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domingo, 17 de dezembro de 2023

Boas Festas!

 

Que neste Natal haja paz, amor e mais respeito pela Natureza! 




terça-feira, 21 de março de 2023

Minhas queridas árvores

Minhas queridas árvores, 

 

Hoje é o Dia Mundial da Árvore. Ou pelo menos é o que dizem os Homens. 

Os mesmos Homens que desde sempre vos trataram como mera matéria-prima, procurando tirar o melhor partido de vós, da vossa madeira, do vosso fruto, ou do vosso bonito aspeto decorativo. De tudo, esquecendo-se do principal, amar-vos enquanto seres vivos e, ainda por cima, os seres vivos que lhes dão o oxigénio para viverem! 

E depois quando se cansam de vocês, simplesmente abatem-vos sem qualquer ressentimento. 

Sim, os mesmos Homens que, todos os dias, abatem hectares e hectares de floresta, destruindo milhões e milhões de vidas. 

Os mesmos Homens que erguem as "bandeiras do ambiente" e que dizem que por cada árvore abatida, plantam três. Como se alguma vida fosse substituível, ainda por cima quando se trata de árvores centenárias ou milenares. Como se isso bastasse para salvar o que quer que seja. 

Os mesmos Homens que apesar dos claros avisos de situação muito grave e quase irreversível, insiste em continuar a tratam-vos com hipocrisia e crueldade. 

E vocês, indefesas, sofrem em silêncio, continuado a dar-lhes aquilo que é indispensável à vida, tal como uma mãe dá tudo a um filho, mesmo que não receba o seu amor.  

Doí-me de cada vez que vejo uma árvore encaixada no betão, na berma das estradas, é como andar de sapatos com muitos números abaixo e, como se não bastasse, ainda têm de respirar a nojenta poluição humana, sobretudo nas cidades, ditas modernas e civilizadas. 

Dói-me ver árvores cortadas só porque não dão jeito ou já não ficam bem naquele sítio. 

Doí-me ver tanto sofrimento e tanta falsidade na forma como os humanos que se dizem donos do mundo e do conhecimento, tratam as políticas ambientais. 

Dói-me ver-vos a morrer e, convosco, tantas outras espécies, dia após dia. 

Dói-me ver os Homens a saber que se continuarem a destruir o ambiente, eles próprios vão extinguir-se e, mesmo assim continuam cegos por dinheiro. 

Dói-me porque vos amo, minhas queridas árvores, sois para mim o maior dos outros tesouros, sois a principal fonte de vida! Sem vós, nós humanos não seremos nada. 

Sinto-me privilegiada por ter um pequeno quintal com algumas árvores, entre várias outras plantas. Cada qual com o seu nome próprio, de acordo com as suas personalidades, pois são seres vivos, e por isso, trato-as com todo o amor que merecem. Amor que elas me devolvem em dobro. Já para não falar no quanto me têm ensinado, quando estou na sua doce companhia!

Só queria que todas as árvores do mundo fossem tratadas com o mesmo respeito e amor com que trato as minhas, pois seríamos todos muito mais saudáveis e felizes. 

Oh minhas queridas árvores, torço para que não seja apenas hoje o Dia Mundial da Árvore, mas sim, todos os dias. 

 

Com amor 

Rita 

21 de março de 2023

domingo, 15 de janeiro de 2023

Os mortos vivos e vice-versa

 

Para mim, há vivos que estão mortos e mortos que estão e estarão sempre bem vivos. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

A utopia do tempo e os seus tempos

 

O passado já existiu.

O futuro ainda há de existir.

Só existe então o presente, que é o reflexo do passado e de um futuro que ainda existirá.


Rita Micaelo Silva 

Janeiro, 2023

sábado, 1 de outubro de 2022

Família Gerberas

 


Lá num cantinho do meu quintal, vive uma simpática família de gerberas.

Idosos que vergam sob o peso da vida, mas continuam belos e com o coração cheio de memórias.

