terça-feira, 29 de setembro de 2026

Roberto e Branquinhas , os "inseparáveis e icónicos GNR da Quinta"

Branquinhas e Roberto 
8/8/2026
Já há algum tempo que os garnisés andavam muito mais calmos. No entanto, o Roberto começou a manifestar sinais preocupantes de doença, como diarreias, palidez e fraqueza, há oito dias. Demos-lhe antibiótico e vitaminas, que ele se esforçava para tomar, revelando ser um exemplo de doente exemplar que tudo faz para recuperar. Bastava dizer-lhe para beber o medicamento e comer, que ele fazia-o de imediato e muitas por iniciativa própria. 

O valente Roberto lutou até ao fim, com inteligência e garra, muita garra! No domingo de manhã ainda andou pela Avenida dos Galos, mas de tarde, passou a maior parte do tempo a dormir em pé, junto à figueira. Passámos todos a tarde com ele, eu e os Penudinhos que se deitaram todos à minha volta. O Carioca ainda lhe saltou em cima, mas levou logo comigo e com o Branquinhas que destemidamente defendeu o inseparável companheiro Roberto. Nessa noite, o Carioca dormiu sozinho para não incomodar o Roberto que já nem tinha forças para subir e dormir no poleiro, aceitando pela primeira vez o ninho, mas... sempre em pé!  No dia seguinte passou o tempo todo no ninho, mas ao fim do dia saiu para comer e aquecer-se pela última vez ao sol, mesmo sem sair do capoeiro. Deixei-o consolado a comer farinha para pintainhos e a beber soro caseiro (água morna, com uma colher rasa de açúcar e uma pitada de sal) ao qual a minha mãe acrescentou vitaminas próprias para galináceos. Ao vê-lo comer consulado ainda tive esperanças, mas na manhã de 29/9/2026,  o pequeno Roberto deitou-se, finalmente, no ninho, para o seu descanso eterno.. Que descanse em paz, pois, apesar de traquinas, era um garnisé terno e muito inteligente, tal como demonstrou durante a doença. 

Restam as memórias da sua energia interminável, que o meu tio até dizia que ele e o companheiro Branquinhas, davam a volta ao mundo num só dia, de tanto andarem para trás e para frente na Avenida dos Galos (daí a alcunha de "GNR") ; o seu Cocócorocóoo; o cantar ao desafio com o Branquinhas e os momentos cómicos em que um interrompia  abruptamente o canto do outro; o jogo "um-dois-três-estátua"  ou o jogo do sério em que ficavam imóveis a olhar um para o outro; a forma como se pegavam mas nunca se separavam, onde ia um iam outro e, impedidos de ir às galinhas, até acoplavam entre si, a forma com se protegiam e a forma como se tornaram figuram icónicas do capoeiro, logo desde início, principalmente o Roberto pelo seu ar patusco de desenho animado, o modo como se preocupavam e ficavam tristonhos quando alguém adoeciam, o olhar e jeito terno com que o Roberto procurava a minha proteção e companhia e a forma como compreendia tudo o que lhe dizíamos. Deixa sem dúvida muitas saudades, bonitas e engraçadíssimas histórias e, merecia ter tido tempo para muitas mais aventuras, mas a vida é o que tem de ser. Tentamos dar-lhe o melhor possível para que fosse feliz enquanto andou cá na quinta. Pelo menos amor e atenção não lhe faltou.  

Agora é ajudar o e Branquinhas a superar a ausência do seu inseparável amigo. São momentos difíceis para todos, mas, juntos, havemos de superá-los e a vida continuará, no capoeiro cada vez mais vazio e silencioso, mas sempre cheio de amor, ternura, aventura e muitas histórias para contar.


Entretanto os dois pintainhos Lua e Sol, com quinze dias, crescem saudáveis e cheios de vidas, ao cuidado da incansável garnija Pipoca Arrepiada. Se um for macho, a minha mãe quer rebatizá-lo de Roberto. Assim sendo teremos um Sol-Robertinho ou um Lua-Robertinhho. É justo, porque, mesmo doente o Roberto vigiou-os e fechou os olhos ao lado deles. Por enquanto, o
 importante é que continuem a crescer saudáveis e felizes. 



domingo, 27 de setembro de 2026

Quando os patos, afinal eram pintainhos

Na manhã de 8/9/2026, reparei que a patinha Micas passou o tempo todo debaixo dos arbustos da
Avenida dos Galos. Pensei que estivesse confortável, abrigada do calor, ou estivesse triste, chateada com alguma coisa. Passei a manhã por ali, dei-lhe folhas de videiras e pêra. Reparei também que recolhia palhinhas para pôr debaixo dela. Por momentos, suspeitei de um ninho, mas não dei importância, pois à tarde veio comer e tomar banho. No entanto, voltou para lá. Entretanto, à hora de recolher a minha mãe viu-se à nora para a tirar de lá. Foi quando viu o ninho muito bem feito

- Vê se tem ovo – disse eu à minha mãe.

- Não, não vejo ovo nenhum! – remungou – Patinha, tens que ir para dentro, senão a raposa come-te! O que te está a dar hoje?!

Tirava-a e ela voltava para trás, dizendo qualquer coisa que a minha mãe não estava a perceber. Acabou por pegar nela e levá-la à força para capoeiro. Observei-a algum tempo no capoeiro para ver se alguém ou alguma coisa a incomodava, mas estava tudo normal. Tinha de haver alguma razão para a patinha não quer sair do ninho que construiu. Fui lá outra vez e pedi para a minha mãe verificar melhor e... Sim, a pobrezinha tinha o ovo meio enterrado e estava a tentar dizer que o tinha de proteger. A minha mãe pegou no ovo e levou-o para o capoeiro, colocando-o no ninho.

