O Caderno da Rita Cuca é um cantinho para partilhar pensamentos e curiosidades do dia-a-dia de um mundo cada vez mais surpreendente. Divirta-se! Nota: AS NOVAS MENSAGENS ESTÃO A SEGUIR À PRIMEIRA.
segunda-feira, 10 de junho de 2024
domingo, 28 de abril de 2024
Mãe onde estás? Vem comigo!” e "Liberdade" - duas novas publicações da minha autoria em antologias
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A prosa "Mãe onde estás? Vem comigo!” e o poema "Viva a Liberdade! ", ambos da minha autoria, foram selecionados e integram o tomo II das antologias “Minha Mãe” vol. I e " Liberdade" vol. III, editadas pela Chiado Books, em abril de 2024.
“Mãe onde estás? Vem comigo!” é uma humilde homenagem
que faço às mães, em especial a minha - Mãe Rita -, mas também aquela que tantas
vezes esquecemos, negligenciamos e sem a qual não vivemos: a Grande Mãe
Natureza.
As obras estão disponíveis nas livrarias e na própria Chiado Books.
"Minha Mãe" - https://www.atlanticbookshop.pt/poesia/minha-mae-vol-i-tomo-ii
"Liberdade" Vol. III - https://www.atlanticbookshop.pt/poesia/liberdade-vol-iii-tomo-ii
Mãe, onde estás? Vem comigo!
de Rita Micaelo Silva
- Mãe, onde estás?
- Estou aqui, filha. Sabes onde estou.
- Não te vejo, Mãe... Estás escondida?
- Escondida?! Claro que não, porque me haveria
de esconder?! Estou ao pé de ti! Não te iludas com o que vês. Usa o
olhar sincero do teu coração e logo me verás.
Instantes depois...
- Mãe! Tão linda estás! Esplendorosamente vestida
com diversificadíssimas paisagens e formas de vida, que alimentas com as tuas
lágrimas! Olha só esse véu azul, adornado de estrelas e astros, sobre o teu
cabelo de floresta! O teu olhar dourado é um misterioso deserto e, dos teus
lábios, os ventos trazem-me histórias e sabedoria. Grandiosa Mãe, sinto-me
minúscula, mas ao mesmo tempo, tão amada e protegida, quando
me embalas nos braços, embrulhada em ternura, onde sonho com tantas
maravilhas! Quando eu for grande quero ser igualzinha a ti, Mãe!
- Minha querida, sê simplesmente tu.
- Desculpa ter-te magoado, desiludido e não ter
cuidado de ti como merecias...
- Ora, ninguém é perfeito, filha, todos erram. Até eu
erro tantas vezes… És apenas uma criança e, como ninguém nasce ensinado, tens
ainda muito que aprender. Contudo, para mim, sempre foste e serás perfeita, tal
como és.
- Obrigada, Mãe, por tudo o que me tens dado... Nem
sei como te agradecer...
- O amor não se agradece, filha adorada, recebe-se e
retribui-se, quando é possível. Nada é mais gratificante para mim do que
ver-te feliz.
- Mãe, tenho de continuar o meu caminho, dás-me a tua
mão? Vem comigo! Por favor, não me deixes sozinha, nesta complexa
jornada...
- Se fazes parte de mim, como poderia deixar-te só?!
Sê corajosa, criativa e honesta, sobretudo contigo própria.
Jamais permitas que o medo te impeça de seguires os
teus sonhos!!!
Viva a liberdade
de Rita Micaelo Silva
Podem tirar-me a luz
Podem-me amordaçar
Podem-me até prender
Num sítio qualquer
Mas enquanto tiver forças
Nas asas do pensamento
Para longe voarei
E pelo caminho semearei
Sementes de esperança
Para que um dia floresça
Um mundo mais justo e livre
E aí, bem lá do alto
Aos quatro ventos, gritarei
VIVA, VIVA A LIBERDADE!
sábado, 9 de março de 2024
“Andar a romper limites” - documentário
O Dia Mundial da Mulher foi ontem, mas como todos os dias devem ser de toda a gente, partilho hoje, um documentário que, em 2004, fizeram sobre mim.
“Andar a romper limites” é um episódio premiado
internacionalmente, que integra uma série documental – “Andar com as próprias
pernas” – produzida por uma parceria entre universidades de três países, Portugal,
Brasil e Peru.
Entretanto, terminei o Mestrado em 2010 e trabalho há quatorze
anos, três como Provedora do Cidadão com Deficiência e onze como Técnica
Superior de Som e Imagem, na Função Pública.