Crianças ávidas das histórias dos idosos cheios de sabedoria.

Adultos que vivem um dia de cada vez, sem pressas, criam memórias, seguem os passos dos mais velhos, tomando-os como faróis das suas vidas.  

Adolescentes que imitam os adultos, correm atrás de sonhos, acreditando poder vir a ser tão bons ou melhores do que os seus antepassados.

E bebés inocentes que só querem o amor e proteção de todos os outros.

E assim, tudo cresce e vive tranquilamente, respeitando o lugar de cada um e aprendendo todos juntos.

Olhando para aquele cantinho do meu quintal, fico a imaginar como seria bom que a civilização humana fosse como a família Gerberas...

 

domingo, 4 de setembro de 2022

Eu, as minhas árvores, o "Bambi" e “O Meu Pé de Laranja Lima”

Desde muito pequena que sempre fui apaixonada por histórias e livros. Já li muito, não o quanto gostaria, mas dos livros que mais marcaram foram o “Bambi” de Felix Salten e “O Meu Pé de Laranja Laranja Lima” de José Mauro Vasconcelos.

Dois livros que curiosamente só li, há muito pouco tempo, já em adulta e em fases cinzentas da minha vida.

Mais curioso ainda é o facto de um dos primeiros textos que escrevi, mal aprendi a escrever, foi precisamente um diálogo entre um menino e uma árvore, que ficaram grandes amigos. Lembro-me da minha mãe e da minha avó Teresa comentarem o facto de eu ter escrito aquele diálogo sem nunca ter lido “O Meu Pé de Laranja Lima, que foi um dos meus livros favoritos do meu pai. A verdade é que escrevi o tal diálogo, com oito ou nove anitos e que, agora, com 37 anos, me comporto como o personagem ZéZé que falava a sua árvore como se fosse gente, em vez de um mero objeto decorativo, dando-lhe um nome – Minguinho.

Pois, foi entre o dia 26 e 27 de agosto de 2022, depois de ter visto o título num concurso de cultura geral, que resolvi procurar e ler o livro “O Meu Pé de Laranja Lima” pela primeira vez na vida. É óbvio que sempre ouvi falar desta obra de referência mundial, inclusivamente adaptada para cinema, teatro, etc. No entanto, diziam que era uma história triste e, como quando se é miúdo não gostamos de coisas tristes, nunca me deu para a ler.

Também não gostava muito do Bambi, achava-o extremamente violento e triste para crianças. Não estava muito fora da realidade, porque o Bambi não foi escrito para crianças, mas sim para adultos, sendo um dos livros mais odiados pelo Hitler.

Apesar do Walt Disney ter feito uma adaptação muito fiel ao livro, ainda hoje muito popular no público infantil e não só, não há nada melhor do ler o Bambi original. 

Digo inclusivamente que o “Bambi” e “O Meu Pé de Laranja Lima” deviam ser obras de leitura obrigatória em todo mundo, porque uma fala da vida com um todo e o papel do Homem como parte integrante da Natureza (e não um ser superior a todos os outros), enquanto a outra fala do desenvolvimento do indivíduo dentro de uma sociedade desequilibrada.

Ao ler “O Meu Pé de Laranja Lima “, comecei logo por rever o meu pai na personagem principal, o Zézé, um menino com uma sensibilidade e inteligência fora de série, mas que se sente a pior pessoa do mundo porque estava sempre a ser castigado pela família, pelos mais velhos e até, na sua opinião, por Deus. Um menino de cinco anos a quem, cruelmente, roubaram a inocência e o mundo dos sonhos, mas que mesmo assim, teve sensibilidade para preservar o mundo imaginário do irmão mais novo, tendo consciência da importância disso para o seu desenvolvimento saudável e feliz. Está mais que provado que um indivíduo com uma infância infeliz dificilmente será capaz de encontrar paz interior e de transmiti-la ao outros, mas há quem o consiga. tal como o Zézé. 