-Era o teu ovinho que querias? Toma, anda para ninho.

 A patinha ficou contente e continuou-o a chocá-lo, em segurança, dentro do capoeiro.

No dia seguinte, ouvia-se a patinha a resmungar alto, o que não é comum. Quando a minha mãe foi ver, era a garnija que estava ninho da patinha porque também queria chocar o ovo. No entanto acabaram por criar um vínculo de proteção dos ovos, que entretanto aumentaram para três e mais... Porque enquanto a patinha saía para se alimentar e tomar banho,  as galinhas iam pôr ovos no ninho dela.

Todos os dias a minha mãe ia  pôr-lhe comida e água perto e pergunta-lhe:

- Tens ovos que não são teus?

A patinha levantava-se para mostrar os ovos das galinhas, deixava tirá-los e, com o bico empurrava os dela para debaixo das suas penas. Com passar do tempo, a presença da garnija passou a incomodá-la e pedia à minha mãe para tirá-la de lá. Entretanto, a garnija pôs um ovo e a minha mãe deixou-a ficar a chocar, para ver se deixa a pata em paz. Mas depois tirou-os novamente.  

- Se os ovos estiverem galados, em setembro, teremos pequerruchos engraçados.- pensava eu. 

Quando isso acontece, o importante é garantir a saúde da patinha e da garnija, verificando sempre que se alimentam e higienizam. 

Entretanto, passaram  os 35 de incubação, não nasceram patinhos e a pata Micas continuou a chocar pedindo para não lhe tirar os ovo. Mesmo que partisse o coração, para saúde da pata, teríamos de o fazer, aproveitando para desinfetar o capoeiro. 

Contudo, não foi feito nada disso e, para surpresa de todos (humanos da quinta), entre 15 e 16 de setembro nasceram dois pintainhos, chocados secretamente pela garnija Pipoca Arrepiada.  

Como foi que a Pipoca Arrepiada escondeu os ovos 21 dias, será um mistério indesvendável.

Entretanto, já estava mais que na hora a Micas sair do choco e, por mais cruel que pareça, teve de ser à força, caso contrário, acabaria por adoecer. Tirámos-lhe os três ovos estragados e expulsámo-la do capoeiro, desfazendo-lhe completamente o ninho, Foi extremamente duro ver o desespero da Micas a pedir os ovos e a tentar entrar no capoeiro e andar atrás dos ovos. Por outro lado, foi magnífico ver como os outros animais se protegiam em vez de entrarem em confronto com ela, respeitando a sua dor de perda. Foi o dia todo nisso e quando a recolhemos ao fim do dia, ela não só  procurou pelo ovos, como pediu os pintainhos da garnija. Como muita infelicidade lá se acalmou e rapidamente reaprendeu a viver. 

Não se deve deixar chocar sem ter a certeza de os ovos estão fecundados, porque o choco deixa a pata muito fraca. Ao sétimo dia de choco, com ajuda de uma lanterna, devemos verificar se os ovos estão fecundados e, caso não estejam, tem que se tirar logo a pata do choco, para que volte à vida normal e se alimente corretamente.

No caso da Micas, deu bem a volta e no dia seguinte, já regressou quase ao normal, na companhia das outras patas que pacientemente a ajudaram. Se assim não fosse, já tinha ponderado comprar uns patinhos bebés para substituir os ovos. Mas se virassem machos, depois seriam mais uma dor de cabeça, embora os adorasse à mesma. O importante era que a Micas ficasse bem e recuperasse peso, pois descobrimos que durante o choco, ela acumulava o milho no ninho em vez de comer. Era também importante que tomasse banho, para arrefecer a barriga do choco e eliminar as hormonas, de modo a perder o instinto de estar sempre no ninho. Felizmente, correu tudo melhor e mais rápido do que o esperado.

Quanto aos pintainhos, estavam de boa saúde e tinham um espaço vedado, dentro do próprio capoeiro, para que pudessem comer e circular se ser perturbados pelos outros animais. Ao que nasceu no fim do dia 15/9/2026 chamei-lhe Lua e ao mais novo Sol. 
Mas nem tudo foram rosas, pois, no dia 18, a água entornou-se no ninho e o Sol quase se afogou. No entanto, a minha mãe chegou a tempo. Trouxe-o para casa, envolveu-o numa toalha e aqueceu-o ao sol, dentro de um caixa de sapatos. Depois de recuperado, devolveu o Sol à Pipoca que, depois de o ouvir piar e o ver comer, acolheu-o novamente. Enquanto estive moribundo, rejeitou-por não ter como salvá-lo e ter de proteger o outro. Desde então a garnija rejeita palha e ninhos fechado, preferindo estar em cima saco do milho no chão. É uma mãe exemplar, sempre preocupada em ensinar e alimentar os pequeninos, dando-lhe até grão a grão o arroz e partindo os legumes em pedaços pequenos para que eles possam comer em segurança. É impossível não se ficar encantado e olhar para a doce Pipoca Arrepiada e os seus pequerruchos. O Carioca é um dos que está sempre a espreitar os pequenotes. 