Contudo, em pleno século XXI, tal como tantos outros, continuo
e sofrer discriminação e a ver-me privada de muitos direitos básicos, só por
ser mulher e ter uma deficiência. Por isso é urgente a construção de uma
sociedade sem rótulos, onde todos sejam tratados simplesmente como SERES HUMANOS,
permitindo-lhe uma vida digna, com LIBERDADE e IGUALDADE.
Da minha parte continuarei a tentar romper limites.
Agradeço a quem me tem ajudado neste já longo em complexo caminho,
desejando a todos as maiores felicidades.
E agora, divirtam-se, com as minhas cantorias e traquinices
denunciadas no referido documentário.
domingo, 28 de janeiro de 2024
Um crocodilo na praia de Matosinhos
Trata-se de um crocodilo com cerca de quatro metros, olhos feitos com limões, dentes de concha, garras de mexilhão e o sombreado é feito com carvão natural.
Extremamente realista, o crocodilo deslumbrou os passeantes, que usufruíam do bom tempo de domingo, na marginal de Matosinhos, chegando inclusivamente quem o confundisse com um animal verdadeiro.
Segundo o escultor, a efémera obra em areia, demorou cerca de dois dias a ser concluída. Mencionou também que areia fina do areal de Matosinhos apresenta as características ideais para esse tipo de construção.
João Carlos não tem resistência fixa, vai percorrendo os areais e, tal como os artistas de rua, vai vivendo das gratificações de quem para a apreciar a sua obra.
Um talento nato que merece ser aplaudido, apoiado e aproveitado, sobretudo pelas autarquias, uma vez que se trata de um excelente exemplo de arte ecológica, e uma bela atração turística, sobretudo ao fim de semana e na altura do verão.
Rita Micaelo Silva, 28/01/2024
Fotografias de João Carlos e Rita Micaelo
domingo, 17 de dezembro de 2023
sábado, 30 de setembro de 2023
Guitarra sem cordas
Tenho uma guitarra no fundo da
sala
Que já não toca nem fala
Chora hora após hora
Pelos bons tempos de outrora
Ó velha guitarra sem cordas
Sei quanto doí o que recordas
Sei que sonhas mas sabes bem
Que o teu guitarrista já não vem
Ó velha guitarra sem cordas
Já com mais nada te importas
Tocas toda a tristeza do mundo
Numa só nota do silêncio
profundo
Ó minha guitarra sem cordas
Do teu sonho não acordas
De um belo dia ele regressar
Só para te voltar a tocar
Rita Micaelo Silva
Novembro de 2022
quarta-feira, 26 de julho de 2023
"Pessegueiro com gladíolos ("Flor dos Avós") e ginjeira"
"Pessegueiro com gladíolos e ginjeira", 2023, Rita Micaelo Silva
Desenho digital a lápis de cera
Na verdade, os gladíolos não se chamam "Flor dos Avós", mas como no meu quintal costumam florir em julho, pus-lhes este nome, uma vez que se celebra o Dia dos Avós a 26 de julho.
A cena pintada aconteceu há um ou dois anos e não foi fotografada. Contudo, a imagem do gladíolo a espreitar
por entre os ramos do pessegueiro, como se fosse uma criança curiosa, nunca mais me saiu da memória, pelo que resolvi passá-la para o papel.
Tenho certeza de que todos os meus avós adorariam o meu quintal, uma vez que foram eles que despertaram em mim, desde pequena, o amor pela Natureza. Por isso, estas lindas flores são mais um símbolo da sua presença, uma homenagem à sua memória.
sábado, 10 de junho de 2023
Um bolo à-toa
É um bolo simples, ótimo para a hora do chá.
Ingredientes:
250g de farinha
250g de açúcar
4 ovos pequenos
2 colheres de sopa de manteiga
Raspa e sumo de uma laranja
1 iogurte (opcional e, caso não ponha sumo de laranja, pode optar por um iogurte de aromas)
Preparação:
Numa tigela, bata a manteiga com o açúcar, até obter um creme, ao qual vai juntar os ovos, um a um.
De seguida envolva a farinha, a raspa e o sumo de laranja, com o preparado.
Unte a forma com manteiga e deite o preparado.
Leve ao forno pré-aquecido a 180º, durante 40-50 minutos, coloque papel de alumínio quando o bolo começar a lourar, para não queimar
Desinforme e deixe arrefecer.
