Que neste Natal haja paz, amor e mais respeito pela Natureza!
O Caderno da Rita Cuca é um cantinho para partilhar pensamentos e curiosidades do dia-a-dia de um mundo cada vez mais surpreendente. Divirta-se! Nota: AS NOVAS MENSAGENS ESTÃO A SEGUIR À PRIMEIRA.
Minhas queridas árvores,
Hoje é o Dia Mundial da Árvore. Ou pelo menos é o que dizem
os Homens.
Os mesmos Homens que desde sempre vos trataram como mera
matéria-prima, procurando tirar o melhor partido de vós, da vossa madeira, do
vosso fruto, ou do vosso bonito aspeto decorativo. De tudo, esquecendo-se do
principal, amar-vos enquanto seres vivos e, ainda por cima, os seres vivos que
lhes dão o oxigénio para viverem!
E depois quando se cansam de vocês, simplesmente abatem-vos
sem qualquer ressentimento.
Sim, os mesmos Homens que, todos os dias, abatem hectares e
hectares de floresta, destruindo milhões e milhões de vidas.
Os mesmos Homens que erguem as "bandeiras do
ambiente" e que dizem que por cada árvore abatida, plantam três. Como se
alguma vida fosse substituível, ainda por cima quando se trata de árvores
centenárias ou milenares. Como se isso bastasse para salvar o que quer que
seja.
Os mesmos Homens que apesar dos claros avisos de situação
muito grave e quase irreversível, insiste em continuar a tratam-vos com
hipocrisia e crueldade.
E vocês, indefesas, sofrem em silêncio, continuado a
dar-lhes aquilo que é indispensável à vida, tal como uma mãe dá tudo a um
filho, mesmo que não receba o seu amor.
Doí-me de cada vez que vejo uma árvore encaixada no betão,
na berma das estradas, é como andar de sapatos com muitos números abaixo e, como se não
bastasse, ainda têm de respirar a nojenta poluição humana, sobretudo nas
cidades, ditas modernas e civilizadas.
Dói-me ver árvores cortadas só porque não dão jeito ou já
não ficam bem naquele sítio.
Doí-me ver tanto sofrimento e tanta falsidade na forma como
os humanos que se dizem donos do mundo e do conhecimento, tratam as
políticas ambientais.
Dói-me ver-vos a morrer e, convosco, tantas outras espécies,
dia após dia.
Dói-me ver os Homens a saber que se continuarem a destruir o
ambiente, eles próprios vão extinguir-se e, mesmo assim continuam cegos por
dinheiro.
Dói-me porque vos amo, minhas queridas árvores,
sois para mim o maior dos outros tesouros, sois a principal
fonte de vida! Sem vós, nós humanos não seremos nada.
Sinto-me privilegiada por ter um pequeno quintal com algumas
árvores, entre várias outras plantas. Cada qual com o seu nome próprio, de
acordo com as suas personalidades, pois são seres vivos, e por isso,
trato-as com todo o amor que merecem. Amor que elas me devolvem em dobro.
Já para não falar no quanto me têm ensinado, quando estou na sua doce companhia!
Só queria que todas as árvores do mundo fossem tratadas com
o mesmo respeito e amor com que trato as minhas, pois seríamos todos muito mais
saudáveis e felizes.
Oh minhas queridas árvores, torço para que não seja
apenas hoje o Dia Mundial da Árvore, mas sim, todos os dias.
Com amor
Rita
21 de março de 2023
Para mim, há vivos que estão mortos e mortos que estão e estarão sempre bem vivos.
O passado já existiu.
O futuro ainda há de existir.
Só existe então o presente, que é o reflexo do passado e de
um futuro que ainda existirá.
Rita Micaelo Silva
Janeiro, 2023
Lá num cantinho do meu quintal, vive uma simpática família
de gerberas.
Idosos que vergam sob o peso da vida, mas continuam belos e
com o coração cheio de memórias.
Crianças ávidas das histórias dos idosos cheios de
sabedoria.
Adultos que vivem um dia de cada vez, sem pressas, criam
memórias, seguem os passos dos mais velhos, tomando-os como faróis das suas
vidas.