Mas quem são as mamãs e os papás biológicos das duas bolinhas fofinhas encantadoras?! Teremos de esperar que cresçma para ver se descobrimos parecenças. No entanto, mãe é aquela que cuida, e a Pipoca é uma mamã espetacular que vive para os dois pintainhos, sem se importar se são dela ou de outra galinha. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Búzio, a galinha pintada a aguarela

Este domingo (13/9/202) ,o capoeiro acordou mais vazio e o céu ganhou mais brilho com a partida da estrelinha Búzio que se juntou à constelação dos Penudinhos, à qual já pertencem  muitos inesquecíveis, como os franguinhos Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado e Domingo, o patinho Bernabé, a galinha Conchita, o galo Gigante, os perusinhos Dunga e Zeca, as galinhas Cacau e Castanha, os galos Sherlock Holmes e Chico.   

A Búzio era a galinha mais perfeita, uma bolinha de penas que parecia pintada a aguarela. Parecia mesmo um búzio, sobretudo quando veio para quinta com a sua irmã Conchita, que sobreviveu apenas duas semanas. 

Nunca me vou esquecer da sua ternura no olhar, mesmo a sofrer , o prazer que ela tinha em comer as uvas que lhe dava quando apanhava as outras distraídas e ficávamos ali as duas num momento de ternura e cumplicidade, na forma como se deitava junto a mim para adormecer. Na véspera, passei a manhã com ela, num cantinho do pomar, onde lhe cantei e trocamos olhares, mas depois foi pelo próprio pé para o capoeiro, mesmo a arrastar a asas, de onde nunca mais saiu Ainda jantou um pouco de farinha, mas não resistiu mais à severa anemia que a consumia há mais de cinco meses. 

Que seja, agora, mais uma estrelinha feliz e cheia de paz. 


Búzio a 21/8/2026
Fotografia de Leonor Madeira 


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Carioca, o galo da ternura

Para quem diz que "os galos são agressivos", "os galos não servem para nada senão para cabidela", partilho dois momentos, de muitos outros, passados com o meu doce Carioca. 

Por norma, o Carioca recusa-se a ir até ao fundo do terreno, por mais que o incentive, ele chega a um ponto que volta sempre para trás.  

Um dia destes, quando eu desopilava no fundo do quintal, entregando ao vento, as tristezas causadas por uma sociedade cada vez mais egoísta e cruel, o Carioca não só chamou por mim sem parar, como veio ter comigo ao fundo de terreno, percebendo que eu não estava bem. Não saiu da minha beira, enquanto eu não voltei para junto dos meus penudinhos, que se deitaram à minha volta e até debaixo da minha cadeira de rodas, a fazer a sesta, num momento de cumplicidade, ternura e uma paz indescritível. 

Tanto o Carioca como os restantes penudinhos perceberam que naquele momento eu precisava exatamente disso, paz e amor. E eles não precisam de palavras, nem de coisas complicadas para me darem o que preciso. Fazem-no com amor puro e com o sábio silêncio repleto de cumplicidade e ternura refletida nos seus olhares. 

É impossível não ver a ternura no olhar do Carioca e, o seu canto é tão meigo, que por vezes até parece melancólico.  

Não é de festas, mas quer estar sempre ao meu lado e adora adormecer, enquanto lhe canto baixinho.  Espera pacientemente que eu consiga apanhar as uvas para lhe dar, comendo-as da minha mão com toda a delicadeza. 

Não, não lhe ensinei nada, o Carioca, assim como os outros penudinhos, faz tudo espontaneamente. Os meus penudinhos têm a sensibilidade que é cada vez mais rara nos ditos "racionais". 

Noutro dia, o Carioca apanhou um raminho seco e veio oferecer-mo. Há palavras para isso? 


Carioca | foto de Rita Micaelo, 16/8/2026



sábado, 27 de junho de 2026

Feijoca, a amorosa e valente heroína e a mana Castanha


Havendo mais uma cadeira de rodas, a Feijoca aproveitou para ir dar um passeio comigo.

Para quem não sabe, devido a um vírus ou infeção no sistema reprodutor, a Feijoca tem uma paralisia numa pata, que a impede de andar como a outras galinhas, há mais de seis meses. Movimenta-se mancando e com a ajuda das asas, o que lhe exige grande esforço.

Enquanto todos diziam para fazer canja e cabidela com ela, eu e a minha
mãe, vendo a extrema vontade de viver da Feijoca, não desistimos da nossa heroína. Todos os dias, é transportada ao colo do capoeiro para o pomar e vice-versa. Desta forma, a Feijoca aprendeu a superar os desafios e a viver com as suas limitações. É uma galinha normal, inteligente, feliz, cheia de personalidade, sabe expressar-se para dizer o que quer ou o que não quer, põe ovos e é muito, mesmo muito mimalhinha (cada dia mais)!

Como é uma galinha de pescoço nu e tem as costas depenadas por excesso de paixão dos galos, é mais sensível às temperaturas extremas, por isso quando está muito calor, vem para o escritório trabalhar comigo, até conseguir regular a respiração. Por causa do calor extremo, a 3/7/2026, a Castanha, gémea da Feijoca, não resistiu e perdeu a vida a meio da tarde,  antes de completar o seu primeiro aniversário. A Castanha já há muito que arfava por tudo e por nada, procurando sítios mais arejados. Tentamos tudo para tentar minimizar o sofrimento dos animais e mantê-los o mais confortáveis possível, mas esses dias de muito calor e o ar cheio de cinzas foram o golpe final para a doce Castanhinha de olhos cor de mel, personalidade forte, desconfiada, que tanta companhia fazia à Feijoca. 

