- É tão bonito ver o teu amor pelos animais e plantas - disse o Nariz-Gelado - Apesar de pouco conhecer os humanos, já percebi que eles pouco olham para a Natureza. Nós, os duendes, não conseguimos viver sem a Natureza. Ela é nossa mãe e, por isso amamos e respeitamos todos os seus seres-vivos, sejam animais ou plantas, cada qual com o seu coração, e, como disseste, fazem todos parte da nossa grande família.

- Exatamente, eu também penso assim.  Infelizmente muitas pessoas só sabem destruir a Natureza em troca de dinheiro e luxos. Talvez por isso goste tanto de duendes, fadas, e outras criaturas mágicas que habitam na Natureza.

- Querida Ritinha, és uma humana com um lindo coração verde de duende, que ama a Mãe Natureza.  – disse a Rosa Vaidosa.”

in "Os três irmãos duendes", Rita Micaelo Silva, 2023






O passarinho do meu quintal 


 Um poema em homenagem a uma pardalita com quem fiz amizade no verão de 2023.





 


Curta-metragem de animação "Forevergreen"

"Forevergreen" é uma curta-metragem de animação de 2025, escrita e realizada por Nathan Engelhardt e Jeremy Spears. Trata-se de um filme merecidamente premiado.

Foi um dos melhores filmes de animação que vi nos últimos tempos. Fez-nos pensar sobre aquilo que é realmente importante na vida e a forma egoísta, cruel, destrutiva como tratamos os que nos rodeiam, sobretudo a natureza, atraídos pelo "lixo" que acaba por nos colocar em risco.  

Para além disso, é um filme, no qual me revejo, porque tal como o pequeno urso também foi de certo modo "salva" pelas árvores do meu pequeno quintal. Nos momentos mais difíceis da minha vida foi entre aquelas sete árvores, plantas e animais que habitavam aquele quintal, que encontrei o consolo, a sabedoria e a inspiração para superar os desafios e seguir em frente. Infelizmente, a vida não correu como queria e, mesmo contra a minha vontade, tive de mudar de casa, deixando para trás o meu quintal e grande parte das suas plantas, apesar de ter tentado trazer o que pude, nomeadamente estacas das árvores. 

Após vários meses de ter deixado o meu quintal, vim a saber que o temporal do início de fevereiro de 2026, o destruiu, tendo deitado abaixo muros, a ameixoeira e o pessegueiro.  Ao contrário do que aqueles fantásticos ser-vivos fizeram por mim e pelo ambiente, dando o seu melhor, mesmo que as condições não fossem as mais favoráveis (no meio da cidade rodeadas de cimento e poluição), eu não estava com eles, nos seus piores momento. Não eram apenas objetos decorativos,eram seres-vivos dotados de capacidades que os humanos não têm, sobretudo a de garantir a sobrevivência do planeta. Eram como família para mim, tal como acontece com o urso desta curta-metragem fabulosa. 

Isso mostra exatamente o quanto somos ingratos e injustos com a natureza. 

O Forevergreen mostra essa realidade de forma incrivelmente bela e tocante. 

A curta está disponível online temporariamente, vale a pena aproveitar para ver, refletir e mudar a nossa forma egoísta de quer submeter a natureza à nossa vontade, destruindo-a cada mais e a uma velocidade estonteante.  



quarta-feira, 13 de novembro de 2024

E se o mar me levasse

 

 

E se o mar me levasse

Num barquinho à vela

Talvez o mundo atravessasse

E viria tanta vida bela

 

E se o mar me levasse

A galopar nas suas ondas

Talvez ao vento gritasse

Onde estás? Por onde andas?

 

E se o mar me levasse

Aos velhos tempos já idos

Eu talvez desvendasse

Alguns mistérios perdidos

 

E se o mar me levasse

Nos seus braços de espuma

Eu talvez me livrasse

De tão escura bruma

 

E se o mar me levasse

Ao meu doce coração

Eu talvez me inspirasse

Para uma nova canção

 

E se o mar me levasse

Ai, e se o mar me levasse...