Adolescentes que imitam os adultos, correm atrás de sonhos,
acreditando poder vir a ser tão bons ou melhores do que os seus antepassados.
E bebés inocentes que só querem o amor e proteção de todos
os outros.
E assim, tudo cresce e vive tranquilamente, respeitando o
lugar de cada um e aprendendo todos juntos.
Olhando para aquele cantinho do meu quintal, fico a imaginar
como seria bom que a civilização humana fosse como a família Gerberas...
Desde muito pequena que sempre fui apaixonada por histórias e livros. Já li muito, não o quanto gostaria, mas dos livros que mais marcaram foram o “Bambi” de Felix Salten e “O Meu Pé de Laranja Laranja Lima” de José Mauro Vasconcelos.
Dois livros que curiosamente só li, há muito pouco tempo, já
em adulta e em fases cinzentas da minha vida.
Mais curioso ainda é o facto de um dos primeiros textos que
escrevi, mal aprendi a escrever, foi precisamente um diálogo entre um menino e
uma árvore, que ficaram grandes amigos. Lembro-me da minha mãe e da minha avó
Teresa comentarem o facto de eu ter escrito aquele diálogo sem nunca ter lido “O
Meu Pé de Laranja Lima, que foi um dos meus livros favoritos do meu pai. A
verdade é que escrevi o tal diálogo, com oito ou nove anitos e que, agora, com 37 anos, me comporto como
o personagem ZéZé que falava a sua árvore como se fosse gente, em vez de um mero
objeto decorativo, dando-lhe um nome – Minguinho.
Pois, foi entre o dia 26 e 27 de agosto de 2022, depois de
ter visto o título num concurso de cultura geral, que resolvi procurar e ler o livro
“O Meu Pé de Laranja Lima” pela primeira vez na vida. É óbvio que sempre ouvi
falar desta obra de referência mundial, inclusivamente adaptada para cinema,
teatro, etc. No entanto, diziam que era uma história triste e, como quando se é miúdo
não gostamos de coisas tristes, nunca me deu para a ler.
Também não gostava muito do Bambi, achava-o extremamente violento
e triste para crianças. Não estava muito fora da realidade, porque o Bambi não foi
escrito para crianças, mas sim para adultos, sendo um dos livros mais odiados
pelo Hitler.
Apesar do Walt Disney ter feito uma adaptação muito fiel ao
livro, ainda hoje muito popular no público infantil e não só, não há nada
melhor do ler o Bambi original.
Digo inclusivamente que o “Bambi” e “O Meu Pé de Laranja Lima” deviam ser obras de leitura obrigatória em todo mundo, porque uma fala da vida com um todo e o papel do Homem como parte integrante da Natureza (e não um ser superior a todos os outros), enquanto a outra fala do desenvolvimento do indivíduo dentro de uma sociedade desequilibrada.
Ao ler “O Meu Pé de Laranja Lima “, comecei logo por rever o meu pai na personagem principal, o Zézé, um menino com uma sensibilidade e inteligência fora de série, mas que se sente a pior pessoa do mundo porque estava sempre a ser castigado pela família, pelos mais velhos e até, na sua opinião, por Deus. Um menino de cinco anos a quem, cruelmente, roubaram a inocência e o mundo dos sonhos, mas que mesmo assim, teve sensibilidade para preservar o mundo imaginário do irmão mais novo, tendo consciência da importância disso para o seu desenvolvimento saudável e feliz. Está mais que provado que um indivíduo com uma infância infeliz dificilmente será capaz de encontrar paz interior e de transmiti-la ao outros, mas há quem o consiga. tal como o Zézé.
Não foi preciso muito para me rever a mim, à minha mãe e
tantas outras pessoas na personagem de Zézé.
Porque afinal quem é quem nunca se sentiu injustiçado pela
família ou pelo mundo, pela vida?! Quem nunca viu as suas expectativas a irem por
água abaixo, por culpa disso ou daquilo?
Acontece que na maioria das vezes esperamos muito mais dos outros,
esquecendo que eles também são humanos como nós, também os seus medos, as suas paranoias,
as suas tristezas, os seus sonhos, os seus dias maus e bons. Esquecemos que,
tal como nós, os outros também estão aprender sobre a vida e sobre eles mesmos,
por isso erram, cometem injustiça, descarregam a raiva e o desespero em quem não
tem culpa.