Não foi preciso muito para me rever a mim, à minha mãe e tantas outras pessoas na personagem de Zézé.

Porque afinal quem é quem nunca se sentiu injustiçado pela família ou pelo mundo, pela vida?! Quem nunca viu as suas expectativas a irem por água abaixo, por culpa disso ou daquilo? 

Acontece que na maioria das vezes esperamos muito mais dos outros, esquecendo que eles também são humanos como nós, também os seus medos, as suas paranoias, as suas tristezas, os seus sonhos, os seus dias maus e bons. Esquecemos que, tal como nós, os outros também estão aprender sobre a vida e sobre eles mesmos, por isso erram, cometem injustiça, descarregam a raiva e o desespero em quem não tem culpa.

Às vezes até temos consciência de tudo isso, mas é mais fácil atribuir a nossas infelicidades aos outros e inventarmos uma série de desculpas esfarrapadas, em vez de enfrentarmos os nossos fantasmas pelos cornos e darmos cabo deles para sermos felizes.

Deste modo, gera-se um círculo vicioso em que andamos todos às turras uns contra os outros e pouco ou nada evoluímos enquanto comunidade humana, pois em pleno século XXI, continuámos a usar a violência de todas a formas possíveis e inimagináveis.

Estes dois livros mostram exatamente que neste mundo não há vilões nem vítimas, estamos todos no mesmo barco, somos todos meras formiguinhas no imenso universo desconhecido, não sabemos donde viemos, nem para onde vamos e, por isso somos frágeis, inseguros, inconstantes.

Deste modo, tudo será mais fácil quando nos tornamos cooperativos em vez de competitivos. Mas isso só será possível quando cada um de nós encontrar a sua paz interior, a aprender a gostar de si próprio e a respeitar pacientemente o processo de aprendizagem do próximo, o que exige a capacidade de perdoar. Perdoar os outros e a nós próprios, o que é ainda mais difícil, mas, é extremamente recompensador, quando conseguimos. Deste modo aprendemos a gostar de nós próprios e mais facilmente gostamos dos outros. O perdão é a chave para quebrar o círculo vicioso da violência e que nos liberta das amarguras/rancores, terríveis venenos capazes de nos destruir, se desses não nos libertarmos. Por isso, perdoar é, para mim, o mais importante gesto de amor, para com os outros e  sobretudo para connosco próprios. 

Pelo menos foram estas as principais mensagens que tirei destes dois livros que considero obras-primas da literatura pelo incentivo à compreensão, respeito e paz entre todos o seres-vivos da Grande Mãe Natureza.

Recomendo vivamente a leitura do fantástico “Bambi” e “O Meu Pé de Laranja Lima”, até mais do que uma vez, porque descobre-se sempre mais alguma coisa em cada leitura. Há livros que devem ser lidos na altura certa, mas como não sabemos qual é a altura certa, a solução é lê-los mais do que uma vez na vida. Aliás, não sei como nem porquê os livros vêm ter connosco na altura certa, pelo menos comigo tem sido assim.


Rita Micaelo Silva 

setembro, 2022 

terça-feira, 26 de julho de 2022

Avós

 

Aos meus avós (a quem devo muito do que hoje sou)  e a todos os outros, sobretudo àqueles que, por diversas razões, não podem dar o seu amor aos netos e àqueles que temem pela vida dos seus netos que combatem em guerras sem sentido, de quem muitas vezes não têm notícias. 


sexta-feira, 22 de julho de 2022

A minha curiosa família de números

Por hoje ser Dia Mundial do Cérebro, lembrei-me de uma curiosidade que ocorre no meu e que nem eu sei porquê.

Desde que conheço os números, sempre os vi como uma família, ou melhor…  três que se unem numa só.

Passo então a explicar:

O “1, filha do “9” e do “0” e irmã do “8”, é casada com o “2”, filho do “3” e irmão do “4. O “4” é namorada do “5”, filho do “6” e irmão do “7”, que é o melhor amigo do” 8”.