Este bolo só tem um problema, é impossível resistir a uma segunda ou terceira fatia. Como podem ver, na fotografia, foi quase metade do bolo num só lanche, com duas pessoas apenas.
domingo, 21 de maio de 2023
Conversa Estrelada
- Acho.
- Achas bem estar uma estrela caída no chão?!
- Acho. Porquê que as estrelas também não hão de ter direito a descer à Terra, de vez em quando?!
Rita Micaelo Silva
21/05/2023
sábado, 13 de maio de 2023
O duende Samu e o passarinho Jojo
Era uma vez um duende solitário, que vivia num lindo cogumelo vermelho, bem no meio do bosque encantado.
O duende chamava-se Samu e andava muito triste por não ter
com quem passar o Dia do Duende* que se aproximava.
Certo dia, o Samu passeava pela floresta, como sempre
gostava de fazer, para apreciar as belezas da Mãe Natureza.
A dada altura, o Samu encontrou um passarinho caído do
ninho, a chorar, cheio de medo e fome.
Deste modo, o Samu levou o passarinho consigo para casa,
deu-lhe o nome de Jojo e cuidou dele, ainda melhor do que qualquer mãe pássara.
O Samu e o Jojo nunca mais se separaram e viveram aventuras
fabulosas, no bosque, onde fizeram muitos amigos, como duendes, fadas,
criaturas fantásticas, animais e plantas.
Todos se divertiam, ajudavam e protegiam uns ou outros, pois
ninguém conseguia estar feliz, quando alguém ficava triste.
Assim, com o Jojo e os outros amigos, o Samu ganhou uma
família fantástica que fazia com que todos os dias fossem Dia do Duende, cheios
de amor, paz, magia e muita alegria.
Rita Micaelo Silva
quarta-feira, 3 de maio de 2023
“O ideal seria que cada pessoa plantasse pelo menos duas árvores, para salvarmos a humanidade.” Sri Jadav Payeng
Todos os anos, os habitantes da ilha enfrentam cheias que os
obriga a mudar constantemente de casa.
Apesar dos permanentes esforços para travar a erosão,
recorrendo a sacos de areia, prevê-se que dentro de quarenta anos a ilha irá
ficar reduzida em 60%, tendo já neste momento, pouco mais de 400 quilómetros
quadrados, quando inicialmente tinha 1150 quilómetros quadrados.
Um dos habitantes desta ilha, Sri Jadav Payeng, ativista
conhecido por “o plantador de árvores” , dedicou toda a sua vida a plantar a floresta
Molai no solo arenoso e diz continuar a fazê-lo, enquanto for capaz, porque
considera ser sua obrigação ajudar na reflorestação do mundo.
Jadav Payeng afirma que as raízes das árvores seguram os
sedimentos, ajudando a contrariar a erosão da ilha, sobretudo árvores de raízes
fundas, como bambu-indiano ou coqueiros. Contudo, Jadav Payeng diz que o
problema não é só daquela ilha, é um problema geral, sendo necessário a intervenção dos sete mil
milhões de habitantes do planeta e, o ideal que cada pessoa plantasse pelo
menos duas árvores, para que seja possível a sobrevivência da humanidade.
Na minha opinião, para além de cada humano plantar duas árvores,
como diz Jadav Payeng, ainda mais importante é perseverar árvores, preservar
sobretudo as escassas florestas ancestrais e tropicais.
Até porque as florestas plantadas são muito mais vulneráveis
e suscetíveis a incêndios, porque a sua arquitetura estilo pombalino (com as árvores
todas alinhadas como os soldados numa parada militar), faz com que o sol chegue
facilmente ao chão, proporcionando o crescimento de vegetação inflamável e o
aquecimento do solo, para além de outras razões, como a plantação de espécies facilmente
inflamáveis e o desequilíbrio das cadeias alimentares, já para não falar nos
fogos postos, etc.
As florestas ancestrais/tropicais são muito mais densas, sombrias e
frescas, com uma organização e funcionamento tão perfeito, que muito raramente
sofrem incêndios, sendo estes normalmente de pequenas dimensões.
São as florestas, seja em terra ou nos oceanos, que garantem o equilíbrio e a sobrevivência do planeta.
A nossa intervenção só as tem prejudicado.
A natureza já existia muito antes dos humanos, é perfeita e
não foi feita para que fosse dominada/manipulada por eles, antes pelo contrário.