Às vezes até temos consciência de tudo isso, mas é mais fácil
atribuir a nossas infelicidades aos outros e inventarmos uma série de desculpas
esfarrapadas, em vez de enfrentarmos os nossos fantasmas pelos cornos e darmos
cabo deles para sermos felizes.
Deste modo, gera-se um círculo vicioso em que andamos todos às
turras uns contra os outros e pouco ou nada evoluímos enquanto comunidade humana,
pois em pleno século XXI, continuámos a usar a violência de todas a formas
possíveis e inimagináveis.
Estes dois livros mostram exatamente que neste mundo não há vilões nem vítimas, estamos todos no mesmo barco, somos todos meras formiguinhas no imenso universo desconhecido, não sabemos donde viemos, nem para onde vamos e, por isso somos frágeis, inseguros, inconstantes.
Deste modo, tudo será mais fácil quando nos tornamos cooperativos
em vez de competitivos. Mas isso só será possível quando cada um de nós encontrar
a sua paz interior, a aprender a gostar de si próprio e a respeitar pacientemente o processo de aprendizagem do próximo,
o que exige a capacidade de perdoar. Perdoar os outros e a nós próprios, o que
é ainda mais difícil, mas, é extremamente recompensador, quando conseguimos. Deste modo aprendemos a gostar de nós próprios e mais facilmente gostamos dos outros. O
perdão é a chave para quebrar o círculo vicioso da violência e que nos liberta
das amarguras/rancores, terríveis venenos capazes de nos destruir, se desses não nos
libertarmos. Por isso, perdoar é, para mim, o mais importante gesto de amor, para com os outros e sobretudo para connosco próprios.
Pelo menos foram estas as principais mensagens que tirei destes
dois livros que considero obras-primas da literatura pelo incentivo à compreensão,
respeito e paz entre todos o seres-vivos da Grande Mãe Natureza.
Recomendo vivamente a leitura do fantástico “Bambi” e “O Meu
Pé de Laranja Lima”, até mais do que uma vez, porque descobre-se sempre mais
alguma coisa em cada leitura. Há livros que devem ser lidos na altura certa,
mas como não sabemos qual é a altura certa, a solução é lê-los mais do que uma
vez na vida. Aliás, não sei como nem porquê os livros vêm ter connosco na altura
certa, pelo menos comigo tem sido assim.
Rita Micaelo Silva
setembro, 2022
Aos meus avós (a quem devo muito do que hoje sou) e a todos os outros, sobretudo àqueles que, por diversas razões, não podem dar o seu amor aos netos e àqueles que temem pela vida dos seus netos que combatem em guerras sem sentido, de quem muitas vezes não têm notícias.
Por hoje ser Dia Mundial do Cérebro, lembrei-me de uma curiosidade que ocorre no meu e que nem eu sei porquê.
Desde que conheço os números, sempre os vi como uma família,
ou melhor… três que se unem numa só.
Passo então a explicar:
O “1, filha do “9” e do “0” e irmã do “8”, é casada com o “2”,
filho do “3” e irmão do “4. O “4” é namorada do “5”, filho do “6” e irmão do “7”,
que é o melhor amigo do” 8”.
Todos juntos, formam uma companhia de teatro, chamada Matemática,
onde, juntamente com outros símbolos, representam infinitas combinações de números
e de operações.
Porque que penso assim? Não faço a mínima ideia e também não
me preocupo em desvendar o mistério, porque afinal, com fantasia ou sem fantasia,
sempre fui boa aluna a matemática.
Sabemos muito pouco sobre o que gira à nossa volta, embora tenhamos
a mania de ser os mais inteligentes de todos os seres, quando na verdade nem a
nós próprios nos conhecemos.
O cérebro é sem dúvida o maior mistério o Homem, um órgão
extraordinário que na minha opinião é muito mal aproveitado, ou seja, é mais
utilizado para o mal do que para o bem.
Fernando Pessoa escreveu que “As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais”.