Todos juntos, formam uma companhia de teatro, chamada Matemática, onde, juntamente com outros símbolos, representam infinitas combinações de números e de operações.

Porque que penso assim? Não faço a mínima ideia e também não me preocupo em desvendar o mistério, porque afinal, com fantasia ou sem fantasia, sempre fui boa aluna a matemática.

Sabemos muito pouco sobre o que gira à nossa volta, embora tenhamos a mania de ser os mais inteligentes de todos os seres, quando na verdade nem a nós próprios nos conhecemos.

O cérebro é sem dúvida o maior mistério o Homem, um órgão extraordinário que na minha opinião é muito mal aproveitado, ou seja, é mais utilizado para o mal do que para o bem.

Por isso, deixo-me estar com a minha família de números, que não faz mal a ninguém. 

sábado, 9 de julho de 2022

O real imaginário

Fernando Pessoa escreveu que “As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais”. 

Eu acrescento que há lugares, criaturas e pessoas que nunca desaparecem ou morrem, apenas viajam para nosso imaginário. Assim como há lugares e pessoas que viajam para o nosso imaginário, apenas pelo que outros nos contam ou que estão, foram simplesmente imaginadas.

Por exemplo, eu não  cheguei a conhecer o meu bisavô Joaquim e só fiz uma visita à Costeira (casa de família do meu bisavô)  uma única vez,  quando tinha apenas três ou  quatros anos  de  idade,  da qual  não me recordo.  No entanto, cresci sempre com  a  Costeira no meu imaginário, por causa  das histórias que a minha avó Teresa e bisavó Matilde me contavam.

Deste modo, ir à Costeira foi  com uma viagem  no  tempo, onde as  histórias das minhas avós se tornaram realidade e  onde pude recordar memórias que vivi  apenas pelo que  me contavam. Foi uma sensação deliciosamente estranha, pois mesmo sem conhecer as maioria das pessoas, senti-me completamente em casa  e  em família.

Da mesma forma que não consigo deixar de sorrir quando vejo fotografias de familiares antigos (ou até mesmo os objetos pessoais)  que nunca conheci, mas dos quais os meus avós me falavam com tanto afeto. Ou até mesmo as personagens fictícias que fizeram parte da minha infância ou outras que eu própria criei ao longo do meu percurso enquanto criativa. No fundo, é como se existissem na realidade. 

Também já me aconteceu o contrário, ir a sítios que outrora me eram tão familiares e, que depois de um tempo de ausência, senti que aquele sítio não era o mesmo, por exemplo a minha antiga escola, ou a casa dos meus avós. Os sítios podem ser os mesmos, mas não são tal como a nossa memória nos mostra, basta o simples facto de já não estarem habitados pelas mesmas pessoas a quem estávamos habituados.  

Chego então à conclusão de que o que prevalece é aquilo que a nossa memória guarda, sobretudo quando se tratam de memórias felizes. São essas que fazem a nossa própria realidade, a nossa verdadeira identidade e, como diz o meu amigo Paulo Filipe, nós não somos ninguém sem a nossas memórias. 

E quem consegue criar este mundo imaginário, construído com memórias de histórias e experiências vividas, tem sempre um refúgio, um porto seguro, onde ir buscar paz e forças para enfrentar as adversidades da vida. Essas pessoas nunca têm medo de estar só, gostam de momentos a sós consigo próprias, principalmente quando são artistas ou simplesmente criativas.  

Não, essas pessoas (por muitos chamadas lunáticas) não se isolam do mundo, apenas param para assimilarem e interpretarem o que veem a sua volta. Vivem com calma saboreando cada simples momento, sem terem medo que o mundo acabe de um dia para a outro. 