A política de plantar três árvores por cada uma abatida é ilusória
e economicista, porque a quantidade de oxigénio que uma árvore idosa produz, assim
como o dióxido de carbono que absorve, é muitíssimo superior à de três árvores
jovens. Ao abatermos árvores idosas,
estamos a libertar astronómicas toneladas de CO2 para a atmosfera, contribuindo
fortemente para o aquecimento global, para além de outros graves males.
Por isso, em vez de se destruírem, por minuto, áreas florestais
equivalentes a dez campos de futebol, tal como acontece na Amazónia, é urgente
pararmos e apostarmos na reflorestação, porque se continuarmos neste ritmo, não
teremos condições de vida neste planeta, dentro de muito pouco tempo.
Plantar e preservar árvores é vital, caso contrário não
iremos sobreviver.
As árvores devem, sem dúvida, estar no topo da lista das prioridades
para salvarmos ao planeta, já em tão mau estado.
As árvores e todas as espécies de seres vivos, pois todos têm um papel importante no funcionamento global do planeta.
Obrigado, Sri Javad Payeng e a todos os que dão o seu contributo para salvar o que ainda sobra da Terra.
Rita Micaelo Silva
Maio, 2023
segunda-feira, 1 de maio de 2023
Menina de biscuit
Menina que passas na rua
Tão cheia de charme e “belezura”
Lá vais tu sempre na tua
Irradiando tanta luz e ternura
O que levas no balde não sei não
Mas olha que me levaste o coração
Menina pareces feita de biscuit
Os teus olhos verdes e pele branca
Levam-me a sítios onde nunca fui
Graciosamente levas o balde na anca
Onde vais ó minha princesa mais linda
Tem cuidado que te perdes ainda
Menina belíssima, boneca de biscuit
Tão fina e delicada que temo partir
Pois tímido e desajeitado eu sempre fui
E isso nota-se até no meu tonto sorrir
Não sou nenhum príncipe encantado
Mas por ti estou completamente fascinado
Menina minha joia de porcelana
Meu mais precioso tesouro
O meu velho coração, o sacana
Não sossega, bate mais forte do que um touro
Ai, como queria ter asas de vento e voar
Só para te conseguir acompanhar
Menina de cachos de ouro
O que tens escondido na floresta
Algum segredo, mistério ou tesouro
Deixa-me ir contigo, levo-te a cesta
Encho-te o balde de rosas e lavandas
Faço tudo o que queres, princesa, tu mandas
Rita Micaelo Silva
1 de maio de 2023
terça-feira, 21 de março de 2023
Minhas queridas árvores
Minhas queridas árvores,
Hoje é o Dia Mundial da Árvore. Ou pelo menos é o que dizem
os Homens.
Os mesmos Homens que desde sempre vos trataram como mera
matéria-prima, procurando tirar o melhor partido de vós, da vossa madeira, do
vosso fruto, ou do vosso bonito aspeto decorativo. De tudo, esquecendo-se do
principal, amar-vos enquanto seres vivos e, ainda por cima, os seres vivos que
lhes dão o oxigénio para viverem!
E depois quando se cansam de vocês, simplesmente abatem-vos
sem qualquer ressentimento.
Sim, os mesmos Homens que, todos os dias, abatem hectares e
hectares de floresta, destruindo milhões e milhões de vidas.
Os mesmos Homens que erguem as "bandeiras do
ambiente" e que dizem que por cada árvore abatida, plantam três. Como se
alguma vida fosse substituível, ainda por cima quando se trata de árvores
centenárias ou milenares. Como se isso bastasse para salvar o que quer que
seja.
Os mesmos Homens que apesar dos claros avisos de situação
muito grave e quase irreversível, insiste em continuar a tratam-vos com
hipocrisia e crueldade.
E vocês, indefesas, sofrem em silêncio, continuado a
dar-lhes aquilo que é indispensável à vida, tal como uma mãe dá tudo a um
filho, mesmo que não receba o seu amor.
Doí-me de cada vez que vejo uma árvore encaixada no betão,
na berma das estradas, é como andar de sapatos com muitos números abaixo e, como se não
bastasse, ainda têm de respirar a nojenta poluição humana, sobretudo nas
cidades, ditas modernas e civilizadas.
Dói-me ver árvores cortadas só porque não dão jeito ou já
não ficam bem naquele sítio.
Doí-me ver tanto sofrimento e tanta falsidade na forma como
os humanos que se dizem donos do mundo e do conhecimento, tratam as
políticas ambientais.
Dói-me ver-vos a morrer e, convosco, tantas outras espécies,
dia após dia.