E assim está apresentada a minha Feijoca, uma ternura irresistível, tal como todos os outros meus “penudinhos” extraordinários, que diariamente mas enriquecem a alma, com alegria, amor e constante aprendizagem. . 

Só lamento que, sobretudo em Portugal, sejam vistos apenas como peças de carne, sendo por isso,  extremamente difícil o acesso a cuidados veterinários. Lamento igualmente o descuido com a Natureza que está a contribuir para aceleração do aumento da temperatura global, causando infinitas vítimas. 


 

 



quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Grande Sherlock Holmes e o extraordinário Dom Chico da Silva



Faz hoje onze dias que me despedi do meu coraçãozinho dourado, Sherlock Holmes. 
O Sherlock Holmes era um galo lindo, com a maior e mais vermelha crista de todos os galos. Tinha o dom de falar connosco, era um galo amoroso que andava sempre atrás de mim como um guardião, tal como se refugiava em mim quando se sentia assustado. 

Sherlock e Feijoca
Sherlock e Feijoca 
Em março, perdeu o andar devido a um vírus, algo que  poderia ter sido evitado, se tivesse sido medicado logo no início da doença. Tentamos um veterinário, mas salvo raras exceções, não  tratam galinha, por "não ser rentável". "Faça uma canjinha ou cabidela com ele", foram as respostas e comentários que fui ouvindo.  Sem termos muitas alternativas, eu e a minha mãe não desistimos do Sherlock, nem da Feijoca (muito mimalhinha)  que também se encontra na mesma situação há cinco meses, mas continua pronta para as curvas e até põe ovos. Tanto um como o outro, eram todos os dias levados ao colo, pela minha mãe, do capoeiro, para o pomar, de modo a apanharem sol e a terem uma vida normal, mesmo com as suas limitações. A verdade é que foram recuperando e conquistando a sua forma de se movimentarem. O Sherlock voava de um lado a outro do pomar, num ápice, e até saltava em cima das galinhas! Passaram-se três meses e ele  ia, devagarinho, fazendo os seus progressos e vivia feliz tal como era. Era um Romeu apaixonado e a Feijoca foi uma das suas grandes paixões, de tal modo que  não se deixava levar para o capoeiro sem ela ir primeiro, estava sempre preocupado com ela. A Feijoca e a Cappuccinno foram as galinhas do seu coração. 

Último domingo do Sherlock, junto de todos os
 amigos que o viram crescer e não desistiram dele 
Infelizmente, sábado, reparei que o Sherlock estava muito fraco, mal aguentava os olhos abertos, mas ainda reagia, levantava a cabeça e tentava levantar-se. Passei a tarde com ele, a cantar-lhe baixinho e avisei a minha mãe. No entanto, ela não notou nada de especial, até porque de manhã, o Sherlock cantou bem alto. O que ela não imaginava era que aquele seria o seu último canto, pois no domingo (31/5/2026), apesar de ainda ter batido as asas, quando o pegou para o pôr no pomar, o Sherlock já mal segurava a cabeça. Ainda demos medicação para gogo, mas Sherlock, apesar de se agarrar à vida até ao último segundo, ficou cada vez mais fraco. O coração já não aguentaria mais do que aquele domingo rodeado por todos o que os viram crescer e não desistiram dele. Partiu tranquilo, durante a noite, na sua suite particular, sempre com mesa posta e com os companheiros nas gaiolas ao lado. Nos dias seguintes, a maltinha de penas, andou triste e adoentada, olhando para a suite vazia do velho amigo. 

Sim, o capoeiro funciona como uma família , quando um elemento desaparece, ficam todos abalados e o luto vai até duas semanas ou, nalguns casos quatro meses. 

O desaparecimento do Sherlock e do pato mudo Cuca que fugiu a 28/5/2026, abalou de tal forma o capoeiro que o Chico, um galo negro e azul, lindo, desenvolveu um prolapso.  Mais uma vez por falta de assistência veterinária, o Chico, esvaiu-se em sangue, sofrendo durante quatro dias até falecer a 10/6/2026. Na véspera, com a sua calma e mesmo cheio de dores, o Chico deu a volta à quinta, despedindo-se dos locais por costumava andar e depois recolheu-se no capoeiro. Passei todo tempo que pude com ele, falando e cantando-lhe baixinho, fazendo-lhe festas, como ele tanto gostava. Na manhã seguinte, mesmo já estendido no chão, o Chico esperou por mim antes de partir. Não podendo fazer mais nada pelo meio rico amiguinho , porque nem indicações me deram para atenuar o seu sofrimento ou dar-lhe uma morte indolor, engoli a frustração, o desespero e falei-lhe com toda a ternura.  
- O Chico lindo, é meu Chiquinho grande! 
Estremeceu, levanto a cabeça para olhar para mim uma última vez e deu o seu último suspiro, adormecendo no seu eterno sono. 
O Chico era um galo extraordinário, que desde o primeiro dia andavam sempre atrás de mim a pedir festas, bica-me com meiguice para chamar a atenção, falava connosco, protegia os mais pequeninos, ponha ordem no capoeiro, sendo um verdadeiro líder do capoeiro. Quando veio para cá ainda muito novinho, o Chico ficou logo conhecido por toda gente pela sua beleza e sociabilidade. O Chico era um galo extraordinário, que não merecia morrer tão jovem (nem um ano completou) e muito menos de forma sofrida como morreu, por causa da indiferença de uma sociedade materialista, egoísta,  discriminatória e acima de tudo, CRUEL. 
Tanto o Chiquito como o Sherlock, nem um ano completaram, poderiam ter sido salvos, com uma simples medicação e tratamento. 
Agora só resta um dos três companheiros maiores, o doce Carioca, que a passa o tempo a chamar pelos outros desaparecidos, sem perceber porque não lhe respondem. Deste modo, procura algum consolo sentando-se ao pé de mim. 