Conheço muitas pessoas que não conseguem estar só, andam sempre de um lado para outro, com uma vida social super intensa e que, no final das contas,  estão sempre insatisfeitas,  infelizes, inquietas, inconstantes, a  tentar estragar a felicidade dos outros, só, porque não conhecem o prazer de ser verdadeiramente livre, de ir mais além daquilo que é físico e efémero, sendo por isso incapazes de compreender quem para elas são as "tristes solitárias". 

Sei que assim que muitos veem, uma "triste solitária", só porque não passo a vida no arejo. Lamento desiludi-los porque, na verdade, sou a "triste" mais feliz do mundo quando estou na minha agradável companhia. 

Para ser sincera, nem sei em que se baseiam para fazerem este tipo de observação, até porque tenho o hábito nem qualquer interesse em publicar a minha vida nas redes sociais, saio quando quero, com quem quero e ninguém tem nada a ver com isso. 

Simplesmente adoro o sossego, a natureza e o silêncio cheio de música e histórias. Preciso disso para criar, fazer aquilo que gosto e viver sem pressa nem confusões. É assim que encontro a minha paz e felicidade

E no entanto, tenho plena consciência da realidade, pois estou sempre atenta ao que se passa à minha volta, ao contrário de muitos acelerados que andam por aí atrás de algo que não sabem o que é, nem onde ou como encontrar. 

   




sábado, 13 de novembro de 2021

O Dia da Bondade

Pintura digital a óleo/ Rita Silva
Confesso que sou avessa a esta história de dias comemorativos disto e daquilo, até porque a maioria das vezes são para apelar ao consumismo ou para alertar para problemáticas que, no século XXI, já nem sequer deviam existir.

Diria até que fiquei chocada com o facto de existir o Dia da Bondade, porque isto significa que esta é tão rara, ao ponto de precisar de ser lembrada.

Ora na minha opinião, a bondade deve uma atitude espontânea, genuína, um ato de respeito e de amor ao próximo, de solidariedade, a ser praticado todos os dias.  

Não pode haver dia nem hora certa para fazer o bem, caso contrário não passa de uma valente hipocrisia. Aliás a maior parte dos dias comemorativos não só são pura hipocrisia, como um intensivo à mesma.

Os problemas não podem ser lembrados e discutidos num só dia, para depois serem varridos para debaixo do tapete durante o resto do ano, sem serem resolvidos.

Já não bastava o Natal, hoje em dia, consumista e terrivelmente hipócrita, em que todos exibem o seu status presenteando os outros com presentes caros, vistosos, enquanto passam o resto do ano às turras ou até sem se falarem, ainda tinham que inventar o Dia da Bondade.  

Hipocrisia, pura hipocrisia, cada vez mais enraizada na sociedade humana, de tal forma que nem sequer precisa de ter um dia comemorativo, porque esta, sim, pratica-se todos os dias, em todas as horas e lugares.

Enfim, feliz será o dia em que não seja necessário haver dias comemorativos para lembrar as pessoas que existem este ou aquele problema para ser resolvido ou que devem ser bondosas, nem que seja por um dia.

Feliz será o dia em que a bondade substitua a hipocrisia. 