Eu acrescento que há lugares, criaturas e pessoas que nunca desaparecem ou morrem, apenas viajam para nosso imaginário. Assim como há lugares e pessoas que viajam para o nosso imaginário, apenas pelo que outros nos contam ou que estão, foram simplesmente imaginadas.
Por exemplo, eu não cheguei a conhecer o meu bisavô Joaquim e só fiz uma visita à Costeira (casa de família do meu bisavô) uma única vez, quando tinha apenas três ou quatros anos de idade, da qual não me recordo. No entanto, cresci sempre com a Costeira no meu imaginário, por causa das histórias que a minha avó Teresa e bisavó Matilde me contavam.
Sei que assim que muitos veem, uma "triste solitária", só porque não passo a vida no arejo. Lamento desiludi-los porque, na verdade, sou a "triste" mais feliz do mundo quando estou na minha agradável companhia.
Para ser sincera, nem sei em que se baseiam para fazerem este tipo de observação, até porque tenho o hábito nem qualquer interesse em publicar a minha vida nas redes sociais, saio quando quero, com quem quero e ninguém tem nada a ver com isso.
Simplesmente adoro o sossego, a natureza e o silêncio cheio de música e histórias. Preciso disso para criar, fazer aquilo que gosto e viver sem pressa nem confusões. É assim que encontro a minha paz e felicidade.
E no entanto, tenho plena consciência da realidade, pois estou sempre atenta ao que se passa à minha volta, ao contrário de muitos acelerados que andam por aí atrás de algo que não sabem o que é, nem onde ou como encontrar.
Diria até que fiquei chocada com o facto de existir o Dia da
Bondade, porque isto significa que esta é tão rara, ao ponto de precisar de ser
lembrada.
Ora na minha opinião, a bondade deve uma atitude espontânea,
genuína, um ato de respeito e de amor ao próximo, de solidariedade, a ser praticado todos os dias.
Não pode haver dia nem hora certa para fazer o bem, caso
contrário não passa de uma valente hipocrisia. Aliás a maior parte dos dias comemorativos
não só são pura hipocrisia, como um intensivo à mesma.
Os problemas não podem ser lembrados e discutidos num só dia,
para depois serem varridos para debaixo do tapete durante o resto do ano, sem
serem resolvidos.
Já não bastava o Natal, hoje em dia, consumista e
terrivelmente hipócrita, em que todos exibem o seu status presenteando os
outros com presentes caros, vistosos, enquanto passam o resto do ano às turras
ou até sem se falarem, ainda tinham que inventar o Dia da Bondade.
Hipocrisia, pura hipocrisia, cada vez mais enraizada na
sociedade humana, de tal forma que nem sequer precisa de ter um dia comemorativo,
porque esta, sim, pratica-se todos os dias, em todas as horas e lugares.
Enfim, feliz será o dia em que não seja necessário haver dias comemorativos
para lembrar as pessoas que existem este ou aquele problema para ser
resolvido ou que devem ser bondosas, nem que seja por um dia.
Feliz será o dia em que a bondade substitua a hipocrisia.
Nestes últimos tempos, tenho vivido uma série de experiências e emoções que modificaram muito a minha forma de ver e de estar no mundo.Como já tenho dito neste blogue, é possível ser-se feliz com pouco e as crianças são a prova disso.Na acção de campanha de sexta-feira à noite, na Praceta das Farrapas (Perafita - Matosinhos), senti-me como o Pai Natal. Mesmo sem presentes para oferecer, as crianças andavam à minha volta, curiosas, alegres por me poderem oferecer brindes, comida e sobretudo muito carinho. Estavam felizes só por dançarem e fazerem gracinhas das quais eu ria com ternura. O meu sorriso e carinho bastava-lhe.Estas crianças maravilhosas, a quem muitos põem o rótulo por viverem em bairros sociais, mostram que o importante é ser-se feliz e ter orgulho no que somos. E isso consegue-se facilmente, basta não ter preconceitos e não ter vergonha de dar o pouco que temos, pois tudo o que é dado com amor, vale mais do que qualquer tesouro.Ao receber este carinho destas crianças, eu ganhei, sem dúvida, um grande tesouro que guardarei para sempre no meu coração. É pena que os adultos não aprendam a ser puros e humanos como as crianças.