Os eternos Sherlock e Chico são o exemplo de amor e resiliência, a prova de é possível viver feliz mesmo com as limitações e de que o amor de animal nos alimenta muito mais do que qualquer iguaria gastronómica.

Sherlock e Chico são o exemplo de como o mundo será bem melhor com a empatia e respeito por todos os seres vivos, em vez de os olharmos como seres desprovidos de inteligência e sentimentos. As galinhas e galos galo são animais com muita sensibilidade, inteligentes e sociáveis, tem a capacidade de fazer sorrir espontaneamente quem cuida e se aproxima deles com o coração aberto. Fazem por nós aquilo que muitos humanos não são capazes . 

Bem-hajam jovens galos Sherlock e Chico, descansem em paz no jardim das suculentas, junto ao pomar, onde viveram quase um ano, de muitas aventuras,  alegria, amor e aprendizagem. "Cococó-cococó"! (Olá! Estás aí?)  "Cocororóoooo" (Quero mimo!) 



Sherlock 


Eu com o três Mosqueteiros - Chico, Carioca e Sherlock
26/2/2026 


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Descobri o Natal no meu quintal

Partilho convosco o meu último conto publicado, desejando-vos festas felizes, com saúde, paz, amor e respeito por todos os seres da Natureza, porque pertencemos todos à mesma e imensa família. 

O conto “Descobri o Natal no meu quintal” foi selecionado e integra a coletânea “Contos de Natal” – Natal em Palavras”, na página 442 do tomo II do volume 3, editada pela Chiado Books, em novembro de 2024.

E porque o Natal deve acontecer todos os dias e para todos, este conto é uma homenagem ao meu quintal, mas também aos meus antepassados, familiares e amigos que contribuem para que a magia natalícia aconteça diariamente, neste meu pequeno paraíso verde.


Descobri o Natal no meu quintal

 

Era mais uma manhã de Natal... 

Mais um Natal numa sociedade cada vez mais egoísta, consumista, destruidora... 

Um Natal embrulhado em hipocrisia, cada vez mais desprovido de sentimentos... Como se um dia de ilusão bastasse para aliviar o sofrimento do mundo. 

Um Natal cuja magia ficara perdida na inocência da infância, dando lugar ao vazio, à saudade da gente e dos tempos já idos. 

No entanto, nessa manhã invernal, o vento serenou, a chuva parou de bater nas vidraças e o sol iluminou o meu pequeno quintal! 

Aquele quintal, que para mim era imenso, onde todos os dias, a magia acontecia!

Os dias nasciam felizes, naquele quintal, onde eu dançava, com os insetos, a doce melodia dos pássaros e, por fim, deixava-me embalar nos ramos das árvores, enquanto escutava as histórias das pedras.  

Naquele quintal, eu voltava a ser criança! 

Ali, brincava entre as minhas amigas árvores, cada uma com o seu nome: os araçazeiros Gigantes, o Sr. Loureiro, a Princesa Cerejeira, a ameixoeira Frufru, a D.ª Ginjeira, o menino Azevinho, o limoeiro Pirolito e o pessegueiro Grandalhão, para além das outras encantadoras plantas, como roseiras, jarros, sardinheiras, brincos-de-princesa, margaridas, dentes-de-leão e tantas, tantas outras belas.  

Plantas que eu e a minha mãe cuidávamos zelosamente e víamos seguir o seu ciclo de vida, dia após dia, estação após estação. Muitas das plantas eram do quintal dos meus avós, outras foram oferecidas por amigos e familiares, enquanto outras simplesmente nasceram espontaneamente.

Naquele quadradinho de Natureza, cruzavam-se os tempos e, através das recordações, os queridos ausentes voltavam a estar presentes. 

As belezas do meu quintal passaram, então, a fazer parte da minha família, que crescia sempre que uma nova criatura aparecia. 

O quintal era o meu refúgio, onde encontrava a tranquilidade e inspiração para superar os desafios da vida, sobretudo nos momentos mais difíceis. Sim, a Natureza não fala por palavras, fala por gestos e tem tanto para dizer, só é preciso saber ouvi-la com o coração. 

E esse era o presente de Natal que tinha para oferecer a quem quisesse receber: a partilha do meu adorado quintal, repleto de magia. 

Ali, eu envolvia-me no terno abraço da Grande Mãe Natureza, descobrindo, com a sua inquestionável sabedoria, a verdadeira essência da vida, tão simples e, por isso, tão complexa. 

E, assim, no meu quintal, descobri o verdadeiro Natal!  

Porque o verdadeiro Natal é isso mesmo.  É acordar todos os dias, sorrindo, com coração aberto para respeitar todos os seres da Natureza, como uma imensa família, semeando paz e amor. 

 

Rita Micaelo Silva 

1/12/2024




Retratos das minhas árvores 

24/112024

 

Partilho convosco um excerto do meu conto “Os três irmãos duendes”, que escrevi em 2023, onde falo do meu quintal, juntando os retratos das minhas árvores, também feitos por mim, a aguarela digital.  

 

“- Uau, que jardim mais lindo! – encantou-se a Rosa Vaidosa.