Dói-me ver os Homens a saber que se continuarem a destruir o
ambiente, eles próprios vão extinguir-se e, mesmo assim continuam cegos por
dinheiro.
Dói-me porque vos amo, minhas queridas árvores,
sois para mim o maior dos outros tesouros, sois a principal
fonte de vida! Sem vós, nós humanos não seremos nada.
Sinto-me privilegiada por ter um pequeno quintal com algumas
árvores, entre várias outras plantas. Cada qual com o seu nome próprio, de
acordo com as suas personalidades, pois são seres vivos, e por isso,
trato-as com todo o amor que merecem. Amor que elas me devolvem em dobro.
Já para não falar no quanto me têm ensinado, quando estou na sua doce companhia!
Só queria que todas as árvores do mundo fossem tratadas com
o mesmo respeito e amor com que trato as minhas, pois seríamos todos muito mais
saudáveis e felizes.
Oh minhas queridas árvores, torço para que não seja
apenas hoje o Dia Mundial da Árvore, mas sim, todos os dias.
Com amor
Rita
21 de março de 2023
sábado, 28 de janeiro de 2023
O “velhinho simpático” do jardim do Passeio Alegre
Quando era pequena, costuma ir muitas vezes, com os meus avós paternos, passear ao jardim do Passeio Alegre, na Foz do Douro.
Era um jardim tranquilo, com vistas para o mar e cheio de referências históricas e, tudo o que tenha histórias ainda hoje me deixa fascinada.
Contudo, o que eu mais gostava de andar lá a correr entre as árvores e canteiros.
O meu avô segurava-me por debaixo dos braços e lá andava eu a conquistar o jardim, como quem conquista o mundo.
A minha avó vinha atrás com a cadeira de rodas, para quando me cansasse. Ou então sentava num banco e metia conversa com alguém, caso a minha bisavó não fosse também connosco.
Uma vez meteu conversa com um velhinho que costumava lá estar muitas vezes, sentado num daqueles bancos de jardim, de olhar perdido no imenso mar de pensamentos.
- Ritinha, estás a ver este senhor? É um grande poeta, chama-Eugénio de Andrade. – apresentou-mo.
Eu cumprimentei-o, apenas como um velhinho simpático.
Apesar de sempre ter gostado de livros, de histórias e, de desde bem pequena dizer que queria ser escritora para escrever um livro e não fazer mais nada na vida, naquele momento, confesso que estava mais interessada em correr pelo jardim e deixar-me levar pela imaginação.
Não senti aquela emoção de estar com perante um dos maiores poetas portugueses, pois afinal, eu era apenas uma miúda.
O que mais me impressionou foi vê-lo tantas vezes sozinho.
Apetecia-me chamá-lo para vir brincar comigo, tal como fazia com a minha bisavó, grande companheira de aventuras.
No entanto, a minha avó dizia-me que os poetas gostavam de estar sozinhos com os seus pensamentos, para se inspirarem, o que não não me convencia lá muito.
Hoje compreendo-o bem, pois também sinto esta necessidade, embora não me considere poeta, mas gosto simplesmente de estar com os meus pensamentos, que muitas vezes resultam em história desenhos, pinturas ou no que me der na telha. Se o que faço serve para alguma coisa o não, é supérfluo, porque o que me importa é o prazer de o fazer.
O certo é que, mais tarde, já adulta, conheci outras personalidades, nomeadamente artistas, tinha consciência da sua obra ou dos seus importantes feitos, mas quando estava perto delas, o sentimento foi o mesmo de quando conheci o Eugénio de Andrade, “o velhinho simpático”.
Perto delas, via apenas o ser humano, com todas as suas virtudes e fragilidades, bem diferente da imagem de estrelas intocáveis que os media passavam. Agora já não há tanto esta impressão, mas há uns anos atrás, quem aparecia na televisão era quase um gigante, uma superstar, enfim era algo magnífico.
Percebi então, a efemeridade da vida e a fragilidade do ser humano.
Seja quem for, faça o que fizer, conquiste o que conquistar, todos começam e acabam da mesma forma.
Apesar de ter sido (ou melhor, de SER) um grande poeta, naquela altura, eu vi no Eugénio de Andrade, apenas um velhinho que precisava de amor e carinho, que talvez sentisse a solidão da velhice como muitos outros.
Sim, podemos ser uma grande personalidade nalguma área, andar sempre rodeados de gente e sentirmo-nos sós.