 

Rita Micaelo Silva

Novembro de 2024

quarta-feira, 3 de maio de 2023

“O ideal seria que cada pessoa plantasse pelo menos duas árvores, para salvarmos a humanidade.” Sri Jadav Payeng

Apesar de ser reconhecida como a maior ilha fluvial do mundo, Majuli, situada no rio Brahmaputra, na Índia, tem vindo a diminuir devido à erosão.

Todos os anos, os habitantes da ilha enfrentam cheias que os obriga a mudar constantemente de casa.

Apesar dos permanentes esforços para travar a erosão, recorrendo a sacos de areia, prevê-se que dentro de quarenta anos a ilha irá ficar reduzida em 60%, tendo já neste momento, pouco mais de 400 quilómetros quadrados, quando inicialmente tinha 1150 quilómetros quadrados.

Um dos habitantes desta ilha, Sri Jadav Payeng, ativista conhecido por “o plantador de árvores” , dedicou toda a sua vida a plantar a floresta Molai no solo arenoso e diz continuar a fazê-lo, enquanto for capaz, porque considera ser sua obrigação ajudar na reflorestação do mundo.

Jadav Payeng afirma que as raízes das árvores seguram os sedimentos, ajudando a contrariar a erosão da ilha, sobretudo árvores de raízes fundas, como bambu-indiano ou coqueiros. Contudo, Jadav Payeng diz que o problema não é só daquela ilha, é um problema geral, sendo necessário a intervenção dos sete mil milhões de habitantes do planeta e, o ideal que cada pessoa plantasse pelo menos duas árvores, para que seja possível a sobrevivência da humanidade.

Na minha opinião, para além de cada humano plantar duas árvores, como diz Jadav Payeng, ainda mais importante é perseverar árvores, preservar sobretudo as escassas florestas ancestrais e tropicais.

Até porque as florestas plantadas são muito mais vulneráveis e suscetíveis a incêndios, porque a sua arquitetura estilo pombalino (com as árvores todas alinhadas como os soldados numa parada militar), faz com que o sol chegue facilmente ao chão, proporcionando o crescimento de vegetação inflamável e o aquecimento do solo, para além de outras razões, como a plantação de espécies facilmente inflamáveis e o desequilíbrio das cadeias alimentares, já para não falar nos fogos postos, etc.

As florestas ancestrais/tropicais são muito mais densas, sombrias e frescas, com uma organização e funcionamento tão perfeito, que muito raramente sofrem incêndios, sendo estes normalmente de pequenas dimensões.

São as florestas, seja em terra ou nos oceanos, que garantem o equilíbrio e a sobrevivência do planeta. 

A nossa intervenção só as tem prejudicado. 

A natureza já existia muito antes dos humanos, é perfeita e não foi feita para que fosse dominada/manipulada por eles, antes pelo contrário.

A política de plantar três árvores por cada uma abatida é ilusória e economicista, porque a quantidade de oxigénio que uma árvore idosa produz, assim como o dióxido de carbono que absorve, é muitíssimo superior à de três árvores jovens.  Ao abatermos árvores idosas, estamos a libertar astronómicas toneladas de CO2 para a atmosfera, contribuindo fortemente para o aquecimento global, para além de outros graves males.

Por isso, em vez de se destruírem, por minuto, áreas florestais equivalentes a dez campos de futebol, tal como acontece na Amazónia, é urgente pararmos e apostarmos na reflorestação, porque se continuarmos neste ritmo, não teremos condições de vida neste planeta, dentro de muito pouco tempo.

Plantar e preservar árvores é vital, caso contrário não iremos sobreviver.

As árvores devem, sem dúvida, estar no topo da lista das prioridades para salvarmos ao planeta, já em tão mau estado.

As árvores e todas as espécies de seres vivos, pois todos têm um papel importante no funcionamento global do planeta. 

Obrigado, Sri Javad Payeng e a todos os que dão o seu contributo para salvar o que ainda sobra da Terra. 


Rita Micaelo Silva 

Maio, 2023