O dilema das palhinhas condenadas 


Quem me conhece minimamente, sabe perfeitamente que sou a primeira a defender o ambiente e todos os seres da natureza. Aliás não sou sequer capaz de matar uma formiga. Acontece que eu, tal como todos os seres humanos, também faço parte da natureza e, por isso  necessito de beber para sobreviver e só o consigo fazer através das condenadas palhinhas de plástico.
Como eu,  há muitas outros  seres  humanos com incapacidades motoras, que  só conseguem beber e até alimentar-se por palhinhas. Ou seja, há muitas pessoas que dependem das palhinhas para sobreviverem.
As alternativas que conheço são as palhinhas de papel que se desfazem num minuto na minha boca, ou as palhinhas de alumínio ou de plástico duro que me fazem feridas na boca, para além de se desformarem todas após a lavagem na máquina. Resumindo, nenhumas destas alternativas me permitem beber e ambas vão parar á mesma ao lixo sendo, na minha opinião, ainda menos ecológicas, porque o plástico duro é ainda mais difícil de se degradar e o fabrico de papel exige o abate de árvores. Sei também de umas palhinhas de hóstia, inventadas por um grupo de adolescentes, mas que não são comercializadas. De resto não tenho conhecimento de mais alternativas. Por isso, se existirem outras, agradeço que me digam.
Contudo, eu deito sempre o meu lixo no ecoponto, porque me dizem, desde pequenina, que será reciclado, tratado e transformado noutros produtos.
Desta forma, como é que o lixo vai parar ao mar e tartarugas enfiam palhinhas no nariz? É tão estranho que até parece uma partida de um qualquer ilusionista habilidoso.
Ora, antes de condenarem as palhinhas, não será melhor investigar o  que fazem realmente as empresas de reciclagem de lixo? Não  será melhor proibir a entrada de materiais não biodegradáveis nas praias e a criar pesadas coimas para quem deita o lixo fora do sítio?  E que tal investir no plástico biodegradável que se degrada em cerca de 180 dias após o contacto com  a luz solar, com a água ou com o solo? Substituir o plástico por papel e madeira é solução? Então  faz mal  poluir os oceanos e não  faz mal  destruir as já tão escassas florestas? 
E já agora, para onde acham que vão os stocks de palhinhas que estão a ser retiradas do mercado??? Se souberem, por favor, digam-me, que eu vou lá busca-las.  Prometo não andar a enfiar as palhinhas no nariz das tartarugas e, se for preciso, até as ensino a beber por palhinha.  

sábado, 25 de outubro de 2014

Plantas, vegetarianos e utopias


Eu entendo e respeito a opção de quem é vegetariano por uma vida mais saudável e por um mundo com menos sofrimento.
Defendo  a 100% os  direitos dos animais e a preservação do planeta.
No  entanto, as plantas são  seres vivos tal  como os animais. Há inclusivamente estudos  e teorias  que dizem  que as  plantas reagem aos estados  de espírito do tratador e desenvolvem-se mais depressa ao som da música clássica. Coincidência ou  não, o certo é que a minha bisavó falava todos  os dias com as suas  plantas  e quando não o  fazia estas murchavam, mesmo sendo regadas e tratadas como sempre.
Acho um pouco também arrojado o facto do Homem se considerar o único  ser inteligente e racional  à  face  da Terra. Porquê?  Porque constrói arranha céus? Também as formigas constroem formigueiros, onde  habitam milhões. Porque comunicam?  Também os golfinhos o fazem através de ultra-sons. Aliás os animais conseguem comunicar sem o uso  da  palavra e conseguem muitas vezes conhecer o estado de  espírito dum humano,  através do  cheiro,  da temperatura, como é o caso dos cães, gatos, entre outros. Enquanto  muitas vezes o homem se perde no meio das suas próprias palavras e destruindo-se a si e ao seu habitat deliberadamente. O Homem necessita de afecto para um desenvolvimento saudável? As plantas desenvolvem-se melhor quando  falamos com  elas e quando ouvem determinados géneros de música…
Deste modo, considero que todo o ser vivo possuí a sua forma de “inteligência” e  de comunicação. Assim como acredito que muitos seres vivos, mesmo sendo minúsculos e com um modo  de vida aparentemente mais simples, sejam mais evoluídos do que  o Homem.
Sou completamente contra os maus-tratos e o massacre injustificado de animais, como as touradas, as caças desportivas, entre muitos outros, mas o facto de todos deixarem de comer carne não significa acabar com o sofrimento no mundo.
Os próprios animais matam outros animais ou plantas para se alimentarem, assim como há plantas que se alimentam de carne para sobreviverem. Tal como eles, nós também somos seres vivos e precisamos de nos alimentar para sobreviver. Se não comermos carne, teremos que sacrificar as plantas, que também são seres vivos, caso contrário não sobrevivemos.
Infelizmente, parece-me um pouco utópico ansiar-se por um "Wonderful World” onde todos vivem felizes e sem sofrimento. Para tal, todos os seres vivos teriam de se alimentar apenas da luz solar.
A natureza é assim e nunca se deixará contrariar, por muito que o Homem tente mudar o seu curso, ela dará sempre a sua sentença final baseada na velha lei da sobrevivência. Por mais cruel  que nos pareça, a natureza tem a sua lógica  que permite  a sustentabilidade do planeta, só precisamos de repeitá-la, preservá-la e amá-la  tal como ela é,  em  vez de tentarmos dominá-la a nosso bel prazer. Assim sendo, acredito que uma alimentação moderada e sem excessos, juntamente com um modo de vida ecológico e sem desperdícios, possa ser um bom contributo para a saúde e para o equilíbrio e preservação do planeta.