- Até parece o nosso bosque encantado! -  disse o Nariz-Gelado.

Ao ver o pequeno quintal da Ritinha, entre muros e feios prédios, de repente, o duende percebeu que, afinal, havia sítios em que a natureza precisava de ser cuidada e protegida, sobretudo na cidade, onde praticamente não há árvores. O duende sentiu que a Natureza estava em risco, pois para construírem tantos edifícios destruíam vastas áreas verdes. Aí, começou a sentir que talvez pudesse fazer alguma coisa para alertar os humanos, pois se não os travasse, qualquer dia até o seu bosque desapareceria!

O seu coração ficou triste e aflito, perdendo todo o entusiasmo pelas “experiências mágicas” (ou melhor, pelas invenções tecnológicas) dos humanos, que punham em risco a Mãe Natureza.

- É maravilhoso, não é? – aproximou-se a Ritinha – É pequenino, mas, para mim, é o maior e o mais belo quintal do mundo!

- Que árvores tão amorosas e que flores tão delicadas! – disse a Rosa Gulosa.

- As minhas queridas amigas árvores são fantásticas e cada uma tem o seu nome. Venham conhecê-las! – convidou a menina, levando, cheia de entusiasmo, os duendes até ao quintal.

Satisfeitos por pisaram a fofa relva verde, os duendes seguiram a sua nova amiguinha, numa apaixonante visita guiada.

- Esta é a ameixoeira Frufru, que dá as melhores ameixas do planeta! - apresentou a Ritinha, cheia de ternura - Chamei-lhe Frufru por me fazer lembrar a forma das saias volumosas das damas antigas, que deveriam fazer frufrufru, quando elas andavam dum lado para o outro. Ali, junto ao muro, estão os araçazeiros, que dão um fruto delicioso, chamado araçá. Na verdade, era só um arbusto que era maior do que todas as restantes árvores, por isso chamei-lhe Gigante. Agora são vários Gigantes cheios de bolinhas amarelas, que parecem guizinhos de Natal. Este aqui é o limoeiro Pirolito que, no início, tinha preguiça de crescer e dar limões, mas agora, já está bem crescido e sempre carregadinho. Ali, a maior árvore do quintal, é o pessegueiro Grandalhão, que dá os melhores pêssegos do mundo! E por fim a D. ª Ginjeira, que nunca se esquece de dar frutos, ao contrário da Princesa Cerejeira que está tão preocupada com a beleza e elegância, que até se esquece de dar as suas deliciosas cerejas amarelas!

- Adoro as tuas flores, são todas tão lindas! - admirou a Rosa Vaidosa - Olha só para aqueles brincos-de-princesa, até me apetecia pendurá-los nas orelhas.

- Vieram do jardim da minha avó, assim como as rosas, as sardinheiras, as hortênsias, os jarros brancos, entre muitas outras plantas que adoro. Algumas das plantas também foram oferecidas por vizinhos e amigos queridos.

- Olha ali, um pimenteiro e morangueiros! - entusiasmou-se a Rosa Gulosa – Sou perdidamente apaixonada por morangos!

- Também tenho amoras, que os passarinhos tanto gostam. – disse a Ritinha -   Ai, ai... Este é mesmo o meu quintal encantado onde passo momentos mágicos e aprendo coisas fantásticas sobre a Natureza. Sempre que cá venho faço amigos novos, desde passarinhos, borboletas, libelinhas, joaninhas, bichinhos-da-conta, caracóis comilões, gatos vadios atrevidos, entre outros animais extraordinários. A minha família cresce de cada vez que faço um amigo novo e o meu coração fica ainda mais feliz!

- É tão bonito ver o teu amor pelos animais e plantas - disse o Nariz-Gelado - Apesar de pouco conhecer os humanos, já percebi que eles pouco olham para a Natureza. Nós, os duendes, não conseguimos viver sem a Natureza. Ela é nossa mãe e, por isso amamos e respeitamos todos os seus seres-vivos, sejam animais ou plantas, cada qual com o seu coração, e, como disseste, fazem todos parte da nossa grande família.

- Exatamente, eu também penso assim.  Infelizmente muitas pessoas só sabem destruir a Natureza em troca de dinheiro e luxos. Talvez por isso goste tanto de duendes, fadas, e outras criaturas mágicas que habitam na Natureza.

- Querida Ritinha, és uma humana com um lindo coração verde de duende, que ama a Mãe Natureza.  – disse a Rosa Vaidosa.”

in "Os três irmãos duendes", Rita Micaelo Silva, 2023






O passarinho do meu quintal 


 Um poema em homenagem a uma pardalita com quem fiz amizade no verão de 2023.





 


Curta-metragem de animação "Forevergreen"

"Forevergreen" é uma curta-metragem de animação de 2025, escrita e realizada por Nathan Engelhardt e Jeremy Spears. Trata-se de um filme merecidamente premiado.

Foi um dos melhores filmes de animação que vi nos últimos tempos. Fez-nos pensar sobre aquilo que é realmente importante na vida e a forma egoísta, cruel, destrutiva como tratamos os que nos rodeiam, sobretudo a natureza, atraídos pelo "lixo" que acaba por nos colocar em risco.  

Para além disso, é um filme, no qual me revejo, porque tal como o pequeno urso também foi de certo modo "salva" pelas árvores do meu pequeno quintal. Nos momentos mais difíceis da minha vida foi entre aquelas sete árvores, plantas e animais que habitavam aquele quintal, que encontrei o consolo, a sabedoria e a inspiração para superar os desafios e seguir em frente. Infelizmente, a vida não correu como queria e, mesmo contra a minha vontade, tive de mudar de casa, deixando para trás o meu quintal e grande parte das suas plantas, apesar de ter tentado trazer o que pude, nomeadamente estacas das árvores. 