Na verdade, preciso crescer para descobrir o prazer da nossa própria companhia e provavelmente o Eugénio de Andrade já o tinha descoberto há muito. Hoje percebo que talvez não estivesse assim tão só. Aliás, depois vim a saber que, na realidade, nunca esteve sozinho, pois tinha os amigos e a sua Ana Maria, amiga/filha do coração, que o acompanhou em todos os momentos.
A essência humana é aquilo que me toca mais, apesar de admirar uma boa obra. Uma coisa é o artista, outra coisa é a pessoa em si, embora um influencie o outro, são duas identidades distintas.
Para mim, Eugénio de Andrade era assim, tinha todo o prestígio do mundo, mas sempre se refugiou deste, procurando viver a vida simples e ser simplesmente um ser humano como qualquer outro. Fez questão de manter a sua vida como Sr. José, usufruindo, enquanto pôde, de tardes ou manhãs junto do mar e das palmeiras do jardim do Passeio Alegre, que tanto adorava, pois, afinal, não há nada melhor do que a companhia da natureza.
Penso que, tal como eu, o que importava mesmo a Eugénio de Andrade era aquilo que somos enquanto simples seres vivos, tudo o resto são adornos. O que importa é vivermos em paz, vivendo com simplicidade e com aquilo que nos faz feliz.
Para além do poeta extraordinário, continuo a ver o Eugénio de Andrade (ou melhor, o Sr. José, porque o poeta só conheci mais tarde, através da sua obra) como o “velhinho simpático” do jardim do Passeio Alegre. Vejo-o como mais uma doce recordação dos bons momentos passados com os meus avós.
Não sei, mas acho que Eugénio de Andrade ficaria contente com esta terna imagem que guardo dele, porque parecia-me um senhor simples e só as grandes almas sabem ser simples.
E o mais engraçado é que, só agora, passado tantos anos, ao recordar o nosso breve encontro e ou conhecer a sua obra com outra maturidade, descobri que tínhamos várias coisas em comum, entre as quais a predileção pelas artes, pela literatura, pela escrita, pela natureza e pela mãe.
domingo, 15 de janeiro de 2023
Os mortos vivos e vice-versa
Para mim, há vivos que estão mortos e mortos que estão e estarão sempre bem vivos.
domingo, 8 de janeiro de 2023
Dar um presente à Mãe-Natureza
O melhor presente que me podem dar é ajudar-me a dar um presente ao nosso planeta. .
O melhor presente que me podem dar, são árvores, são todas as espécies de seres vivos, é a Grande Mãe-Natureza!
São montanhas, mares, rios, desertos, prados floridos e tudo o que de belo existe neste pequeno planeta.
São bosques e florestas, sobretudo as ancestrais com árvores milenares.
É a preservação das florestas e dos oceanos que nos dão tudo para que nós, humanos, possamos existir.
O melhor presente que me podem dar, é ajudaram a salvar a nossa Mãe-Natureza!
A nossa inigualável e insubstituível Mãe-Natureza, por nós tão ferida.
Ainda podemos sarar muitas das suas feridas, já que outras são irreversíveis.
Ainda podemos salvar a nossa querida Mãe-Natureza, mas o tempo é já muito pouco.
Precisamos de abandonar imediatamente os nossos hábitos de consumismo egoísta e passar a viver em sintonia com a Natureza.
Troquemos os presentes materiais por gestos de amor e paz.
Troquemos a hipocrisia das palavras bonitas por ações concretas.
Ações que ajudem a diminuir o desperdício e a desigualdade neste planeta.
Ações que tornem o mundo humano menos controverso, mais feliz e cooperante.
Ações que recuperem e preservem a nossa Mãe-Natureza, para que nós próprios também possamos ser salvos.
Sim, porque os humanos são como um bebé no ventre da sua mãe, se a continuarem a destruir também não irão sobreviver...
A vida é a o mais precioso dos presentes.
Por isso, o melhor presente que me podem dar é a Mãe-Natureza mais sã, com todas as suas espécies, com toda a sua paz e sabedoria.
Pode parecer tudo muito utópico, mas as utopias deixam de ser utopias quando as tornamos realidade.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2023
A utopia do tempo e os seus tempos
O passado já existiu.
O futuro ainda há de existir.
Só existe então o presente, que é o reflexo do passado e de
um futuro que ainda existirá.
Rita Micaelo Silva
Janeiro, 2023
domingo, 27 de novembro de 2022
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
Os tsurus de Sadako Sasaki
Neste Dia Mundial do Origami deixo a minha humilde homenagem a Sadako Sasaki, a menina de 12 anos, vítima de leucemia por causa da bomba da Hiroshima, em 1945.