A curiosa insuficiência das palavras

Ontem uma amiga falava-me da sua dificuldade em escrever uma mensagem para alguém muito especial.
Ri-me. 
Ri-me de felicidade por saber que, neste louco mundo cada vez mais materialista, ainda existem sentimentos que não se explicam por palavras e pessoas cujas palavras são insuficientes para as descrever ou agradecer o que elas fazem por nós. O importante é que tudo o que se lhes disser ou os gestos que tivermos com elas, sejam sinceros e sentidos.
Ri-me por já ter tido, em vários momentos da vida, o privilégio de sentir a mesma dificuldade que ontem a minha amiga me falava. E espero que as palavras me faltem muitas vezes, porque é sinal que continuam a existir pessoas que marcam a diferença ao longo da minha vida.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Paixão Secreta de Uma Folha em Branco

Espero encontrar o preto, já que o branco faz para sempre parte de mim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Noite na Praceta das Farrapas

Nestes últimos tempos, tenho vivido uma série de experiências e emoções que modificaram muito a minha forma de ver e de estar no mundo.Como já tenho dito neste blogue, é possível ser-se feliz com pouco e as crianças são a prova disso.Na acção de campanha de sexta-feira à noite, na Praceta das Farrapas (Perafita - Matosinhos), senti-me como o Pai Natal. Mesmo sem presentes para oferecer, as crianças andavam à minha volta, curiosas, alegres por me poderem oferecer brindes, comida e sobretudo muito carinho. Estavam felizes só por dançarem e fazerem gracinhas das quais eu ria com ternura. O meu sorriso e carinho bastava-lhe.Estas crianças maravilhosas, a quem muitos põem o rótulo por viverem em bairros sociais, mostram que o importante é ser-se feliz e ter orgulho no que somos. E isso consegue-se facilmente, basta não ter preconceitos e não ter vergonha de dar o pouco que temos, pois tudo o que é dado com amor, vale mais do que qualquer tesouro.Ao receber este carinho destas crianças, eu ganhei, sem dúvida, um grande tesouro que guardarei para sempre no meu coração. É pena que os adultos não aprendam a ser puros e humanos como as crianças.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Olhar-Espelho

A verdadeira beleza de uma pessoa reflecte-se na pureza do seu olhar, que nos toca desde o primeiro instante.

sábado, 25 de julho de 2009

Disfarce da verdade

É mais fácil disfarçar a verdade do que manter a mentira.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Celebridade

Muitas vezes, as grandes celebridades são mais acessíveis, do que aqueles que têm a mania que são mais importantes dos que outros. A verdadeira celebridade é quem não perde a humildade, quem procura ajudar e tratar com respeito e dignidade todos os que dela se aproximam.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Liberdade de Expressão

Somos completamente livres de pensar, mas não podemos expressar tudo o que pensamos de forma literal. No entanto, podemos fazê-lo disfarçadamente, através da arte, uma vez que esta é uma metafora da realidade. A liberdade de expressão consegue-se através da forma inteligente, criativa e cautelosa como nos exprimimos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Dar

Tudo o que tenho será para te oferecer, sempre que quiseres receber.