Após vários meses de ter deixado o meu quintal, vim a saber que o temporal do início de fevereiro de 2026, o destruiu, tendo deitado abaixo muros, a ameixoeira e o pessegueiro.  Ao contrário do que aqueles fantásticos ser-vivos fizeram por mim e pelo ambiente, dando o seu melhor, mesmo que as condições não fossem as mais favoráveis (no meio da cidade rodeadas de cimento e poluição), eu não estava com eles, nos seus piores momento. Não eram apenas objetos decorativos,eram seres-vivos dotados de capacidades que os humanos não têm, sobretudo a de garantir a sobrevivência do planeta. Eram como família para mim, tal como acontece com o urso desta curta-metragem fabulosa. 

Isso mostra exatamente o quanto somos ingratos e injustos com a natureza. 

O Forevergreen mostra essa realidade de forma incrivelmente bela e tocante. 

A curta está disponível online temporariamente, vale a pena aproveitar para ver, refletir e mudar a nossa forma egoísta de quer submeter a natureza à nossa vontade, destruindo-a cada mais e a uma velocidade estonteante.  



quarta-feira, 13 de novembro de 2024

E se o mar me levasse

 

 

E se o mar me levasse

Num barquinho à vela

Talvez o mundo atravessasse

E viria tanta vida bela

 

E se o mar me levasse

A galopar nas suas ondas

Talvez ao vento gritasse

Onde estás? Por onde andas?

 

E se o mar me levasse

Aos velhos tempos já idos

Eu talvez desvendasse

Alguns mistérios perdidos

 

E se o mar me levasse

Nos seus braços de espuma

Eu talvez me livrasse

De tão escura bruma

 

E se o mar me levasse

Ao meu doce coração

Eu talvez me inspirasse

Para uma nova canção

 

E se o mar me levasse

Ai, e se o mar me levasse...

 

Rita Micaelo Silva

Novembro de 2024

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Rosa Velhinha


Rosa velha rosinha  

Rosa muito velhinha

Na minha jarra se aninha

Com postura de rainha

 

Era nova quando a colhi

Lá no meu quintal feliz

O vento malandro petiz

Não ma levou por um triz

 

A rosa meu coração acarinha

Mesmo com folhas enroladinhas

E as pétalas bem velhinhas

Que já não atraem abelhinhas

 

É memória dos meus avós

Que já mesmo sem voz

Nunca me deixam só

Quando a vida não tem dó

 

Rita Micaelo Silva

Abril, 2024

segunda-feira, 10 de junho de 2024

domingo, 28 de abril de 2024

Mãe onde estás? Vem comigo!” e "Liberdade" - duas novas publicações da minha autoria em antologias

 


A prosa "Mãe onde estás? Vem comigo!” e o poema "Viva a Liberdade! ", ambos da minha autoria, foram selecionados e integram o tomo II das antologias “Minha Mãe” vol. I e " Liberdade"  vol. III, editadas pela Chiado Books, em abril de 2024.


“Mãe onde estás? Vem comigo!” é uma humilde homenagem que faço às mães, em especial a minha -  Mãe Rita -, mas também aquela que tantas vezes esquecemos, negligenciamos e sem a qual não vivemos: a Grande Mãe Natureza.   


As obras estão disponíveis nas livrarias e na própria Chiado Books. 

"Minha Mãe" - https://www.atlanticbookshop.pt/poesia/minha-mae-vol-i-tomo-ii

"Liberdade" Vol. III -  https://www.atlanticbookshop.pt/poesia/liberdade-vol-iii-tomo-ii


Agradeço a o oportunidade dada pela Chiado Books e à professora Eduarda Pinheiro que fez a revisão dos dois  trabalhos. 

Mãe, onde estás? Vem comigo!

de Rita Micaelo Silva

 

- Mãe, onde estás?

- Estou aqui, filha. Sabes onde estou. 

- Não te vejo, Mãe...  Estás escondida? 

- Escondida?!  Claro que não, porque me haveria de esconder?!  Estou ao pé de ti!  Não te iludas com o que vês. Usa o olhar sincero do teu coração e logo me verás.

Instantes depois... 

- Mãe! Tão linda estás! Esplendorosamente vestida com diversificadíssimas paisagens e formas de vida, que alimentas com as tuas lágrimas! Olha só esse véu azul, adornado de estrelas e astros, sobre o teu cabelo de floresta! O teu olhar dourado é um misterioso deserto e, dos teus lábios, os ventos trazem-me histórias e sabedoria. Grandiosa Mãe, sinto-me minúscula, mas ao mesmo tempo, tão amada e protegida, quando me embalas nos braços, embrulhada em ternura, onde sonho com tantas maravilhas! Quando eu for grande quero ser igualzinha a ti, Mãe!  

- Minha querida, sê simplesmente tu. 

- Desculpa ter-te magoado, desiludido e não ter cuidado de ti como merecias... 

- Ora, ninguém é perfeito, filha, todos erram. Até eu erro tantas vezes… És apenas uma criança e, como ninguém nasce ensinado, tens ainda muito que aprender. Contudo, para mim, sempre foste e serás perfeita, tal como és. 

- Obrigada, Mãe, por tudo o que me tens dado... Nem sei como te agradecer...  

