| Branquinhas e Roberto 8/8/2026 |
O valente Roberto lutou até ao fim, com inteligência e garra, muita garra! No domingo de manhã ainda andou pela Avenida dos Galos, mas de tarde, passou a maior parte do tempo a dormir em pé, junto à figueira. Passámos todos a tarde com ele, eu e os Penudinhos que se deitaram todos à minha volta. O Carioca ainda lhe saltou em cima, mas levou logo comigo e com o Branquinhas que destemidamente defendeu o inseparável companheiro Roberto. Nessa noite, o Carioca dormiu sozinho para não incomodar o Roberto que já nem tinha forças para subir e dormir no poleiro, aceitando pela primeira vez o ninho, mas... sempre em pé! No dia seguinte passou o tempo todo no ninho, mas ao fim do dia saiu para comer e aquecer-se pela última vez ao sol, mesmo sem sair do capoeiro. Deixei-o consolado a comer farinha para pintainhos e a beber soro caseiro (água morna, com uma colher rasa de açúcar e uma pitada de sal) ao qual a minha mãe acrescentou vitaminas próprias para galináceos. Ao vê-lo comer consulado ainda tive esperanças, mas na manhã de 29/9/2026, o pequeno Roberto deitou-se, finalmente, no ninho, para o seu descanso eterno.. Que descanse em paz, pois, apesar de traquinas, era um garnisé terno e muito inteligente, tal como demonstrou durante a doença.
Restam as memórias da sua energia interminável, que o meu tio até dizia que ele e o companheiro Branquinhas, davam a volta ao mundo num só dia, de tanto andarem para trás e para frente na Avenida dos Galos (daí a alcunha de "GNR") ; o seu Cocócorocóoo; o cantar ao desafio com o Branquinhas e os momentos cómicos em que um interrompia abruptamente o canto do outro; o jogo "um-dois-três-estátua" ou o jogo do sério em que ficavam imóveis a olhar um para o outro; a forma como se pegavam mas nunca se separavam, onde ia um iam outro e, impedidos de ir às galinhas, até acoplavam entre si, a forma com se protegiam e a forma como se tornaram figuram icónicas do capoeiro, logo desde início, principalmente o Roberto pelo seu ar patusco de desenho animado, o modo como se preocupavam e ficavam tristonhos quando alguém adoeciam, o olhar e jeito terno com que o Roberto procurava a minha proteção e companhia e a forma como compreendia tudo o que lhe dizíamos. Deixa sem dúvida muitas saudades, bonitas e engraçadíssimas histórias e, merecia ter tido tempo para muitas mais aventuras, mas a vida é o que tem de ser. Tentamos dar-lhe o melhor possível para que fosse feliz enquanto andou cá na quinta. Pelo menos amor e atenção não lhe faltou.
Agora é ajudar o e Branquinhas a superar a ausência do seu inseparável amigo. São momentos difíceis para todos, mas, juntos, havemos de superá-los e a vida continuará, no capoeiro cada vez mais vazio e silencioso, mas sempre cheio de amor, ternura, aventura e muitas histórias para contar.
Entretanto os dois pintainhos Lua e Sol, com quinze dias, crescem saudáveis e cheios de vidas, ao cuidado da incansável garnija Pipoca Arrepiada. Se um for macho, a minha mãe quer rebatizá-lo de Roberto. Assim sendo teremos
um Sol-Robertinho ou um Lua-Robertinhho. É justo, porque, mesmo doente o Roberto vigiou-os e fechou os olhos ao
lado deles. Por enquanto, o importante é que continuem a crescer saudáveis e felizes.
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