Com fé na antiga lenda japonesa, durante a doença, Sadako dedicou-se a fazer mil tsurus (grous, aves sagradas da cultura japonesa), conseguiu fazer 646 mas a morte levou-a antes de os completar.
No entanto, os seus amigos de escola fizeram questão, não só de completar os mil tsurus, como angariaram fundos para que fosse erguido um momento escultórico, em sua homenagem, apelando à paz no mundo, para que não hajam mais vítimas inocentes.
Desta forma, o tsuru tornou-se um símbolo da paz no mundo, para além de ser um dos origami mais populares da cultura japonesa, que simboliza sorte, saúde, longevidade e fortuna.
Inicialmente, os tsurus era elementos decorativos, mas depois passaram a estar associados à oração, estando sempre presente nas comemorações, como casamentos, aniversários, nascimentos, entre outras.
É também hábito japonês, oferecer tsurus aos amigos e entes querido, desejando-lhes assim, sorte, saúde, longevidade, fortuna e outras coisas positivas para a vida.
terça-feira, 1 de novembro de 2022
Pintando árvores em tempo de pandemia
Enquanto a humanidade lutava escondida contra um vírus invisível
Lá fora, a Natureza florescia cheia de graça e alegria
Mostrando, com a sua ternura de mãe, que tudo é vencível
Mostrando que depois de qualquer tempestade de novo renascia
Dando-nos amor, dando-nos vida
Mas o Homem sem sentimento
Para ver a sua ganância servida
Não lhe faz qualquer agradecimento
Destrói florestas e mares, destrói a vida de tantos seres
Como se deles não precisasse
Como se fossem coisas sem vida, nem amores
Como se uma sábia árvore de um objeto se tratasse
Por isso pinto árvores, verdadeiras fontes de vida
Símbolo da beleza e da esperança
Torcendo para que o Homem troque
As pedras que lhe enchem o peito e a taça
Por sementes da quais renascerão florestas e bosques
É urgente preservar e plantar árvores
Porque com elas salvaremos com certeza
Com todas as suas formas e cores
A única e insubstituível Grande Mãe Natureza
Rita Micaelo Silva
Outubro, 2022
terça-feira, 25 de outubro de 2022
Tobii, controlar o mundo com o olhar
A Tobii é uma tecnologia que permite a interação com o computador,
utilizando apenas o olhar.
Trata-se de uma tecnologia sueca ainda pouco conhecida em Portugal
que, para além ser um brinquedo interessante para os amantes de jogos de
computador, é uma ferramenta brilhante para pessoas com mobilidade reduzida que
têm dificuldade a interagir com dispositivos físicos como o rato ou teclado, para
trabalhar com o computador.
Com esta tecnologia o utilizador com mobilidade reduzida pode
desempenhar todas as tarefas que um utilizador comum, sem esforço físico e com
muito mais rapidez do que com qualquer outro sistema.
De acordo com a minha experiência pessoal, posso
inclusivamente dizer que a Tobii permite uma precisão dificilmente alcançável com
os outros dispositivos, graças ao sistema de infravermelhos (um singelo
aparelho do tamanho de uma esferográfica, que se prende na margem do monitor
com um pequeno íman) que segue o olhar do utilizador. Desta forma, o rato passa
a ser o olhar do utilizador, bastando fixar um ponto para fazer clique e usar o
teclado virtual para escrever.
Já tinha experimentado outros sistemas de controlo do computador através do olhar, mas recorriam ao uso de uma câmara, o que, para além de terem muito pouca precisão, faziam com que utilizador perdesse o controlo do computador de cada vez que desviasse o olhar do monitor. Daí eu nunca me ter adaptado a nenhum desses sistemas existentes há mais anos.
Com o Tobii o utilizador só calibra o olhar apenas uma vez, no
momento da instalação do software, regula as definições de acordo com as suas
necessidades específicas e, depois fica sempre pronto a utilizar, podendo desviar
o olhar sempre que quiser, sem nunca perder o controlo do computador.
A Tobii permite ainda o controlo ambiental (interação com eletrodomésticos
como televisão, telemóvel, estores, etc) e também já vi uma cadeira de rodas elétrica
a ser controlada com o olhar.
Resumindo e concluindo, com a Tobii não há limites!
Para quem não sabe, nasci com Paralisia Cerebral, tendo por isso, 97% de incapacidade, o que faz com que tenha de recorrer à tecnologia para poder levar uma vida normal.