- O amor não se agradece, filha adorada, recebe-se e retribui-se, quando é possível.  Nada é mais gratificante para mim do que ver-te feliz. 

- Mãe, tenho de continuar o meu caminho, dás-me a tua mão? Vem comigo! Por favor, não me deixes sozinha, nesta complexa jornada...  

- Se fazes parte de mim, como poderia deixar-te só?! Sê corajosa, criativa e honesta, sobretudo contigo própria.

Jamais permitas que o medo te impeça de seguires os teus sonhos!!!


Viva a liberdade

de Rita Micaelo Silva

 

Podem tirar-me a luz 

Podem-me amordaçar 

Podem-me até prender

Num sítio qualquer 

Mas enquanto tiver forças 

Nas asas do pensamento

Para longe voarei

E pelo caminho semearei

Sementes de esperança 

Para que um dia floresça

Um mundo mais justo e livre 

E aí, bem lá do alto 

Aos quatro ventos, gritarei 

VIVA, VIVA A LIBERDADE! 



sábado, 9 de março de 2024

“Andar a romper limites” - documentário

 


O Dia Mundial da Mulher foi ontem, mas como todos os dias devem ser de toda a gente, partilho hoje, um documentário que, em 2004, fizeram sobre mim.

“Andar a romper limites” é um episódio premiado internacionalmente, que integra uma série documental – “Andar com as próprias pernas” – produzida por uma parceria entre universidades de três países, Portugal, Brasil e Peru.

Entretanto, terminei o Mestrado em 2010 e trabalho há quatorze anos, três como Provedora do Cidadão com Deficiência e onze como Técnica Superior de Som e Imagem, na Função Pública.

Contudo, em pleno século XXI, tal como tantos outros, continuo e sofrer discriminação e a ver-me privada de muitos direitos básicos, só por ser mulher e ter uma deficiência. Por isso é urgente a construção de uma sociedade sem rótulos, onde todos sejam tratados simplesmente como SERES HUMANOS, permitindo-lhe uma vida digna, com LIBERDADE e IGUALDADE.

Da minha parte continuarei a tentar romper limites.

Agradeço a quem me tem ajudado neste já longo em complexo caminho, desejando a todos as maiores felicidades.

E agora, divirtam-se, com as minhas cantorias e traquinices denunciadas no referido documentário.  

http://lugardoreal.com/video/andar-a-romper-limites-rita

domingo, 28 de janeiro de 2024

Um crocodilo na praia de Matosinhos

João Carlos é o autor da magnífica escultura de areia feita no areal da praia do Titã, em Matosinhos. 

Trata-se de um crocodilo com cerca de quatro metros, olhos feitos com limões, dentes de concha, garras de mexilhão e o sombreado é feito com carvão natural. 

Extremamente realista, o crocodilo deslumbrou os passeantes, que usufruíam do bom tempo de domingo, na marginal de Matosinhos, chegando inclusivamente quem o confundisse com um animal verdadeiro.  

Segundo o escultor, a efémera obra em areia, demorou cerca de dois dias a ser concluída. Mencionou também que areia fina do areal de Matosinhos apresenta as características ideais para esse tipo de construção. 

João Carlos não tem resistência fixa, vai percorrendo os areais e, tal como os artistas de rua, vai vivendo das gratificações de quem para a apreciar a sua obra. 

Um talento nato que merece ser aplaudido, apoiado e aproveitado, sobretudo pelas autarquias, uma vez que se trata de um excelente exemplo de arte ecológica, e uma bela atração turística, sobretudo ao fim de semana e na altura do verão.  


Rita Micaelo Silva, 28/01/2024

Fotografias de João Carlos e Rita Micaelo


domingo, 17 de dezembro de 2023

Boas Festas!

 

Que neste Natal haja paz, amor e mais respeito pela Natureza! 




sábado, 30 de setembro de 2023

Guitarra sem cordas


Tenho uma guitarra no fundo da sala 

Que já não toca nem fala

Chora hora após hora

Pelos bons tempos de outrora 

 

Ó velha guitarra sem cordas

Sei quanto doí o que recordas

Sei que sonhas mas sabes bem

Que o teu guitarrista já não vem

 

Ó velha guitarra sem cordas

Já com mais nada te importas 

Tocas toda a tristeza do mundo 

Numa só nota do silêncio profundo 

 

Ó minha guitarra sem cordas

Do teu sonho não acordas

De um belo dia ele regressar 

Só para te voltar a tocar

 

Rita Micaelo Silva 

Novembro de 2022

quarta-feira, 26 de julho de 2023

"Pessegueiro com gladíolos ("Flor dos Avós") e ginjeira"



"Pessegueiro com gladíolos e ginjeira", 2023,  Rita Micaelo Silva 

Desenho digital a lápis de cera


Na verdade, os gladíolos não se chamam "Flor dos Avós", mas como no meu quintal costumam florir em julho, pus-lhes este nome, uma vez que se celebra o Dia dos Avós a 26 de julho. 

A cena pintada aconteceu há um ou dois anos e não foi fotografada. Contudo, a imagem do gladíolo a espreitar por entre os ramos do pessegueiro, como se fosse uma criança curiosa, nunca mais me saiu da memória, pelo que resolvi passá-la para o papel. 

Tenho certeza de que todos os meus avós adorariam o meu quintal, uma vez que foram eles que despertaram em mim, desde pequena, o amor pela Natureza. Por isso, estas lindas flores são mais um símbolo da sua presença, uma homenagem à sua memória.