Desde 2016 que não uso capacete/ponteiro (companheiro fiel
desde os meus oito anos, com o qual fiz todo o meu percurso académico, concluí
o mestrado, em 2010 e comecei a trabalhar) para interagir com o computador,
faço-o, apenas com o meu olhar (como podem observar no vídeo acima).
A tecnologia Tobii libertou-me do capacete, que me estava a
causar problemas graves na cervical. Deste modo reduzi significativamente as
minhas dores no pescoço e cabeça, assim como melhorei muito a minha rapidez de
interação e eficácia nas tarefas diárias. Apesar das lesões serem graves e de me
causaram muito desconforto, ainda consigo continuar a trabalhar, graças à Tobi.
Aqui ficam algumas pinturas e desenhos digitais, que tenho
feito nos tempos livres, com a Tobii.
domingo, 2 de outubro de 2022
A Velhinha das Pombas da Ponte D. Luís
Jeremias nasceu na rua das Carquejeiras, no Porto.
Tal como os outros rapazes, nascidos nas primeiras décadas
do século XX, costumava brincar naquela zona, onde avós, mães, tias, subiam a
longa e penosa rampa, carregadas de carqueja, para alimentar a cidade, que
delas fazia questão de se esquecer, na sua miséria.
Entre as suas brincadeiras, Jeremias gostava também de
observar a paisagem, com alma de poeta. Aliás, esta era a sua alcunha, o
"Poeta". Aquela paisagem do deslumbrante rio Douro, recheada de
mistério, fascinava-o.
Mas era a ponte D. Luís, o elemento de eleição do pequeno
Jeremias. Não só pela sua imponente beleza, mas sobretudo por causa de um
acontecimento que se repetia sempre no mesmo dia, anualmente.
Desde que se conhecia, Jeremias lembrava-se de ver uma
velhinha, que naquele determinado dia, descia, todos os anos, à ponte, onde
pendurava uma pequena pomba de papel.
Jeremias observou várias vezes o ritual da velhinha, de tal
forma, que acabou por fixar o dia preciso.
Por volta dos seus dez anos, o rapazinho resolveu
aproximar-se da velhinha, no momento em que ela, com as suas mãos já muito
trêmulas, atava na grade da ponte, um cordel que tinha na ponta a pomba
branca feita de papel.
- Desculpe... Porque está a pendurar uma pomba de papel
aí?
Com um terno sorriso, enquanto terminava de dar o nó, a
velhinha respondeu ao garoto.
- Faço isso desde o meu primeiro ano de vida. Nos primeiros
anos, vinha pela mão do meu pai, mas conforme fui crescendo, passei a vir
sozinha, todos os meus aniversários, pendurar uma pombinha branca, para que
esta me realize o desejo, assim que o vento a leve a voar por esses céus
imensos.
- Desejo? – perguntou o menino, com o olhar a brilhar de
curiosidade.
- Sim, peço à pomba que me traga uma única coisa, que quem a
tiver, tem tudo na vida.
- O que é?
- É paz, meu pequeno, paz... − respondeu a velhinha, com uma
festa no cabelo desalinhado do Jeremias.
E assim, a velhinha retomou o caminho de volta ao morro, no
seu passo lento e corcovado, apoiada numa tosca bengala, enquanto que o
Jeremias, ainda ficou, um bom pedaço, a ver a pomba a baloiçar com o
vento.
No ano seguinte, Jeremias voltou à ponte, onde esperou a
velhinha, que viria pendurar a sua pomba branca.
No entanto, as horas passaram e a velhinha não
apareceu.
Jeremias soube então, que a poucos dias de completar o seu
centésimo aniversário, a velhinha tinha voado para a sua eterna
paz. Faltava uma pomba a para completar o bando, que ao longo de um
século, tinham voado, uma a uma, da ponte D. Luís, para se juntarem a algures,
na terra dos desejos.
O pequeno Jeremias não quis deixar o bando incompleto e,
nesse dia, amarrou ele próprio uma pomba de papel, na grade da ponte.
Quando terminou o nó, o menino olhos para o lado e encontrou
uma pomba branca verdadeira que, passado instantes, bateu asas e voou em
direção ao céu dourado pelo sol, onde se juntou a um numeroso bando.
Jeremias sorriu e, a partir daquele dia, passou a
pendurar, todos os anos, uma pombinha de papel na grade da ponte, continuando a
ser assim o ritual da Velhinha das Pombas da Ponte D. Luís.
Rita Micaelo Silva
2020
















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